História

Casarão é restaurado para virar nova proposta de negócio

Recuperação do Casarão 3, na praça Coronel Pedro Osório, demorou dez anos, com um trabalho minucioso de resgate de materiais e preparação de réplicas

26 de Setembro de 2020 - 12h45 Corrigir A + A -

Por: Maria da Graça Marques
graca@diariopopular.com.br 

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Ricardo priorizou a recuperação dos espaços, mas trazendo funcionalidade (Foto: Jô Folha - DP)

No momento em que Pelotas sentiu-se agredida pela proposta comercial para prédio da Zona Norte, a restauração do casarão de número três da praça Coronel Pedro Osório e a sua utilização para um perfil novo de negócio parece vir na hora certa. A recuperação do prédio demorou dez anos, resultado de trabalho minucioso de resgate de materiais já existentes e de preparação de réplicas, conta o proprietário Ricardo Perez de Moura, que instalou no local o Nobili Espaço Corporativo.

Fechada por algumas décadas, a construção estava bastante deteriorada. Na época da aquisição, conta Moura, pisos, aberturas e telhado estavam completamente comprometidos, exigindo uma profunda intervenção para restaurar sua beleza. “Ladrilhos hidráuicos da soleira da porta de entrada ainda atestavam o padrão majestoso do imóvel. Tintas sobrepostas durante anos escondiam escaiolas em paredes que, após minucioso restauro, voltaram a brilhar”, explica Moura satisfeito.

Lembra o advogado e empresário que pinturas feitas por Fernando Luis Osório, morador da casa, foram descobertas em paredes e tetos e, hoje, são ornamentos de destaque nos ambientes. Osório, advogado, jornalista, escritor e político, era casado com uma das filhas do Barão de Jarau. Na porta de vidro, que serve de quebra-vento, o monograma com as iniciais do ilustre morador está intacto. Portas internas, janelas e guarda-corpo da escada foram resgatados, recuperados e reintegrados ao imóvel, conta Moura, que comprou a casa para presentear o filho Lucas Perez Gonçalves de Moura.

Espaços para locação

Com 600 metros metros quadrados, o imóvel mostrou-se apropriado a um novo modelo de empreendimento. Com oito salas de variadas dimensões - três delas já ocupadas - além de sala de reuniões, auditório e cinco estações individuais de trabalho, a Nobili oferece infraestrutura completa, inclusive elevador.

São espaços para locação, explica Moura, que ocupa uma das salas e prepara-se para ter uma equipe de corretores de imóveis para atuar no local com vendas. O primeiro a locar uma das salas foi o músico Raul Costa D’Ávila, professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que viu a necessidade de ter um espaço diferenciado para estudar e trabalhar durante a pandemia da Covid-19. “É o meu home-officce”, diz.

Casas gêmeas

Construídas entre 1911 e 1912, por Joaquim Augusto de Assumpção, o Barão de Jarau, as casas gêmeas - casarões 1 e 3 - foram presentes de casamento às filhas Judith e Francisca Augusta. O projeto foi trazido da Inglaterra e executado por Caetano Casaretto. O Casarão 1 foi adquirido pela irmã e pelo cunhado de Moura, Magarida e Mauro Umpierre, restaurado e locado pela UFPel para sede do Museu de Ciências Naturais Carlos Ritter.

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