Gastos

Os preços estão abusivos ou não?

Procon de Pelotas vai a supermercados para avaliar índice de aumento em produtos essenciais

10 de Setembro de 2020 - 13h05 Corrigir A + A -

Por: Maria da Graça Marques
graca@diariopopular.com.br 

Os consumidores se queixam dos preços, que muitas vezes refletem produção e abastecimento (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Os consumidores se queixam dos preços, que muitas vezes refletem produção e abastecimento (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Nas prateleiras dos supermercasos, os consumidores ficam surpresos e reclamam - fato generalizado em todo o país, como pode ser visto diariamente através dos noticiários. A maioria dos clientes considera que os aumentos são abusivos, principalmente em produtos essenciais às famílias brasileiras, como feijão, arroz, leite e óleo de soja.

De olho no comportamento dos consumidores e com base técnica na pesquisa mensal de preços do cesto básico e da ração essencial, o Procon de Pelotas foi conferir de perto a situação, solicitando às diferentes redes de supermercados as notas de compras de fornecedores, que mostrem se houve este índice de aumento repassado pelo varejo, ou não.

Nesta quarta-feira (9), o coordenador executivo do Procon de Pelotas, Nélson Soares, explicou que o prazo dado às redes com lojas na cidade para a apresentação dessas notas ainda não acabou e que difere de uma para outra. Mas de antemão, explica que é muito diferente ter preços altos e preços abusivos, o que nem sempre é de conhecimento dos consumidores.

Os preços altos nem sempre significam que eles são abusivos. Quando apenas altos, são resultado de uma cadeia que inclui a produção e o fornecimento, influênciado também pelo mercado, tanto interno como externo - no caso do grãos. São abusivos nas prateleiras quando reajustados com margens de lucros muito acima dos praticados a partir das compras feitas junto aos fornecedores.

Soares conta que, para explicar questões como essa, está pré-convidado para comparecer na Câmara de Vereadores nos próximos dias. “É um convite muito pertinente”, avalia. Quando da pesquisa de preços para a variação dos custos do cesto básico de 51 produtos, verificou “in loco” que os preços caros, apontados pelos clientes, estavam justificados pelas notas fiscais emitidas pelos fornecedores. “O que se levantou é que foram repasses de preços”.

Pesquisar e substituir

A primeira medida a ser adotada pelo consumidor é pesquisar os preços em busca dos mais em conta. A segunda é substituir alimentos com valores nutricionais semelhantes, mas vendidos por custos menores.

Na quarta, Manoel Savedra, gerente regional de uma rede de supermercados com filiais em Pelotas, confirmou o cenário atual de aumentos. O frango, alternativa mais barata entre as carne no mercado, teve novo reajuste nesta semana. “Com estoque, decidi não comprar e manter o preço no final de semana”, diz. Na de porco, em dois meses, o aumento chegou a 50%.


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