Prejuízo

Rede hoteleira sente reflexos da pandemia

Estabelecimentos têm operado com cerca de 80% de perdas e alguns locais não descartam encerrar atividades

29 de Julho de 2020 - 08h50 Corrigir A + A -
Sem aulas e sem eventos na cidade, ocupação é mínima (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Sem aulas e sem eventos na cidade, ocupação é mínima (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Proprietários estabeleceram rígidos processos de higienização (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Proprietários estabeleceram rígidos processos de higienização (Foto: Carlos Queiroz - DP)

A pandemia forçou as pessoas a ficarem em casa como uma forma de prevenção à Covid-19. Os impactos do isolamento foram duramente sentidos pela rede hoteleira da cidade. Os estabelecimentos ficaram com as receitas comprometidas e têm operado com perdas significativas. Enquanto algumas instituições atuam com reduções, há quem não descarte o encerramento das atividades.

O avanço do novo coronavírus trouxe inúmeros impactos à sociedade. Entre eles, o regime de aulas on-line nas instituições de ensino e o adiamento de eventos que fomentam o turismo na cidade, como a Fenadoce. O contexto acabou por reduzir a ocupação nos hotéis, que passaram a operar com perdas de 80% das hospedagens. A questão das bandeiras de distanciamento controlado também contribuiu para as quedas. “As bandeiras de Pelotas influenciam, mas temos uma preocupação maior com as cidades emissoras. Sentimos mais os decretos de outras cidades do que o de Pelotas. Quando liberou Porto Alegre, tivemos um certo alívio, mas registramos quedas todos os meses”, destaca o diretor do hotel Curi Executive e vice-presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Pelotas (SHRBS), Marcelo Curi Hallal.

Como estratégias para a crise, o hotel passou a buscar hóspedes que trabalhavam em home-office e ofereceu mensalidades a quem desejasse passar um tempo no estabelecimento. O Curi ainda fez gestão de contratos, realizando modelagens com os fornecedores, cortes de funcionários, mudanças nos serviços oferecidos, como o café da manhã, que passou a ser servido no quarto. “O principal problema é o deslocamento. Por mais que a gente se reinvente, os ônibus estão mais restritos, com menos horários. É difícil convencer as pessoas a viajar quando é uma questão de prevenção ficar em casa. A gente percebe que só tem chegado à cidade quem realmente precisa”, explica Marcelo. Também foram realizados investimentos em protocolos de prevenção para os funcionários e hóspedes.

Quem também tem atuado em regime parecido é a rede de hotéis Jacques George. Com duas unidades no município, uma parceria com a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e com a prefeitura foi desenvolvida para a hospedagem dos profissionais de saúde durante a pandemia. No hotel situado na rua Gonçalves Chaves, 512, a estrutura está sendo utilizada para quem atua na linha de frente contra a Covid-19. “Desde o dia 27 de março, estamos com o hotel disponibilizado para os funcionários do Hospital-Escola, para que tenham mais segurança enquanto estiverem em sua escala de folga. Essa parceria segue por tempo indeterminado, até que a situação melhore”, conta a proprietária, Jaqueline Hallal.

Entre as estratégias de prevenção ao coronavírus, o hotel investiu na compra de álcool em gel e tornou obrigatório o uso de máscaras. Também realiza constantemente a higienização dos locais onde hóspedes e funcionários circulam. “Após a desinfecção de um quarto, ele só é locado depois de 72 horas. Os quartos ficam desocupados antes do ingresso de um novo hóspede. Também organizamos o check-in e o check-out para que haja o distanciamento social de quem chega”, afirma Jaqueline.

A instituição também sofre com os impactos da pandemia. Os contratos de alguns funcionários foram suspensos junto ao governo federal e algumas remodelações de contrato foram realizadas, mas nada que comprometesse a manutenção e os serviços do estabelecimento. “O turismo e a hotelaria foram os primeiros setores a parar e serão os últimos a retornar. A situação é bem crítica. Teve mês que não tivemos nenhuma reserva e as que possuímos agora não cobrem os gastos na manutenção do hotel”, revela.

Situação ainda mais crítica

O Hotel e Pousada do Estudante, situado na rua 15 de Novembro, 311, enfrenta uma situação delicada. Com os alunos em atividades on-line, as reservas caíram drasticamente. “A situação está terrível. Zero reservas. Trabalhamos com as chegadas de hóspedes e a falta deles tem trazido reflexos muito ruins. Suspendemos os contratos dos funcionários e estamos sobrevivendo com o fluxo de caixa do hotel que já tínhamos”, explica a dona do estabelecimento, Rochele Westphal. A situação é grave e não está descartada a possibilidade do encerramento das atividades. “Estamos vivendo um quadro caótico. Teremos que fechar em breve se não houver melhora dessa situação. Os contratos com os fornecedores já foram comprometidos, não tem como manter. A situação é bem preocupante”, lamenta Rochele.


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