Tributos

Preço de compra da carne baixa para frigorífico, mas não chega ao consumidor

Valor da arroba do boi tem diminuído por conta da procura no atacado

24 de Fevereiro de 2020 - 10h47 Corrigir A + A -
Estabilidade. Custo não deve voltar ao que era, mas não será mais tão alto. (Foto: Jô Folha - DP)

Estabilidade. Custo não deve voltar ao que era, mas não será mais tão alto. (Foto: Jô Folha - DP)

“O pessoal sai de férias e logo em seguida já começa o Carnaval. É normal” Paulo Moreira - proprietário de açougue (Foto: Jô Folha - DP)

“O pessoal sai de férias e logo em seguida já começa o Carnaval. É normal” Paulo Moreira - proprietário de açougue (Foto: Jô Folha - DP)

Por Júlia Müller - julia.muller@diariopopular.com.br
(Estagiária sob supervisão de Débora Borba) 

O preço de venda da carne bovina baixou do produtor ao frigorífico e, consequentemente, para o comprador - os donos de açougues. Para o consumidor, no entanto, os valores seguem semelhantes aos do último ano, momento em que, na prateleira do supermercado, o preço disparou em mais de 12%. Em novembro, era visto um aumento de 30% no orçamento do consumidor. Agora, o preço baixou por conta da falta de demanda no setor varejista, além da seca instalada no Rio Grande do Sul.

Desde o final do último ano, a estiagem atinge em cheio o Estado. De acordo com a Defesa Civil, 113 dos 497 municípios gaúchos relataram algum tipo de prejuízo devido à falta de chuva. Proprietário de um frigorífico que atende mais de 70 estabelecimentos em Pelotas, Pablo Rodrigues explica que a compra do gado precisou ser feita diretamente de outras regiões do país, por conta da situação da carne bovina para abate vendida no RS. “O boi está mais magro, acaba que comprando dos outros estados, forçamos uma baixa nos preços. É oferta e demanda”, afirma.

Em outras regiões do país, a arroba do boi apresenta constante baixa nos preços, principalmente por conta da diminuição da compra do consumidor nos supermercados. Assim, comprando o gado para abate mais barato, o frigorífico repassa a baixa de valores. Quanto à venda para os proprietários de açougue, Rodrigues contabiliza que a queda possa chegar a 15% para o comprador, em todos os cortes de carne.

Os preços vistos antes do último mês de novembro - quando os cortes dianteiros de gado, por exemplo, subiram em 30% - não devem mais ser vistos. O proprietário acredita que, por enquanto, a situação deve se manter estável. “Não vamos mais ver os preços de antes, mas também não serão tão altos”, esclarece.

Procura nos açougues em baixa
Proprietário de um estabelecimento na rua Dom Pedro II, José Eduardo Cassano afirma que, por lá, os preços na carne para o consumidor passaram por uma pequena baixa, mas não muito significativa. No entanto, o frigorífico que vende a carne para o açougue ainda não repassou um valor menor. Com isso, a situação se torna difícil. Funcionários e a carga horária do local diminuíram. “Nós resolvemos diminuir o nosso lucro para conseguir nos manter”, conta.

A queda nos clientes também é vista em um açougue na esquina das ruas Santa Cruz e Tiradentes. Para o dono do local, Paulo Moreira, a diferença no movimento é normal para a época do ano. “O pessoal sai de férias, daí logo tem Carnaval. É normal”, ressalta.

Preço praticado nos principais cortes de carne em Pelotas

Costela             Bife pronto         Filé mignon                 Carne moída
R$ 27,00          R$ 32,00             R$ 40,00                      R$ 31,00

 


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