Alimento

Padarias inovam e mantêm preços do pão tradicional

O pão francês representa mais 70% das vendas, com preços do quilo entre R$ 9,00 e R$ 14,00, no máximo

16 de Outubro de 2020 - 09h52 Corrigir A + A -

Por: Maria da Graça Marques
graca@diariopopular.com.br 

Alternativas. Para compensar, foram criados produtos especiais
aos clientes (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Alternativas. Para compensar, foram criados produtos especiais aos clientes (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Cacetinho. No pão francês, apesar dos custos maiores, os panificadores não fizeram reajustes (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Cacetinho. No pão francês, apesar dos custos maiores, os panificadores não fizeram reajustes (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Os panificadores não têm repassado as elevações de custos da produção, garante o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Panificação de Pelotas (Sindippel), Jorge Almeida da Silva. Há dois anos, o tradicional pão francês não tem seu preço reajustado, conta o industrial, que avalia, no Dia Mundial do Pão, como o segmento está enfrentando os reflexos econômicos da Covid-19.

O pão francês representa mais 70% das vendas, com preços do quilo entre R$ 9,00 e R$ 14,00, no máximo. Nos bairros também o produto que é adquirido congelado para ser finalizado em pequenos estabelecimentos pode custar menos, explica. Nas padarias de portes médio ou grande, a produção do pão francês é toda artesanal. “Fazemos o pão todo dia”, lembra, o que justifica a preferência pelo produto.

Sobre a queda nas vendas, elas estão estáveis, de um modo geral. Caiu um pouco a procura pelos lanches que as padarias tradicionalmente comercializam, principalmente para levar à escola. No entanto, esses produtos foram substituídos por aqueles para consumo em casa, como as pizzas. “A venda dessas aumentou”.

E essa foi a saída para os panificadores, que precisaram criar novos produtos, que compensassem os custos mais elevados da produção. São os pães especiais, que atendem a uma fatia do mercado, exemplifica Almeida. “São pães diferenciados para consumidores ávidos por novidades”, diz, citando os integrais e de fermentação natural e para clientes com restrições a ingredientes, como o glúten.

Outra realidade que exigiu adaptação nas padarias foi o aumento das tele-entregas, que conquistaram 10% dos clientes no período de maior isolamento no combate à Covid-19, que trouxe poucas demissões ao segmento, já que são profissionais especializados, como os padeiros.

Além dos custos elevados da produção, causados principalmente pela desvalorização do real frente ao dólar nos preços da farinha e do óleo, e da tarifa de energia elétrica, outro problema que preocupa os panificadores é o do transporte para os funcionários, ainda com horários restritos em razão da pandemia.


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