Contas

O desafio de entrar o novo ano com as finanças em dia

Especialistas em educação financeira vêm trabalhando fortemente na orientação das famílias, para que enfrentem este período marcado principalmente pela escassez de renda

07 de Janeiro de 2022 - 11h15 Corrigir A + A -

Por: Maria da Graça Marques
graca@diariopopular.com.br 

Mensais. Contas de consumo devem ser consideradas em primeiro plano na hora de contabilizar o orçamento. (Foto: Leandro Lopes)

Mensais. Contas de consumo devem ser consideradas em primeiro plano na hora de contabilizar o orçamento. (Foto: Leandro Lopes)

Alerta. O pagamento mínimo da fatura do cartão de crédito, sucessivamente, resultará em um valor impossível de ser quitado. (Foto: Marcello Casal - Agência Brasil)

Alerta. O pagamento mínimo da fatura do cartão de crédito, sucessivamente, resultará em um valor impossível de ser quitado. (Foto: Marcello Casal - Agência Brasil)

Renda. Com menos recursos, os consumidores precisam estar mais 
atentos aos seus gastos. (Foto: Carlos Queiroz)

Renda. Com menos recursos, os consumidores precisam estar mais atentos aos seus gastos. (Foto: Carlos Queiroz)

Não é fácil, com certeza, aceitar o desafio de colocar em dia as finanças pessoais em meio aos efeitos econômicos que a crise da Covid-19 trouxe para a maioria das famílias brasileiras. Em anos anteriores, seria fácil indicar a busca de uma planilha (informatizada ou não) para utilizar, anotando todas as entradas de recursos, como os salários e as rendas extras, e também todos os gastos, incluindo as despesas fixas, como as contas de consumo de luz, água e telefone, entre outras, e aquelas do cotidiano, como a compra diária de alimentos.

Especialistas em educação financeira vêm trabalhando fortemente na orientação das famílias, para que enfrentem este período marcado principalmente pela escassez de renda, causada pelo desemprego de alguns de seus integrantes, ou pela redução dos ganhos das atividades como autônomos ou profissionais liberais. Com orçamento apertado, é hora de priorizar gastos, escolhendo aqueles mais importantes para este momento, que exige contenção de despesas extras. Confira as dicas dadas para quem está com o orçamento apertado:

 - Faça um diagnóstico financeiro - Comece registrando todas as suas informações financeiras para saber exatamente quais são as contas fixas, os gastos supérfluos e o total de suas dívidas. Caso prefira utilizar a tecnologia, há aplicativos que disponibilizam funcionalidades como o registro dos cartões de crédito e, por meio desses dados, criam gráficos e relatórios que demonstram os diferentes gastos separados por segmentos. Com essa visão, é possível entender, inclusive, o quanto você conseguirá poupar em curto e longo prazo.

 - Reduza custos e controle gastos - Com a visualização do seu diagnóstico financeiro, você terá todas as informações para fazer o seu controle de gastos e definir os custos que devem ser mantidos ou não. Lembre-se que, nesta etapa, maturidade e disciplina são essenciais para identificar as oportunidades de redução de custos.

 - Faça uma reserva de emergência - este é um ponto importante. Se possível, faça uma reserva para emergência. Por menor que seja a quantia, e por menor que sejam os rendimentos, faça economias mensais, pois esse dinheiro não só pode salvar de um aperto futuramente, como, também, pode ser a porta de entrada para outros tipos de investimentos rentáveis.

Regra 50-35-15 - Existem muitas maneiras de fazer um planejamento financeiro, mas, para quem está começando apenas agora, a consultora contábil Dora Ramos indica a regra do 50-35-15, que consiste em fazer uma divisão na renda mensal para que possa pagar contas, ter dinheiro para lazer e uma reserva para investimentos. “Nesse sentido, um exemplo é separar 50% para os gastos essenciais fixos, 35% para lazer e 15% para reserva de emergência ou investimentos”, detalha Dora.

Alerta final

“Por fim, quero concluir, ressaltando que, para obter uma vida financeira saudável, é importante que o hábito de planejar e organizar as finanças pessoais faça parte da rotina e que não seja visto, apenas, como uma promessa de começo de ano”, diz a consultora, com mais de 30 anos de experiência com a gestão de pessoas e como assessora para tanto para pessoas jurídicas como para físicas.

Em tempos de crise, usar o limite do cheque especial ou o cartão de crédito para compras é tentador, mas vale também o alerta dos especialistas para que os consumidores tenham maior cuidado com essa tentação do crédito fácil, para evitar o endividamento excessivo.

“Quase sempre, o endividamento começa sem ser percebido. No primeiro mês, o consumidor não consegue pagar o total da fatura do cartão de crédito, sendo obrigado a entrar no rotativo. No segundo mês, o valor da fatura já começa a comprometer uma parte grande do salário. Em consequência disso, a pessoa se vê obrigada a utilizar o limite do cheque especial, até que chega um ponto que ela precisa buscar outras linhas de crédito e, com o desespero de resolver a situação, acaba aceitando a primeira oferta de crédito oferecida, pegando um empréstimo para quitar outro empréstimo, e o efeito bola de neve começa”, explica o especialista da Proteste, Rodrigo Alexandre.

Confira suas dicas para evitar o endividamento:
Reserva financeira - É importância ter um planejamento financeiro e uma reserva financeira para não ser pego de surpresa.

Planejamento - Alguns gastos são inevitáveis, mas evitar os supérfluos pode gerar uma boa economia, principalmente no supermercado.

Parcelamento - Pode parecer vantajoso, especialmente quando não são cobrados juros. Mas vale o alerta para a soma deles, que pode comprometer a renda.

Pequenos gastos - Também os pequenos gastos, quando somados, podem levar ao descontrole.


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