Copa do Mundo 2018

Choque de gerações por vaga na final

Trio de estrelas da França desafia a Bélgica por vaga na semifinal da Copa da Rússia

10 de Julho de 2018 - 11h35 Corrigir A + A -

Por: FolhaPress

Kylian Mbappé poderia estar sorrindo por dentro, mas não demonstrou. Sem nenhuma pressa, passou pelos jornalistas franceses, alguns desafetos, com o troféu de melhor em campo nas mãos. Não olhou para o lado e ignorou as perguntas após ter quase sozinho eliminado Lionel Messi da Copa do Mundo. Ele havia acabado de fazer dois gols e sofrer um pênalti na vitória da França sobre a Argentina nas oitavas de final.

"Foi uma atuação de melhor do mundo?", foi uma das questões que fez de conta não ter ouvido, talvez por ter sido feita em inglês, talvez por não ter vontade de responder mesmo.

Se a França for campeã, Mbappé é um candidato a vencer o prêmio de melhor do mundo, escolhido em eleição organizada pela Fifa. Sua seleção não tem um candidato. Nem dois. Tem três nomes. Mbappé, Griezmann e Pogba formam a espinha dorsal francesa que nesta terça (10), às 15h, em São Petersburgo, vai tentar levar a equipe à final do Mundial pela primeira vez depois de 12 anos. Terá de superar a Bélgica para isso.

Os três foram ou vêm sendo preparados para os dois troféus: da Copa e de melhor do planeta. A última vez que um francês levou o prêmio foi em 2003, com Zinedine Zidane, que já havia vencido em 1998. Porque em algum momento alguém terá de arrancar de Cristiano Ronaldo e Messi o cetro. O argentino e português controlam o prêmio da Fifa desde 2008. Cada um venceu cinco vezes.

Ronaldo, que ganhou nos dois últimos anos, não foi o mesmo na temporada europeia que passou. O Real Madrid venceu o terceiro título seguido da Liga dos Campeões. Na final, ao contrário do que havia acontecido em 2017, o atacante não brilhou. Na Copa, foi eliminado nas oitavas de final no mesmo dia que Mbappé mandou a Argentina de Lionel Messi para casa.

O desempenho na Rússia será a última palavra no prêmio. A instrução da Fifa para os capitães de seleções, técnicos e jornalistas (que formam o colégio eleitoral) é que levem em consideração atuações até, no máximo, 15 de julho deste ano. A data da final do Mundial. "Ser o melhor em qualquer coisa é a consequência natural do trabalho. Entre ganhar o prêmio de melhor do mundo e ser campeão pela França, claro que escolho a segunda opção. Não há nem o que discutir", afirma Pogba.

É uma declaração de maturidade do meia que, ao trocar a Juventus (ITA) pelo Manchester United (ING) em 2016 por cerca de R$ 480 milhões (valores atuais), se tornou o jogador mais caro da história.
Depois disso já foi superado por outros dois companheiros do elenco francês na Copa: Mbappé (cerca de R$ 640 milhões do Monaco para o Paris Saint-Germain) e Osumane Dembélé (R$ 485 milhões do Borussia Dortmund para o Barcelona).

Phillippe Coutinho (R$ 525 milhões do Liverpool para o Barcelona) e Neymar (R$ 990 milhões do Barcelona para o Paris Saint-Germain) também estão na frente agora. "Paul hoje tem um papel bem diverso do que tinha há alguns anos. Ele assumiu a condição de líder da equipe. É uma das referências que temos em campo. Pode passar uma imagem diferente, mas na seleção francesa ele tem exercido a liderança que se espera de um jogador do talento dele", disse Blaise Matuidi.

O meio-campista da Juventus deve voltar à escalação francesa nesta terça após cumprir suspensão nas quartas de final, diante do Uruguai. A "imagem diferente" é a do jogador que não perde o sorriso, está sempre presente nas redes sociais e é capaz de aparecer com o cabelo de cor diferente a cada semana. O grande amigo de Lukaku, seu companheiro de Manchester United e adversário em São Petersburgo. O jogador que estabeleceu uma relação quase de irmandade com o temperamental Ibrahimovic.

Todas aquelas coisas que se voltam contra o atleta jovem e famoso cada vez que atua mal. Era o que poderia ter acontecido com Griezmann, 27, nas quartas de final da Copa do Mundo. Suas declarações de que se considera meio uruguaio tinham o potencial de bumerangue. Havia a chance de voltarem contra ele. Mas o atacante francês acabou eleito o melhor em campo, da mesma forma que aconteceu com Mbappé nas oitavas de final.

Anotou o segundo gol da vitória por 2 a 0 e nem sequer comemorou. "Eu ainda acredito que estou entre os três melhores jogadores do mundo", afirmou Griezmann antes da Copa do Mundo na Rússia. "Ainda" porque ele oficialmente já esteve na lista final do prêmio da Fifa. Em 2016, terminou em terceiro na eleição, atrás de, claro, Cristiano Ronaldo e Messi. Nessa ordem.

Para afugentar clubes que desejam contratá-lo, o Atlético de Madri colocou sua multa rescisória em 200 milhões de euros (cerca de R$ 910 milhões). Caso Barcelona, Real Madrid, Manchester United ou Manchester City -todos clubes já ligados a Griezmann- aceitem pagar esse valor, ele se tornaria o segundo mais caro da história, apenas atrás de Neymar.

E se a França for campeã, a chance disso acontecer cresce. Assim como o fim da hegemonia de Messi e Cristiano Ronaldo como melhores do planeta. Pogba e Mbappé também estão na fila.

Ficha técnica
França
: Lloris; Pavard, Umtiti, Varane, Lucas Hernandez; Kante, Pogba, Matuidi; Mbappe, Giroud, Griezmann. T.: Didier Deschamps

Bélgica: Courtois; Alderweireld, Vertonghen, Kompany; Carrasco, Witsel, Fellaini, De Bruyne, Chadli; Hazard, Lukaku​. T.: Roberto Martínez

Local: São Petersburgo
Horário: 15h desta terça
Juiz: Andres Cunha (URU)


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