Contas a pagar

Total de famílias gaúchas endividadas chega a 96,5%

Este resultado foi novo recorde para a série histórica, iniciada em janeiro de 2010

05 de Maio de 2022 - 12h14 Corrigir A + A -

Por: Maria da Graça Marques
graca@diariopopular.com.br 

O Percentual de Famílias com Contas em Atraso se elevou para 37,5%, (Foto: Divulgação - DP)

O Percentual de Famílias com Contas em Atraso se elevou para 37,5%, (Foto: Divulgação - DP)

A Federação do Comércio de Bens e Serviços (Fecomércio) do estado divulgou nesta quarta-feira (4) a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência dos Consumidores Gaúchos (Peic) de abril. Os dados mostram que o percentual de famílias endividadas no Rio Grande do Sul corresponde a 96,5% do total. Este resultado foi novo recorde para a série histórica, iniciada em janeiro de 2010.

“É muito importante não confundirmos endividamento com inadimplência. Endividada é toda e qualquer pessoa que faz uso de crédito. Com a popularização dos cartões de crédito e a possibilidade de parcelar sem juros no cartão, temos um convite ao endividamento, especialmente em um cenário inflacionado como temos atualmente”, comenta o presidente da Fecomércio gaúcha, Luiz Carlos Bohn.

O Percentual de Famílias Endividadas pode ser decomposto entre aquelas com renda mensal de até dez salários mínimos ou de mais de dez mínimos. A análise desses grupos demonstra percentual de 97,2% para as famílias de até dez mínimos e de 93,5% para aquelas de maior renda. Quando se compara com abril de 2021, o crescimento de endividados fica mais evidente: para famílias de até dez mínimos era de 74,5% e para as famílias de renda maior era de 67,9%.

O percentual de famílias que se consideram “muito endividadas” também teve alta. De abril do ano passado para o deste ano, o percentual passou de 11,1% para 23,5%, o que evidencia a importância do uso do crédito em um contexto em que as famílias têm dificuldades de financiar o consumo com a renda corrente.

O Percentual de Famílias com Contas em Atraso se elevou para 37,5%, já que no mesmo período do ano passado era de 20,9%. A análise por grupos de renda evidencia que a piora tem ocorrido nas famílias que recebem até dez mínimos. Nesse grupo, o salto interanual foi de 23,3% para 44,8%. Nessa mesma comparação, para as famílias de maior renda, houve redução, tendo o percentual caído de 11,9% em abril de 2021 para 8,3% em abril deste ano.

Ainda nas contas em atraso, o tempo médio para o pagamento apresentou redução no período. Em abril de 2021, a média era de 50,2 dias e passou para 39,6 dias nesta última edição. “A redução no tempo de pagamento com atraso revela que os indivíduos têm se esforçado para resolver a questão da inadimplência. Isso também é visível no percentual de famílias que não terão condições de quitar suas dívidas dentro dos próximos 30 dias”, completou Bohn, explicando que nesta edição da PEIC apenas 2,4% das famílias afirmaram que não teriam condições de pagar nenhuma das suas dívidas em atraso nos próximos 30 dias.


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