Economia

Pelotas contrata mais do que demite

Pelo segundo mês consecutivo, dados do Caged apontam recuperação da atividade econômica na cidade

12 de Outubro de 2020 - 07h31 Corrigir A + A -
O comércio e a prestação de serviços somaram mais de 70% das admissões realizadas em agosto (Foto: Carlos Queiroz - DP)

O comércio e a prestação de serviços somaram mais de 70% das admissões realizadas em agosto (Foto: Carlos Queiroz - DP)

O último Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgou os índices de empregabilidade no país referente ao mês de agosto e o consolidado durante o ano. As informações apontam a recuperação da atividade da econômica em Pelotas, com um aumento no número de admissões e do saldo comparativo em relação aos desligamentos. Em nível nacional, o país gerou quase 250 mil empregos, o melhor índice dos últimos dez anos.

Segundo o levantamento, no mês de agosto, Pelotas realizou 1.312 admissões, frente a 1.062 desligamentos, um saldo positivo de 250 postos de trabalho. No mês de julho, quando a geração de empregos apresentou resultado positivo pela primeira vez desde fevereiro, o saldo estava em 89. "É uma crescente maior que a do mês anterior e acompanha a evolução da economia. Estão sendo gerados mais empregos, o que reflete a atividade econômica em um patamar melhor que o que estávamos", analisa o economista Ezequiel Megiatto. O estoque de trabalhadores na cidade alcançou a marca de 58.435, que representa o quantitativo de profissionais que exercem suas atividades por meio de empregos formais.

Em Pelotas, os setores que mais representaram este crescimento no número de contratações foram de comércio e serviços, que juntos totalizaram mais de 70% das admissões em agosto. "O contexto da crise atingiu de forma diferente o setor de comércio e serviços. Uns sofreram mais que outros e alguns não foram tão atingidos. Com a volta da economia, conforme a abertura econômica vai se concretizando, esta estabilidade vai sendo alcançada novamente. Lentamente, a dinâmica pré-pandemia vai sendo retomada e os empregos que foram perdidos começam a ser recuperados", explica Megiatto.

Este cenário positivo, que traz sinais de melhora na economia municipal, é um alívio em relação ao primeiro semestre de 2020. Nos primeiros seis meses do ano, Pelotas apresentou saldo negativo de três mil postos de trabalho. Os setores realizaram 10.343 contratações e 13.343 demissões durante este período. Com exceção de fevereiro, todos os meses apresentaram um saldo negativo. A situação mais preocupante aconteceu em abril, que teve o pior saldo do ano. No mês que marcou a intensificação da política de isolamento social, foram realizadas 899 contratações e 2.345 demissões, com um saldo negativo de 1.446 entre os dois índices. "Os setores que mais empregam os pelotenses são os de comércio e serviço. São os mais dinâmicos da nossa economia e que possuem mais movimentação. Eles sempre vão conduzir estes números de admissões e demissões e, com a sua recuperação, vão trazer novos postos de trabalho", afirma o economista.

A realidade de Pelotas também reflete o cenário gaúcho. O Rio Grande do Sul atingiu a marca de 2.424.299 pessoas em empregos formais e realizou 72.244 admissões neste mês. Os desligamentos totalizaram um quantitativo de 65.016, gerando saldo positivo de 7.228 empregos.

Rio Grande

A situação também melhorou em Rio Grande. Embora com uma taxa de crescimento menor que Pelotas, os rio-grandinos estão recuperando a movimentação econômica desde junho. Em agosto, a Noiva do Mar teve saldo de 158 postos de trabalho contra 113 no mês anterior. Ocorreram 911 admissões e 753 demissões neste período. Um crescimento mínimo em um município que possui saldo ainda menor que Pelotas. Os índices rio-grandinos estão negativos, mas estáveis em 1.009 postos de trabalho.

País bate recorde

O Brasil teve o melhor saldo de geração de empregos nos últimos dez anos, se aproximando da marca de 250 mil empregos gerados. No começo do ano, os economistas apontaram que o PIB poderia ter uma queda de até 12%. Entretanto, com novas avaliações, os números têm apontado uma queda menos expressiva. "A diminuição que era de 12% passou para 10% e já caiu pela metade. Agora, já há perspectivas que o PIB possa cair em torno de 2,9%. A recuperação econômica foi um pouco mais rápida do que esperávamos. Superou a nossa expectativa, a tendência é que demorasse um pouco mais para voltar a gerar empregos", aponta Ezequiel.

A perspectiva para os meses finais do ano é de uma crescente. Os números que têm evoluído desde a virada no segundo semestre devem seguir positivos, reativando as economias dos municípios brasileiros. "A partir do mês de setembro, a dinâmica econômica muda por uma série de fatores como 13º e férias. O segundo semestre deste ano deve apresentar resultados melhores que o primeiro. Talvez possamos terminar o ano com um retrospecto bastante positivo, mas a perspectiva é de equilíbrio. A expectativa é de que o país tivesse 1 milhão a mais de desempregados em função da pandemia. Os estudos já reduziram para 800 mil e deve seguir caindo", diz o economista.

Índices referentes a agosto

Cidade/estado Admissões Desligamentos Saldo

Pelotas 1.312 1.062 250

Rio Grande 911 753 158

Rio Grande do Sul 72.244 65.016 7.228

Estoque no mês de agosto (trabalhadores em emprego formal)

Cidade Índice

Pelotas 58.435

Rio Grande 35.892

Rio Grande do Sul 2.424.299


Índices referentes ao ano

Cidade/estado Admissões Desligamentos Saldo

Pelotas 11.655 14.405 -2.750

Rio Grande 7.381 8.390 -1.009

Rio Grande do Sul 587.184 675.766 -88.582


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