Comentário

Bola Pra Frente

Foi uma época linda, de ouro, de ensaios noturnos, com as baterias e orquestras de Carnaval, da Academia do Samba, do Samba Jovem da RU, do Conjunto Bento Mota Show, dos bailes da vida

24 de Setembro de 2009 - 05h45 Corrigir A + A -

Por: Redação
web@diariopopular.com.br

Morre um campeão
Peço licença aos nossos leitores do esporte para homenagear uma das figuras que marcaram minha vida, um amigo, um parceiro, que mesmo distante da cidade, há mais de 30 anos, nunca nos abandonou, e valorizou muito a cultura e a história daqui. Ele foi do mundo das competições e por muitos anos enfeitou com harmonia e talento as notas musicais especiais, o sonho de centenas de alunos e de “malucos” apaixonados pelas bandas. Foi uma época linda, de ouro, de ensaios noturnos, com as baterias e orquestras de Carnaval, da Academia do Samba, do Samba Jovem da RU, do Conjunto Bento Mota Show, dos bailes da vida. Morreu na madrugada de quarta-feira em Porto Alegre e foi sepultado no Cemitério São Miguel e Almas, o maestro Mota - Manoel Luiz Mota Dias, o conhecido Cafona, do Colégio Gonzaga, na década de 70 e depois por 20 anos no Colégio São João, na capital, da década de 80 até se aposentar.

Difícil terminar
Vou tentar esgotar a mensagem, com as coisas boas deixadas pelo Cafona, como o título de bicampeão brasileiro nos famosos concursos de Bandas e Fanfarras, em São Paulo, na avenida São João, promovidos pela TV Record, onde muitos rondaram a cidade em uma noite, depois de dormir em plena via pública, para buscar o último título nacional, o terceiro, em 1975. Mota deitou com a bateria e com a musicalidade da Academia do Samba, em plena rua 15 de Novembro, em 1977, para tocar o Tema de Lara e depois The presidente, e ganhar um Carnaval inesquecível, na outra “guerra” de emoções com os vermelhos e os azuis da cidade. Assim foi o alucinado e enfeitado maestro Mota, esposo de Deusdisse, filha do saudoso Valmúrio, e pai do Ricardo, da Denise, do Serginho e do Edson, do trombone.

Comentarista e jurado
Em Porto Alegra, Mota levou ideias de Carnaval e um novo conceito. Presidiu por muitos anos o júri no Concurso da Escolas de Samba do Grupo Especial, depois das Tribos e coisas de outro mundo que a capital apresentava. Na RU, com a equipe do Boca do samba, foi comentarista de alguns carnavais. Foi pioneiro com o seu musical no Samba Jovem, com o conjunto Bento Mota Show, quando os estudantes, compositores e gente com bagagem concorriam aos prêmios. Época em que surgiu a dupla Kleiton e Kledir, nos Almôndegas.

Vocais e Onda
Nos últimos anos, já aposentado, Mota curtia a Onda Xavante e o Carnaval dos Vocais, sua maior paixão. Deixava tudo em fevereiro, só para acompanhar e presidir o Carnaval alternativo do Diário Popular, com a nossa proposta de ver as bandas passarem, com harmonia, melodia, musicalidade, organização e critérios. Quando o Chuteca me ligou, as primeiras horas da manhã de ontem, para comunicar a morte do velho amigo, eu lembrei de cara que só poderia ser uma notícia de alguém muito especial que havia partido. E partiu, o Mota da Banda, da música, da história, da cultura e do futebol, o Mota dos Vocais da 15.
 


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados