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Caem para um terço vagas a portador de deficiência

Oferta de postos de trabalho para PCDs no Sine Pelotas sofreram grande queda, diz o coordenador Glauber Burkle

03 de Dezembro de 2020 - 13h33 Corrigir A + A -

Por: Maria da Graça Marques
graca@diariopopular.com.br 

Coordenador do Sine, Glauber Burkle, conta como está a oferta de trabalho e as dificuldades atuais  (Foto: Divulgação - DP)

Coordenador do Sine, Glauber Burkle, conta como está a oferta de trabalho e as dificuldades atuais (Foto: Divulgação - DP)

O alerta é mundial e reflete a situação atual no Dia Internacional das Pessoas com Deficiências, que transcorre nesta quinta-feira (3). Para 71% deles, oferta de vagas de emprego está retraída ou praticamente inexistente na pandemia da Covid-19. Em Pelotas, junto à Agência do Sistema Nacional de Emprego (Sine), a oferta de vagas exclusivas para os portadores de deficiências, que já não eram muitas, caiu para praticamente um terço nos últimos meses, conta o coordenador Glauber Burkle.

Segundo pesquisa nacional da Catho com mais de 1,4 mil pessoas com deficiência, no país são mais de 45 milhões de pessoas portadoras que buscam uma oportunidade de trabalho, principamente fora das cotas estabelecidas pela Lei para a geração de vagas em empresas com mais de cem funcionários.

Além das atuais três vagas disponíveis para portadores de deficiências, todas para auxiliar administrativo, outras cem vagas eram oferecidas ontem pela Agência do Sine e podem ser aproveitadas também para esse público específico. São oportunidades de trabalho em serviços gerais, comércio e indústria, explica Burkle. Nos supermercados, em que anteriormente houve número expressivo empregos gerados para portadores de deficiências, não são oferecidas vagas no momento, esclarece.

Sobre o país, Burkle tem dados que mostram serem os portadores de deficiências 14% do total da população - a maioria com deficiências motoras, o que exige algumas políticas públicas de mobilidade, por exemplo de maior acessibilidade ao transporte, já que muitos têm limitações para a locomoção até o trabalho.

Outra questão é a da compatibilidade da vaga ao portador de deficiência. Burkle explica que a empresa precisa se adaptar ao funcionário com deficiência - em muitas delas, não há sequer acessos adaptados ou até mesmo banheiros em condições especiais.

Dentro dessa radiografia das dificuldades para a concretização das oportunidades de trabalho aos portadores de deficiências, o auditor fiscal da Secretaria Nacional do Trabalho, João Antônio Moreira, lembra que entre eles estão incluídos os reabilitados pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). 

Moreira lamenta que muitas empresas só cumpram a Lei quando são notificadas, enquanto há muitos profissionais esperando oportunidade. “Eles produzem bem”, lembra. Sobre a pandemia, conta que muitas empresas reduziram o quadro de funcionários e com eles foram os portadores de deficiência.


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