Vai ficar mais caro

Energia elétrica terá novo reajuste tarifário

O aumento, que atingirá 1,8 milhão de consumidores no Estado, entra em vigor na próxima segunda-feira

18 de Novembro de 2021 - 08h21 Corrigir A + A -
Consumidores buscam alternativas para economizar (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Consumidores buscam alternativas para economizar (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Na última terça-feira, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) homologou o resultado da revisão tarifária periódica da CEEE-D Equatorial. O reajuste médio, que será de 14,62% aos consumidores de todo Estado, entra em vigor na próxima segunda-feira, dia 22. Diante dos aumentos, muitos têm buscado alternativas para economizar.

Ao todo, 1,8 milhão de unidades consumidoras distribuídas por 72 municípios, incluindo a capital Porto Alegre, terão acréscimo no valor final da conta de luz. O aumento será 14,71% para prédios residenciais e 13,24% para indústrias. A proposta de revisão tarifária passou por uma consulta pública realizada entre setembro e outubro deste ano. Entre os fatores que contribuíram para o efeito médio de 14,62% estão os custos de distribuição, componentes financeiros, retirada dos financeiros anteriores e os custos de transporte.

Aumento maior do que o projetado

Em setembro, a previsão de reajuste médio era de 9,52%, o que não se confirmou. Segundo a CEEE-D Equatorial, a situação econômica do país, o câmbio elevado e o contexto da crise hídrica acabaram aumentando o preço da energia elétrica que acabou impactando na tarifa das distribuidoras de novembro deste ano até outubro de 2022. Em nota, a empresa ainda diz que a revisão tarifária periódica é um processo de atualização obrigatório estabelecido pela Aneel no contrato de concessão.

A Equatorial ainda informou que, além da revisão tarifária que leva em consideração diversos fatores, anualmente, os reajustes repassados aos consumidores são calculados de acordo com as variações da inflação (IPCA), as variações de preço da energia, além dos custos de transmissão e encargos setoriais.

Consumidores buscam alternativas

Diante de tantos aumentos e com a conta de luz ainda mais cara, os pelotenses têm buscado alternativas para tentar economizar. Na casa da Maria Odete Gonçalves, 73, a luz só é utilizada à noite e, mesmo assim, a conta está acima dos R$ 100,00. A pensionista reclama que, em função do preço cobrado pela energia elétrica, alimentação, gás, água, IPTU e medicamentos, o valor de seu benefício é quase insuficiente para arcar com todos os gastos. Diante de mais um aumento, Odete lamenta. "Onde que eu vou parar? Tá tudo tão assim que a gente não sabe como vai fazer para viver".

Atualmente desempregada, Pâmela Soares, 27, nora de Odete, também reclama do reajuste. "É um horror. Tá tudo muito caro, daí precisa pensar se paga as contas ou compra comida", comenta. Ela conta que em busca de economia, as luzes da casa são ligadas somente quando necessário e o banho passou a ser mais rápido. Mesmo assim, o valor da tarifa tem passado de R$ 200,00. Com a proximidade do verão, a preocupação com a conta fica ainda maior tendo em vista a necessidade do uso do ventilador.

Já no estabelecimento do Noé Leite, 60, as luzes ficam apagadas durante boa parte do dia, sendo utilizadas somente a partir do meio da tarde. À noite, sete freezers são desligados e ficam em funcionamento somente os aparelhos que armazenam alimentos perecíveis. Sem essas ações, o empresário diz que a conta de luz ficaria três vezes mais cara. O local, que também realiza a venda de pães, possui fornos que funcionam à base de gás e, devido aos constantes aumentos no valor do produto, já foi cogitada a hipótese de trocá-los por fornos ligados na energia elétrica. Só que a alternativa foi descartada diante do reajuste tarifário. Em busca de mais economia, a instalação de placas de energia solar já está sendo planejada.

O empresário relata que além da luz, para manter o estabelecimento - que já funciona há mais de 25 anos - existem outros custos e que, para evitar o repasse total aos clientes, a porcentagem de lucro está ficando menor. Mesmo trabalhando atualmente somente entre familiares, as incertezas geram preocupação. "Tá muito difícil, se continuar mais um ano assim, acho que nem nós que temos um prédio próprio vamos sobreviver. Não tem como. A cada mês o movimento vai diminuindo, as coisas vão subindo e as pessoas não têm dinheiro para comprar", finaliza.


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