Análise

O que esperar do dólar alto e da taxa Selic mais baixa?

Agente de investimentos Luiz Augusto Gioielli avalia o mercado e aponta algumas alternativas

11 de Fevereiro de 2020 - 14h44 Corrigir A + A -

Por: Maria da Graça Marques
graca@diariopopular.com.br 

Para Gioielli, o dólar deve chegar a R$ 5,00 até o fim do ano (Foto: Jô Folha - DP)

Para Gioielli, o dólar deve chegar a R$ 5,00 até o fim do ano (Foto: Jô Folha - DP)

À espera das reformas tributária e para o funcionalismo público, o Brasil começa a sofrer os impactos do alta dólar, que bateu novo recorde na cotação no mercado brasileiro na sexta-feira, ficando nesta segunda-feira (10) em R$ 4,321 no comercial, e da queda taxa Selic para o patamar de 4,25% ao ano.

Segundo o sócio da Liberta e agente da XP Investimentos, o administrador de empresas Luiz Augusto Gioielli, a alta cambial deve continuar, chegando o dólar a valer R$ 5,00 até o final deste ano. O fortalecimento da moeda norte-americana vem afetando a economia mundial como um todo, explica.

Ao contrário do dólar baixo, que gerou muita importação no Brasil, o momento é propício para a valorização da indústria nacional, diz Gioielli. No entanto, a cotação alta do dólar dificulta novos investimentos, pelo custo mais elevado que traz à produção - quando existem 11 milhões de desempregados no país.

“É preciso aquecer a economia, para absorver essa mão de obra”, lembra a agente da XP, a partir de análises do mercado. Sobre a queda nos juros, Gioielli explica que ela leva nove meses para se consolidar. Para as empresas, juros baixos ainda não estão disponíveis; para as pessoas físicas, também é preciso esperar”, alerta.

“A gente está vendo uma retomada da economia, porque o governo está se retirando. É o melhor de tudo”, diz, otimista. “O Congresso é que podia ser mais ágil”, alerta, no entanto, citando as votações que são necessárias na Câmara Federal e no Senado. 

Sobre a destinação direta de recursos a estados e municípios, avalia que será fator importante para o andamento da economia. “Um pacto no primeiro semestre vai ser um empurrão”, completa Gioielli, falando agora sobre as exportações, que não nos colocam em patamar elevado no mercado mundial. “Somos 1%”, quantifica.

E sobre os investimentos?

As grandes oportunidades estão em fundos e nas ações, com a volta dos estrangeiros à Bolsa de Valores. A XP fala em 240 pontos até o final de 2021, conta. As commodities de grãos, carnes, petróleo e etanol serão beneficiadas pela demanda mundial.

Fundos imobiliários são excelente opção de aplicação - capazes de sobreviver às crises, avalia.

Fundos multimercados também podem ser selecionados na hora de escolher como investir.

Para as ações, o momento de compra é o de queda, explica.

Renda fixa e Títulos do Tesouro estão rendendo abaixo da inflação. Os pré-fixados são a exceção, mas exigem cuidado, alerta.

Sobre o dólar, Gioielli diz que não considera investimento. A compra deve ter um objetivo, como uma viagem, e deve ser pensado em prazo maior, como a valorização em um ano.

O ouro também deve ser visto como investimento de longo prazo.


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