Futebol

As primeiras ideias

Confira o que os técnicos Hemerson Maria e Ricardo Colbachini buscaram na estreia

28 de Julho de 2020 - 11h02 Corrigir A + A -

Por: Vinícius Guerreiro
vinicius.guerreiro@diariopopular.com.br

4-1-4-1: Goleiro iniciou as jogadas do Brasil (Foto: Reprodução)

4-1-4-1: Goleiro iniciou as jogadas do Brasil (Foto: Reprodução)

4-2-3-1: Pelotas teve saída apoiada por dentro (Foto: Reprodução)

4-2-3-1: Pelotas teve saída apoiada por dentro (Foto: Reprodução)

Passe: Volantes revezam o posicionamento (Foto: Reprodução)

Passe: Volantes revezam o posicionamento (Foto: Reprodução)

Novidade: Jacone atacava o espaço na direita (Foto: Reprodução)

Novidade: Jacone atacava o espaço na direita (Foto: Reprodução)

4-4-2: Brasil teve linhas compactas sem a bola (Foto: Reprodução)

4-4-2: Brasil teve linhas compactas sem a bola (Foto: Reprodução)

4-4-2: Pelotas apresentou boa pressão na bola (Foto: Reprodução)

4-4-2: Pelotas apresentou boa pressão na bola (Foto: Reprodução)

Não é possível fazer julgamento após o primeiro jogo, muito menos com o tempo limitado de treinamento depois de quatro meses parados. Porém, Brasil e Pelotas, apesar da derrota para a dupla Ca-Ju, apresentaram padrões bem claros e algumas ideias já esperadas dos seus novos treinadores.

Enquanto todos aguardam a definição do clássico Bra-Pel, onde Hemerson Maria e Ricardo Colbachini colocarão frente a frente seus modelos de jogo, o Diário Popular destaca as principais movimentações das equipes diante de Juventude e Caxias.

Brasil

Logo na primeira vez que o Brasil pegou a bola o torcedor viu uma cena que significa uma ruptura grande de cultura. O goleiro Mateus Nogueira na intermediária, com Lázaro e Heverton alinhados, busca o lançamento em diagonal para Mateus Mendes bem aberto junto à linha lateral. Essa saída com o goleiro foi um dos padrões apresentados pelo técnico Hemerson Maria. Nitidamente, Nogueira não está acostumado a jogar desta forma, mas mesmo cometendo alguns erros de passes seguiu buscando iniciar a construção do Brasil. O mais significativo aqui é a postura do goleiro xavante. Acreditar na ideia de jogo do treinador será fundamental para os atletas construírem um caminho que leve às vitórias.

Outra ruptura importante foi na maneira de marcar. Tradicionalmente o Xavante marca de um jeito quase individual. Os defensores encaixam no adversário e o perseguem até que ele saia da jogada, muitas vezes fazendo isso em uma distância longa. Não há maneira certa ou errada de marcar. Hemerson Maria tem outro estilo, um modelo mais posicionado, buscando manter as linhas desenhadas, e com os encaixes bem curtos. O Brasil se posicionou no 4-4-2 e assim conseguiu manter o Juventude longe do gol na maioria da partida.

A principal surpresa do treinador do Xavante foi escolher Jacone como titular. Ao fim do jogo, Maria explicou que gosta de um jogador área a área pelo lado direito. A jovem revelação do Brasil tinha uma papel muito claro - e foi assim que quase abriu o placar da partida -, que era atacar os espaços deixado por Gegê quando o meia sai para organizar a equipe. O lado direito do Xavante era mais vertical. Maicon buscava esse passe para frente, acreditando em Jacone atacando por ali e Gegê saía da direita para dentro.

Já no lado esquerdo, a característica mudava. Por lá o Brasil tentou um jogo mais apoiado. Revson, por ser canhoto, talvez tenha mais facilidade de encostar-se ao lado esquerdo. Aproximava de Mendes e Simião de Poveda, formando pequenos triângulos. A ideia ao sair por este lado era acelerar a bola e jogar no famoso “um dois” (tocou, passou). Poveda também tinha a função de atacar a linha de defesa por dentro quando a bola estava no lado direito.

Pelotas

Em termos de escalação, não se sabia o que esperar do técnico Ricardo Colbachini. O Pelotas montou um time praticamente novo e. mesmo assim. conseguiu estabelecer padrões bem claros já na estreia contra o Caxias no Centenário.

A partir do 4-2-3-1, a saída de bola apoiada e tendo amplitude máxima ficou bem desenhada. O Pelotas saía com Felipe Chaves e Santana por dentro da linha de defesa, abria Wendel junto à linha lateral esquerda e Fábio Alemão jogava mais por dentro. À frente ficava um volante buscando dar linha de passe, geralmente Moisés, aos dois zagueiros, e o outro, Vinícius Garcia, buscando jogar entre as linhas do adversário.

A linha ofensiva tinha Hugo pelo lado esquerdo, caindo por dentro, Daniel Costa encostando em Alex Henrique e Ariel dando amplitude pelo lado direito. Outra variação era quando Fábio Alemão saía pelo corredor e Ariel vinha para dentro, se aproximar de Daniel e Alex. Hugo também tinha liberdade para circular e Vinícius Garcia encostava junto aos homens de frente.

A função de Moisés era ditar o ritmo e fazer a bola girar. A falta de laterais de ofício, Helder fora da partida e Marcelo, que entrou depois, aquém fisicamente, fizeram o Lobo perder força pelo lado na hora de atacar.

No momento defensivo, o principal destaque do Pelotas era a busca pela retomada da bola logo que a equipe perdia a posse. Vinícius Garcia se destacou nesse quesito com boa pressão ao adversário. O Lobo marcou em bloco médio, no 4-4-2, com encaixes bem curtos e as linhas bem próximas.

Tempo

Tanto as ideias de Hemerson Maria, quanto as de Ricardo Colbachini estiveram presentes. A melhor execução só virá com o tempo de treinamento e a sequência de jogos. No Xavante o tempo será mais curto. Em agosto o Brasil arranca na Série B tendo partidas duas vezes por semana devido ao calendário apertado. Já para o Áureo-cerúleo, a Série D inicia apenas em setembro e Colbachini terá tempo suficiente para melhorar o tempo das relações dentro de campo.


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