Coronavírus

Prejuízos econômicos já começam a aparecer

Motoristas de aplicativos, taxistas e mototaxistas perderam clientes por conta da Covid-19

23 de Março de 2020 - 08h03 Corrigir A + A -
Os condutores perderam boa parte dos clientes, que estão em casa, seguindo as recomendações do Ministério da Saúde (Foto: Jô Folha - DP)

Os condutores perderam boa parte dos clientes, que estão em casa, seguindo as recomendações do Ministério da Saúde (Foto: Jô Folha - DP)

No centro de Pelotas, a diminuição da circulação de pessoas nos últimos dias é nítida e necessária. O Shopping Pelotas, por exemplo, fechou as portas na última quinta-feira. Um número menor de pessoas que está circulando nas ruas é sinônimo de um número menor de viagens com taxistas, mototaxistas e carros particulares do transporte via aplicativo. Os condutores perderam boa parte dos clientes, que estão em casa, seguindo as recomendações do Ministério da Saúde para evitar a contaminação do Covid-19.

Rafael Müller trabalha para a Uber há dez meses e, no carro dele, o número diário de corridas mais que despencou: de 40, foi para menos de dez. O lucro também tem diminuído, antes as viagens rendiam cerca de R$ 250,00 ao dia, valor que na sexta-feira chegava a R$ 50,00 além dos gastos com gasolina. "Não temos mais lucro", lamentou. A multinacional também enviou aos motoristas uma série de recomendações, caso sigam trabalhando, como colocar álcool gel à disposição dos passageiros e álcool no carro para higienização, além de manter os vidros abaixados para ventilar o interior do veículo.

O motorista lembra que muitos colegas de profissão já deixam o volante de lado, tanto para evitar o contágio como para ficar com as famílias. As primeiras duas semanas de março foram boas, ele lembra. Com o retorno das aulas da rede privada de educação, da Universidade Federal de Pelotas e Universidade Católica de Pelotas, o movimento mais que cresceu em comparação ao período de férias de verão. "Não deu nem uma semana de movimento e despencou".

Hilton Paiva trabalhava como mototaxista e, depois da queda do movimento no ramo de duas rodas, passou a integrar a equipe Uber. A média de 30 viagens ao dia baixou para seis, após os casos confirmados de Covid-19 no Brasil. "Baixou muito nos últimos três dias. O que eu faturar no dia, coloco na mesa de noite, está sem condições seguir assim", explicou. Algumas das poucas viagens são de clientes já conhecidos, um retrato da diminuição de pedidos via app.

Presidente do Sindicato dos Taxistas e Transportadores Autônomos de Passageiros de Pelotas (Sindi Táxi), Leonardo Nunes, também está preocupado com a situação. Ele, por exemplo, corria cerca de 50 quilômetros ao dia. Agora, com a diminuição do movimento, são quase 22 quilômetros ao dia. A variação é de ponto em ponto, assim como a preocupação dos motoristas com as precauções.

Na Estação Rodoviária de Pelotas (Eterpel), o movimento de entrada nos veículos, seja táxi ou carros particulares de aplicativo de transporte, baixou consideravelmente. Por lá, assim como em todo Rio Grande do Sul, o fluxo das viagens intermunicipais baixou para 50%, com limitações de horários e passageiros. A Federação dos Taxistas Transportadores Autônomos de Passageiros do Rio Grande do Sul encaminhou uma solicitação de abertura de linha de crédito no Banrisul. A decisão se deu após o governador do Estado, Eduardo Leite, publicar o decreto de calamidade pública, com uma série de determinações.

Mototaxistas na pior
A situação entre os mototáxis não era das melhores antes mesmo do surgimento dos primeiros casos de Covid-19. "O problema nem foi o vírus. É só outra coisa que afetou o que já estava falido", contou Emerson Oliveira, condutor há cerca de 13 anos. O número de corridas, ele conta, diminuiu drasticamente depois do aparecimento de empresas de aplicativo em Pelotas. Antes, eram mais de 20 viagens ao dia, que baixaram para quase cinco e, com a chegada do coronavírus, os motoristas estão parados no ponto.

As contas, no entanto, não param de chegar. Geovane Vilagra também é mototaxista e conta da dificuldade que passa para pagar as contas no final do mês, tanto de água, quanto luz, internet e pensão alimentícia. Em um grupo de WhatsApp com outros motoristas de Pelotas, Rio Grande, São José do Norte, Alegrete e Dom Pedrito, eles trocam informações e dicas de prevenção e combate a doença. "Precisamos manter a calma e seguir as recomendações. Lavar as mãos a cada cinco minutos, não de dez em dez ou mais", frisou.


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