Conquista

De uma vez por todas, Lobas

Em celebração aos 25 anos, time feminino do Pelotas incorpora Lobas ao nome oficial da equipe e trabalha para retornar com o time adulto

13 de Janeiro de 2021 - 12h44 Corrigir A + A -

Por: Vinícius Guerreiro
vinicius.guerreiro@diariopopular.com.br

As mascotes foram desenvolvidas por duas atletas do clube (Foto: Reprodução)

As mascotes foram desenvolvidas por duas atletas do clube (Foto: Reprodução)

A partir de agora é Esporte Clube Pelotas/Lobas. A decisão do fundador e coordenador Marcos Planela, para dar largada à temporada que celebra os 25 anos do projeto, foi retirar a marca Phoenix e fixar o nome pelo qual o time feminino do Pelotas é conhecido em todo o Brasil: Lobas.

“É como somos conhecidos: Lobas. Todo mundo acha que é o nome do time e é preciso explicar que ‘Lobas’ era a mascote. Então decidi tirar o Phoenix, que é a minha marca, e unir o Lobas ao nome do time”, afirmou o coordenador e fundador da tradicional equipe pelotense.

A nova marca traz a tradicional mascote ao centro, rodeada por louros dourados que terminam no número 25. Acima, estão cinco estrelas, que representam o título Gaúcho adulto, o bicampeonato gaúcho sub-15, o título estadual sub-17 e o Gauchão de Beach Soccer. O lema da identidade visual é: “um projeto que transforma vidas através do futebol feminino!”. O trabalho foi realizado pela agência pelotense MT90 justamente por entender a importância social das Lobas.

“A MT90 tem por essência o apoio a causas relevantes no nosso município. Durante a pandemia, fizemos uma parceria com a ONG Escritório do Bem para arrecadar computadores para estudantes que não tinham como acessar os conteúdos para terminar o ano letivo. Para 2021, que marca os 25 anos das Lobas, optamos por apoiar este projeto, pois entendemos que ele vai muito além do futebol. O projeto coordenado por Marcos Planela transforma a vida de diversas mulheres, oportunizando, inclusive, estudos no exterior. Desse modo, estaremos lado a lado nesta temporada, auxiliando no setor de comunicação, modernizando-o para que tenhamos um elo cada vez maior com o futebol feminino da cidade”, afirmou Renan Turra Silva, diretor de comunicação da MT90.

Sonho

Quando o projeto completou 20 anos, Planela decidiu focar nas categorias de base e desfez a categoria adulta das Lobas, mesmo finalizando em terceiro o campeonato gaúcho daquele ano. O motivo foi a dificuldade de dar um suporte mínimo necessário para manter o time competitivo frente às estruturas maiores, como Grêmio e Inter. Nessa idade as jogadoras precisam dividir os treinamentos com outras atividades, como trabalho, faculdade, relacionamentos e, sem uma profissionalização, é difícil manter uma regularidade de treinamentos diários como exige a categoria. Assim as Lobas focaram nas categorias de base e fortaleceram ainda mais a marca de formadoras.

As Lobas entram no ano 25 com 25 jogadoras com passagem pela Seleção Brasileira nas mais diferentes categorias. Na última temporada, por exemplo, dos oito times que disputaram a Série A1 do Campeonato Brasileiro, cinco contaram com ex-jogadoras do Pelotas. Na Série A2, dois times que se enfrentaram na semifinal tiveram as capitãs que vestiram a camisa áureo-cerúlea. Sem falar em Andressinha, campeã brasileira com o Corinthians e que estará em Tóquio defendendo a Seleção nas Olimpíadas deste ano.

“Temos várias atletas jogando nacional. Ao longo dos anos criamos um nome e contatos. Muitos pais trazem as filhas para o Pelotas para lapidarmos e projetarmos no cenário nacional. Em 2019 fomos vice-campeões gaúchos na Sub-18, quando o Inter, pouco depois, se sagrou campeão brasileiro”, relembra Planela.

Com esse viés pioneiro e formador, um dos objetivos principais do ano 25 das Lobas será a criação da categoria sub-20 - algo natural no futebol masculino e que é inexistente no futebol feminino. Não há competição nacional ou estadual para a categoria sub-20, a última é a sub-18, e esse é um dos fatores para muitos talentos serem precocemente interrompidos.

“A novidade será a criação da categoria sub-20. o que não há no país. Só há na seleção. Muito boas atletas estouram com 18 anos e precisam de um tempo maior de maturação. Nossa ideia é trazer esse debate ao cenário. Será uma categoria que vai treinar mais do que jogar. Vamos buscar alguns amistosos, mas ela tem o objetivo de puxar essa discussão”, afirmou o coordenador das Lobas.

Planela também revela que o Pelotas está trabalhando em outra frente fundamental: utilizar o ano 25 para recuperar a categoria adulta e buscar uma vaga na Série A2 do Campeonato Brasileiro, que é cedida ao terceiro colocado do Gauchão. O coordenador ainda não bate o martelo, pois a categoria principal precisa de um investimento maior e é justamente isso que ele está buscando neste momento. Procura patrocinadores e parceiros, como a MT90, que queiram apoiar as Lobas.

Uniforme

Uma das conquistas é que pela primeira vez em 25 anos as Lobas terão fornecedor próprio. A empresa S9 Sports, do ex-jogador e ídolo do Pelotas, Sandro Sotilli, será a fornecedora oficial. Inclusive, em março, deverá ser lançada uma camisa comemorativa aos 25 anos do projeto.

Dentre a programação projetada para 2021 estão eventos que irão homenagear atletas que fizeram parte da história e um painel para debater o atual momento do futebol feminino e projetar o futuro da modalidade. A temporada deverá iniciar no dia 20 de fevereiro.

“Gratificante e emocionante o momento do futebol feminino para quem começou lá em 1996 com um jogo de uniforme emprestado e bolas compradas nos camelôs. Um trabalho, digamos, artesanal. É um crescimento a passo de tartaruga. É muito lento para o que essas mulheres merecem, pela paixão que têm pelo esporte, mas que bom que se vê um horizonte”, finaliza Planela.


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