Zona Sul

Barreiras quebradas na arbitragem

Aos 24 anos, Nadine Madruga se torna a primeira mulher árbitra de futsal em Rio Grande

15 de Setembro de 2021 - 12h03 Corrigir A + A -
Pioneira, Nadine participou da equipe de arbitragem no último dia 5, em torneio (Foto: Arquivo pessoal)

Pioneira, Nadine participou da equipe de arbitragem no último dia 5, em torneio (Foto: Arquivo pessoal)

Uma trajetória que iniciou com dúvidas se desenrolou até acabar em pioneirismo. Em um ambiente historicamente marcado por pouca ou nenhuma representatividade feminina, Nadine Madruga virou a primeira mulher árbitra de futsal na cidade de Rio Grande.

Aos 24 anos, ela marcou presença como uma das árbitras em torneio solidário organizado pela Fairplay Eventos Esportivos no último dia 5. Ainda concluindo o curso de Licenciatura em Educação Física na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Nadine conta que o caminho da arbitragem surgiu como alternativa ao longo do período de graduação.

Por meio da sugestão de um amigo, aspectos como desenvolvimento individual e troca de experiências ajudaram na escolha de ingressar em cursos específicos da área. Uma nova turma de formação de árbitros da Federação Gaúcha de Futsal (FGFS), lançada em 2019 para Pelotas, foi a deixa que faltava.

“Também o que me levou a tomar essa decisão era o desejo de estar em contato com as emoções de um jogo, da adrenalina da competição, da atmosfera de atleta mesmo sem ser atleta. Acredito que a arbitragem possibilite muito isso. Dentro de quadra todos somos uma equipe e a representação do árbitro sempre me chamou atenção. Associando tudo isso, me despertou ainda mais a vontade de iniciar essa formação”, conta Nadine.

Baixa quantidade de mulheres

Salta aos olhos a maioria masculina na arbitragem. E quando se faz um recorte apenas dos profissionais de quadra, essa diferença aumenta. “A maioria das mulheres que estavam em sala de aula conosco já sabia que ia direto para a mesa trabalhar como anotadora ou como cronometrista. Isso começou me despertar curiosidade e algumas inseguranças também’’.

Nenhuma das colegas que se formaram com Nadine no curso da FGFS tiveram a quadra como destino. A natural desmotivação mudou quando Helena Miritz, então única árbitra de quadra na Zona Sul do RS, entrou em sua trajetória para dar o estímulo que faltava. “Tive o prazer de apitar dois jogos femininos com a Helena, em Pelotas. A vivência da quadra com outra mulher faz toda diferença, é incrível o que uma parceria feminina faz e o quanto te deixa segura e confiante’’, diz Nadine.

Ajudar a abrir o caminho para outras mulheres é uma das principais realizações da mais nova árbitra de Rio Grande. “Quando se perguntarem sobre as representações femininas dentro da arbitragem de Futsal, vou ter muito orgulho e gratidão por poder ser citada e talvez ser a motivação que falta na vida de uma pessoa que queira seguir essa carreira. Ocupando esse espaço, talvez eu seja o gatilho para o entendimento de que todas podemos estar em todos os espaços que quisermos”.

Como iniciar na arbitragem?

Para quem deseja iniciar um curso de arbitragem na Zona Sul, a orientação é acompanhar as redes sociais da entidade (@arbitragemgauchadefutsal). Sob comando do renomado árbitro pelotense Sandro Brechane, a organização de cursos na região acontece periodicamente e é informada na página.


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