Reflexo

Mais de 70% de pequenas e microempresas sentem os impactos da pandemia

Os estabelecimentos, em especial do ramo de indústrias e prestação de serviços, são os mais afetados

18 de Maio de 2020 - 08h58 Corrigir A + A -
 (Foto: Divulgação - DP)

(Foto: Divulgação - DP)

Quando 2020 começou, o plano do Pedro Espinosa para a hamburgueria no qual é proprietário, no centro de Pelotas, era outro. A ideia era ampliar a transmissão de jogos e realizar eventos, fomentando a cultura local, e expandir o cardápio para almoços. Em março, o local entrou para o grupo de pequenas e microempresas que aderiram aos atendimentos unicamente no modelo de tele-entrega. De acordo com o Monitoramento dos Pequenos Negócios do Sebrae RS, cerca de 34% dos estabelecimentos no ramo da prestação de serviço pensam formas de reposicionamento de marca - o setor é o mais afetados com a pandemia da Covid-19.

A hamburgueria do Pedro não precisou passar por demissões no quadro de funcionários, as mudanças foram na escala de horários e a divulgação em massa do serviço de tele-entrega. “Fizemos isso para que todos pudessem manter seus empregos”, conta. A previsão é que a situação siga a mesma até o final deste mês, quando uma nova decisão será tomada. A união e a colaboração de todos é o ingrediente principal neste momento difícil. “Eu e todos os sócios fazemos reuniões pontuais para organizar as ações”, completa.

Do outro lado da crise econômica, na empresa gerenciada por Cristina Wulff, especializada em máquinas lavadoras e compressores, o quadro de funcionários diminuiu drasticamente. De cinco, restou um em serviço. Uma demissão teve de acontecer, ela explica, outro saiu em férias. Os demais estão de licença maternidade e pelo INSS. As vendas das máquinas caíram em 60%, estima. “Caiu desde as máquinas até peças, nossos produtos de menor valor. O serviço diminuiu tanto que o que era feito por dois, facilmente pode ser feito por uma pessoa”.

A empresa está no mercado há 18 anos e parte dos serviços, considerados como essenciais, se manteve durante as últimas semanas. O trabalho com compressores abrange grandes negócios, como postos de gasolina, engenhos e hospitais. O sentimento para os próximos meses, no entanto, é de medo. “Nosso ano já não começou muito bem, por causa de uma obra aqui na rua. Nos deparamos com os boletos chegando e com tudo isso...não deu certo”, lamenta.

Acordo como uma saída emergencial
Outras pequenas e microempresas pelotenses ajustaram as contas com os funcionários e decidiram por aceitar o acordo do governo federal. No caso do café gerenciado pelo Edson Silva, a dispensa por 30 dias foi de três colaboradores. “Fizemos pausa de contrato por questões de saúde e financeiro deles. Então acabamos fazendo a pausa temporária como prevista na medida provisória”, explica. O cuidado com a equipe toma conta durante um momento em que o faturamento da empresa caiu em 40%.

Como alternativa ao baixo movimento na região central da cidade,passou a oferecer a entrega das bebidas e de alimentos, através de aplicativos. Após implementada a tele-entrega, o faturamento do café voltou a subir - cerca de 60%, de acordo com o gerente. Os planos pensados para 2020, no entanto, não serão esquecidos. “Nada vai ser deixado de lado. Só vai ser retomado e finalizado com 30 a 60 dias de retardo”, acredita.

Jogo de cintura para sobreviver à crise
Em todo Rio Grande do Sul, o Sebrae/RS atende 5,2 mil pequenas e microempresas. Com base nisso, um levantamento semanal é realizado para monitorar o andamento dos negócios. Em abril, o impacto negativo foi sentido por mais de 70% das empresas - os mais afetados são do setor industrial e do ramo de prestação de serviço. Outros 89% tiveram uma queda no faturamento. Por outro lado, na primeira semana de maio, 19% das negócios apontaram impactos positivos durante o período, aumento em 8% em relação à semana anterior - o destaque é do setor de serviços.

O levantamento é semanal e, até então, os dados consideram o mês de abril e a primeira semana de maio, período em que as demissões também foram sentidas. Ao todo, entre as empresas consultadas, houve uma redução de 39% no número de pessoas ocupadas - são 165 pessoas que passaram para a linha do desemprego. As férias entraram em jogo: até a primeira semana de maio, 23% dos negócios deram férias aos funcionários. Novas estratégias também entraram em cena, como a renegociação de prazos e pagamentos com os fornecedores, 35% das empresas partiram para o diálogo com os parceiros de negócio. “A pesquisa responde qual lado aperta mais em cada uma das empresas, os maiores impactos e o comportamento do faturamento”, explicou o gerente regional do Sebrae, Ciro Vives.

Neste momento, as maiores necessidades das empresas são um capital de giro (61%) e a isenção de Impostos e taxas (34%). Ainda segundo Ciro, a maior orientação para os empresários é que tenham seriedade na tomada de decisões. “Antes de pedir um recurso ou fechar o negócio, cada um precisa fazer uma avaliação, seja de redução de custos ou negociação de taxas”.

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