Reflexos

Exportações da indústria têm o pior resultado em quatro anos no RS

Retração em janeiro foi de 39,7% na comparação com o mesmo mês de 2019

11 de Fevereiro de 2020 - 09h01 Corrigir A + A -
 Celulose e papel tiveram o pior desempenho com -88,1% para o mês desde 2014. (Foto: Divulgação - DP)

Celulose e papel tiveram o pior desempenho com -88,1% para o mês desde 2014. (Foto: Divulgação - DP)

As exportações da indústria gaúcha começam o ano de 2020 em forte queda. Em janeiro, as vendas externas no setor caíram 39,7% em relação ao mesmo período do ano passado, o pior resultado para o mês nos últimos quatro anos – um total de US$ 754,6 milhões foi comercializado. “O ano de 2019 fechou com um recuo de mais de 11% nas exportações industriais, provocado em grande parte pela crise na Argentina, o nosso terceiro maior comprador. A queda no acumulado do ano passado seguiu curso em janeiro, mesmo com os argentinos demonstrando alguma reação, já que os embarques de produtos gaúchos aumentaram mais de 5% para o país vizinho”, diz o coordenador do Conselho de Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), Cezar Müller.

O que prejudicou consideravelmente os exportadores gaúchos em janeiro foi a diminuição das vendas para China e Estados Unidos, principais compradores. O país asiático reduziu em 64,2% seus pedidos, principalmente de Celulose e papel (-91,7%). Já as menores importações dos norte-americanos ocorreram nos setores de Químicos (-16,1%) e Produtos de metal (-24%), mas a maior queda também se expressa no comércio de Celulose e papel (-71,1%). Segundo a FIERGS, ainda é difícil estimar quais os impactos do coronavírus sobre a economia chinesa e mundial que já refletem no comércio com o Brasil e o Rio Grande do Sul.

A análise por setores mostra que, dos 23 segmentos da indústria de transformação no RS que tiveram algum embarque em janeiro, 19 registraram queda sob a base de comparação mensal. Destaque para Químicos (-21,4%), Tabaco (-50,2%), Veículos automotores, reboques e carrocerias (-30,3%) e Celulose e papel (-88,1%), que obteve o pior resultado para o mês desde 2014. Químicos respondem à queda de mercadorias de plásticos e produtos químicos orgânicos, enquanto Tabaco ainda é reflexo da antecipação de embarques para os principais destinos. No caso de Veículos, o resultado se deve ao recuo de 72,3% nas exportações para Argentina, seu principal destino.

O setor de Alimentos salvou o Rio Grande do Sul de ter um resultado ainda pior nas exportações. Registrou o nono crescimento consecutivo (22,9%) na comparação mensal. Novamente a cifra foi puxada pelo comércio de produtos do complexo carne: frango in natura (103,7%) e suíno in natura (71,4%), enquanto o volume exportado de carne de boi in natura (15,5%) desacelerou em relação aos últimos meses. A variação positiva se deve à maior demanda chinesa, que teve um aumento de 644,4% em relação a janeiro de 2019.

Importações
Pelo lado das importações, o Estado adquiriu US$ 634,2 milhões em mercadorias, com retração de 11,6% ante janeiro do ano passado. Com exceção de Bens de capital (+16,6%), todas as demais grandes categorias econômicas apresentaram queda em 2020 na comparação mensal: Combustíveis e lubrificantes (-28,8%) e Bens de Consumo (-51,4%) tiveram quedas mais expressivas do que Bens intermediários (-4,4%).

 


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados