Gauchão 2020

Capitão dentro e fora de campo

Leandro Leite avalia pré-temporada e espera um Brasil forte e organizado não apenas nas quatro linhas

20 de Janeiro de 2020 - 10h16 Corrigir A + A -

Leandro Leite foto Jonathan Silva GEB (2)

Camisa 5 está em sua nona temporada com a camiseta do Brasil (Foto: Jonathan Silva - GE Brasil)

Ter resultados esportivos é apenas a "ponta do iceberg" em um clube de futebol. A complexidade por trás da formação de um time e uma disputa de campeonato é algo que nem sempre é mensurado por quem acompanha. Em um cenário de dificuldades financeiras, ter criatividade é fundamental para driblar e gerir crises. No Brasil, quando não existiram saídas óbvias, o capitão Leandro Leite elevou sua braçadeira para muito além das quatro linhas.

No clube desde 2012, o camisa 5 passou por tudo aquilo que um atleta pode enfrentar dentro de um clube de futebol. Conquistou títulos, acessos, foi reserva - por um curto período - quase foi rebaixado, foi cobrado, criticado e exaltado. Em todas as alternativas anteriores, Leandro jamais deixou de exercer sua liderança, não importando o momento por qual a equipe passou. No ano passado, por exemplo, endureceu o tom com a direção por atrasos salariais, mas esteve lá outra vez para manter o grupo unido e focado nos objetivos.

"Foi um ano difícil. Um ano complicado pelas situações extra-campo que tivemos. Sabemos que é difícil trabalhar da maneira que nós trabalhamos e conquistar o objetivo. Não é uma, duas ou três cabeças. É um vestiário, mais de 30 jogadores, então existem dificuldades, cada um pensa de uma maneira. Você fazer todos os jogadores, todo o grupo pensar da mesma maneira é difícil, mas conseguimos fazer com que o grupo entrasse dentro de campo e esquecesse os problemas extra-campo que para poder buscar o resultado. Nós buscamos e eu sempre falo para a direção que precisa colocar as coisas em dia, em ordem, para que o clube possa crescer cada vez mais", avalia o jogador.

No Campeonato Gaúcho do ano passado, o Brasil escapou do rebaixamento por pouco. Naquela altura da temporada, o torcedor tinha em mente que poderia ser um ano difícil. E foi. Com quase três meses de salários atrasados, o grupo rubro-negro correu, se entregou e conquistou o objetivo, como disse Leite. Mas o capitão também espera que o cenário não se repita em 2020.

"Esse ano de 2020 esperamos isso, o grupo espera que as coisas ocorram bem fora de campo também, porque dentro de campo vamos trabalhar muito para que tudo ocorra bem. Sabemos que todos os clubes tem dificuldade, não é só o Brasil. Mas temos que olhar para o clube que nós estamos trabalhando, a camisa que nós estamos vestindo. Esperamos um 2020 de menos dificuldade, principalmente fora de campo para que o grupo possa ficar tranquilo pensando exclusivamente em trabalhar e dar um retorno dentro de campo. Esse é o nosso trabalho", comenta.

Em um mercado cada vez mais dinâmico, é raro um atleta ficar tanto tempo em uma mesma instituição. Em 2020, Leandro Leite completará sua nona temporada com a camisa do Brasil. Em quase uma década, o capitão mostra características também raras no mundo do futebol: a preocupação e o zelo com o clube.

"Eu sempre falo para o grupo, o mais importante é o torcedor do Brasil então temos que fazer de tudo para dar alegria para o torcedor que apoia, que vai nos jogos. Todos os jogos, fora no Campeonato Brasileiro, tem torcedores do Brasil. Esperamos que a direção faça um trabalho bom, transparente para todos nós, para que possamos fazer esse elo com o vestiário. Se você tem um vestiário bom, que tem esse elo com o torcedor, o campo com a arquibancada e a direção do lado, as coisas tem tudo para dar certo", acrescenta.


Pré-temporada curta

O elenco xavante intensifica os treinamentos para a estreia no Campeonato Gaúcho na quinta-feira, às 16h, no estádio Cristo Rei, em São Leopoldo. Inicialmente marcado para amanhã, o jogo foi transferido e, com isso, Gustavo Papa ganhou mais dois dias de preparação. Mesmo com a preocupação natural pelo curto tempo de pré-temporada, Leite destaca o trabalho da comissão técnica e vê com otimismo o início de 2020.

"A preparação tá sendo muito boa. A gente sabe que o tempo não é o ideal. Poucos dias, a gente começou a treinar em janeiro mesmo, mas o grupo está indo bem e comprou a ideia que o Gustavo vem passando juntamente com a comissão que está fazendo um trabalho muito bom, em alto nível. Mesmo o tempo sendo curto estamos procurando trabalhar o máximo possível aquelas situações que vamos usar nos jogos para chegarmos bem na estreia. Sabemos que não vamos estar no nosso ideal que é a parte física, mas vamos chegar de uma maneira suficiente para começarmos a competição bem. Esse é o nosso objetivo", completa.

Para acelerar os processos de entrosamento e identidade com a equipe idealizada por Papa, a tradicional resenha no vestiário é fundamental. Juntamente com outros líderes do elenco, o capitão rubro-negro busca conduzir as muitas caras novas do Brasil.

"Chegaram vários jogadores que querem fazer história no clube. Eles estão comprando a ideia de trabalho do Gustavo, do clube e da cultura que é jogar aqui, principalmente o Campeonato Gaúcho. Eu, juntamente com o Camilo, o Ednei e o Heverton temos procurado passar para quem não jogou. Pra mim é um dos campeonatos mais difíceis de se jogar, é muito curto. Você tem que começar a competição bem e a gente passando passando isso para que eles possam assimilar o mais rápido possível o que é o Brasil, o que é o Campeonato Gaúcho. Eles estão assimilando bem o que vem sendo passado", finaliza.


Conselho Gestor

Conselheiros do Brasil têm conversado sobre mudanças no estatuto do clube e formação de um Conselho Gestor. A ideia é que uma comissão acompanhe e auxilie a administração da direção executiva.

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