Alternativa

Campo de rugby vira CT para atletas do Xavante

Enquanto o futebol profissional não é liberado na cidade, jogadores utilizam espaço público conquistado pelo Antiqua/UFPel

29 de Maio de 2020 - 10h35 Corrigir A + A -

Por: Vinícius Guerreiro
vinicius.guerreiro@diariopopular.com.br

Local é utilizado como campo oficial de treinos do Antiqua/UFPel (Foto: Divulgação - DP)

Local é utilizado como campo oficial de treinos do Antiqua/UFPel (Foto: Divulgação - DP)

Revson tem utilizado o Espaço Rugby Pelotas todas as manhãs (Foto: Divulgação - DP)

Revson tem utilizado o Espaço Rugby Pelotas todas as manhãs (Foto: Divulgação - DP)

Os próprios integrantes do Antiqua realizaram a instalação dos Hs - zona de pontuação do esporte - no terreno da avenida República do Líbano (Foto: Divulgação - DP)

Os próprios integrantes do Antiqua realizaram a instalação dos Hs - zona de pontuação do esporte - no terreno da avenida República do Líbano (Foto: Divulgação - DP)

A crise muitas vezes nos traz lições e uma delas pode ser vista quase diariamente na avenida República do Libano, em Pelotas. Enquanto o futebol profissional segue proibido no município, alguns atletas do Brasil se apropriam de um espaço público idealizado pelo Antiqua/UFPel, equipe de rugby da cidade.

Na manhã desta quinta-feira (28), por exemplo, os jogadores Revson, Bruno Santos, Luiz Felipe e Wesley realizaram as atividades, respeitando as normas de saúde estabelecidas pelo Departamento Médico do clube, de corrida e trabalhos aeróbicos no local. Revson foi o primeiro a realizar os treinos na quinta. Quando o volante terminou as atividades, os outros chegaram, ainda pela manhã. O jogador tem utilizado o terreno diariamente para cumprir as atividades passadas pelo preparador físico Alexandre Souza.

“É um campo de rugby. Temos que nos virar, são os trabalhos que nos são passados pela comissão. Ali é um espaço bom para realizar as atividades de corrida”, afirmou o volante.

O local foi denominado Espaço de Rugby Pelotas e foi conquistado pelo Antiqua/UFPel em 2016. O terreno foi cedido através da, então vice-prefeita, Paula Mascarenhas (PSDB), junto ao hoje deputado estadual Luiz Henrique Viana (PSDB) e à Secretaria Municipal de Educação e Desporto (Smed). Após o sinal verde do Executivo, foram removidos os postes e a caixa de concreto que ocupava o meio do terreno.

“O pessoal costumava treinar mais para o lado do campo de futebol. O campo do lado não estava sendo usado e poderia ser liberado - foi o que me sugeriu o professor Eraldo, da Esef. E foi assim que corri atrás. Não era um espaço do tamanho de campo de jogo, mas era um espaço que iria nos ajudar bastante. Nós treinávamos no Instituto de Menores, ou então na Rodoviária, em meio aos brinquedos”, conta César Rodeghiero, presidente do Antiqua na época.

No final de 2016 os atletas do Antiqua colocaram, literalmente, a mão na massa e na terra. Eles mesmos realizaram o aterramento do campo com quatro cargas de terra sendo adquiridas pelos próprios jogadores de rugby e alguns colaboradores. O clube comprou leivas de grama, adubo e, inclusive, os refletores para que fosse possível treinar à noite.

Além disso, o grupo teve uma iniciativa sustentável. Os Hs, que marcam uma zona de pontuação para os chutes no rugby e que ficam em cada extremidade do campo, foram construídos pelos atletas com os ferros que a Secretaria de Serviços Urbanos e Infraestrutura (SSUI) retirou do campinho.

Periodicamente o Antiqua faz a manutenção do campo. Planta novos lotes de grama, coloca mais adubo e, em 2018, abriu caneletas para drenagem da água. Muitas vezes os atletas cortaram a gama, porém atualmente o corte fica a cargo da prefeitura.

Antes da pandemia da Covid-19, o “Campinho da República”, como é chamado pelos integrantes do Antiqua, recebia atividades durante todos os dias, de diferentes categorias do time de rugby. Desde os treinos programados, na terça, quarta, quinta e sábado, até alguns treinos individuais ou em pequenos grupos por conta própria. Muitas vezes aos domingos eram realizados jogos e eventos.

O local também virou um espaço importante para as famílias que moram perto. Quem passa pela avenida diariamente pode observar crianças jogando bola ou pessoas aproveitando o espaço para sentar ao sol.

Rugby solidário

Não só da luta pelo espaço físico vive o Antiqua. Enquanto a bola oval não gira pelo ar, a equipe tem focado em atividades solidárias. Em um mês do projeto “Jogada Solidária” foram arrecadados meia tonelada de alimentos e diversos itens de higiene. Neste mês de maio, o Antiqua focou na arrecadação de materiais de higiene para serem entregues ao Colégio Pelotense, para ajudar o abrigo montado pela prefeitura para pessoas em vulnerabilidade social.


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