Escassez

Falta de materiais de construção afeta obras

Aumento da demanda, em nível nacional, trouxe a falta de insumos a comércios que atendem a construção civil

10 de Julho de 2020 - 13h06 Corrigir A + A -

Por: Maria da Graça Marques
graca@diariopopular.com.br 

Construções locais são pouco afetadas por materiais, mas carecem da vinda de mão de obra (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Construções locais são pouco afetadas por materiais, mas carecem da vinda de mão de obra (Foto: Carlos Queiroz - DP)

No mês de junho, o setor da construção civil começou a dar sinais de retomada das atividades. Em muitas cidades, lojas estão autorizadas a abrir, mesmo com restrições de horários de atendimentos, como em Pelotas, e obras antes paradas voltam a avançar. Mas diante do ritmo ainda lento da indústria que produz os materiais de construção, o aumento da demanda, em nível nacional, trouxe a falta de alguns insumos aos comércios desse segmento.

“Eu posso apontar três produtos que estão em falta. Tijolo, cimento e telha. Eu atribuo isso a redução dos funcionários nas fábricas”, diz James de Castro Silva, vendedor de loja no Nordeste brasileiro. Lojas com itens em falta existem em todos os estados brasileiros.

Mas e aqui? Em Pelotas e na região, o abastecimento de tijolos, produzidos pelas olarias da Sanga Funda e de outras cidades próximas, garantem este tipo de insumo para as obras locais. O que também ocorre com a brita e a areia, fornecidas principalmente pelo Capão do Leão.

O problema maior, segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção e Mobiliário (Sinduscon) de Pelotas e região, Fabrício Iribarrem, vem do aço, que os fabricantes preferem exportar, diante de um mercado mais vantajoso, e fornecem dentro do país com preços até 20% majorados e com entregas com até 90 dias de atrasos.

Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Luís Carlos Martins, a falta de materiais no país foi gerada principalmente pelas obras residenciais, que continuaram durante a crise. “O fato é que as vendas no setor imobiliário cresceram no período da pandemia”, diz.

Dados de outra pesquisa da CBIC, a Sondagem da Construção, mostram que o indicador de confiança do empresário da construção também voltou a melhorar. Após atingir 34,8 em abril e 37,6 pontos em maio, alcançou 42,6 pontos em junho. Para a CBIC, esses dados podem sinalizar que o pior ficou para trás e que a atividade do setor poderá ganhar mais força no segundo semestre.

Mão de obra de fora

Segundo Iribarrem, a construção civil em Pelotas e na região é fortemente comprometida pela falta de mão de obra especializada, que não pode vir de fora. “Atrasa muito”, diz o presidente, citando duas obras que empresas de fora fariam, trazendo empregados de outras regiões: a da Estação de Tratamento de Água e a do Hospital-Escola.


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