Números

Cooperativas lideram perdas com a pandemia

Instituto Pesquisas de Opinião mapeou os impactos registrados pelos diferentes segmentos da economia

28 de Janeiro de 2021 - 09h47 Corrigir A + A -
Indústria fechou 2020 em alta (Foto: Paulo Rossi - Infocenter - DP)

Indústria fechou 2020 em alta (Foto: Paulo Rossi - Infocenter - DP)

“A pandemia trouxe prejuízos, mas eles são intensificados pelas dificuldades do Estado”, diz Elis Radmann (Foto: Divulgação - DP)

“A pandemia trouxe prejuízos, mas eles são intensificados pelas dificuldades do Estado”, diz Elis Radmann (Foto: Divulgação - DP)

No final da tarde desta quarta-feira (27), o Instituto Pesquisas de Opinião (IPO) apresentou, na Assembleia Legislativa, o Censo 2020-2021, uma pesquisa que mapeia os impactos da pandemia de Covid-19 no Rio Grande do Sul. Segundo o relatório, 59,4% dos setores registraram perdas financeiras e a expectativa é que levem ao menos dois anos para recuperar o prejuízo.

Encomendada pela Confirma Brasil, uma consultoria especializada em análise, a pesquisa foi feita com base nas percepções de lideranças políticas, sindicais e de entidades do setor produtivo (indústria, comércio e agronegócio) no Estado. Além de prefeitos, participaram do censo representantes de Federação das Entidades Empresariais (Federasul), Federação das Indústrias (Fiergs), Federação da Agricultura (Farsul), Federação das Cooperativas Agropecuárias (Fecoagro), Federação das Associações de Municípios (Famurs), Federação do Comércio de Bens e de Serviços (Fecomércio), Organização Sindical (Ocergs), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag).

A pesquisa aponta que, com exceção do agronegócio - muito afetado pela estiagem (confira reportagem na página 7) - todos os setores acusaram perdas financeiras relacionadas diretamente com a pandemia. Quem lidera a lista são as cooperativas, com 40,8% de perda, seguidas por indústria (32,9%) e comércio (30,3%). No total, as perdas no período chegaram a 59,4%. Destes, 81,2% utilizaram o capital de giro emergencial, principalmente para fluxo de caixa e pagamento de salários (59,2%).

A previsão para este ano é de recuperação para a maioria dos entrevistados, com 53,1% acreditando em um faturamento maior e outros 31,9% que apostam na manutenção dos números. Os setores mais otimistas são as cooperativas (62,2%), comércio (57,7%) e indústria (52,4%). Dentre os fatores que podem contribuir para o crescimento o principal é a retomada econômica (30,3%).

Após dois meses de queda no início da pandemia, o setor da indústria conseguiu se recuperar rapidamente e terminar 2020 com resultado positivo. “O impacto no setor da indústria ocorreu em abril e maio, mas depois, com o decorrer da pandemia, já nos meses seguintes, a produção foi se recuperando. Mesmo com as restrições e os cuidados na prevenção, com os EPIS, a indústria se recuperou e terminou o ano com resultado positivo”, disse o presidente do Centro das Indústrias de Pelotas (Cipel), Amadeu Fernandes.

Segundo ele, o setor projeta um crescimento ainda maior até o final deste ano. “A pandemia inibiu a produção, mas as medidas tomadas foram positivas e a demanda foi acelerada. Até porque o pessoal consumiu mais comida e aqui na região de Pelotas o setor alimentício é muito forte. Encerramos o ano praticamente igual a 2019, até um pouco acima, inclusive na geração de empregos. A expectativa de crescimento é de 4% a 5% na produção”, completou.

Política estadual

De acordo com o estudo, a gestão pública é o segmento que mais se sentiu prejudicado, com 76,7% dos prefeitos afirmando que houve redução do orçamento. O índice de perda, no entanto, foi o mais baixo com apenas 15,7%. O número menor é em decorrência dos repasses feitos pelo governo federal, uma verba que provavelmente não entrará no orçamento de 2021.

Para a diretora do IPO, a socióloga e mestre em Ciência Política Elis Radmann, a preocupação com o futuro é um reflexo da política estadual de tributação. “Primeiro os entrevistados mostraram que a pandemia trouxe prejuízos, mas eles são intensificados pelas dificuldades do Estado, alta carga tributária. Quando soma isso tudo com a pandemia, o setor produtivo gaúcho sente mais, porque ele já vinha fragilizado, a pandemia intensificou as fragilidades que já existiam no Estado”, destacou, para depois completar: “o empresário gaúcho tem muito força, se esforça muito. Eles acreditam que vão se reerguer em dois anos, mas precisam de um Estado que os apoie. Eles apontam três atributos como fundamentais: atitude para tomar a frente, cooperação e coragem para fazer as escolhas”.


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