Em obras

Avança a restauração do Castelinho da XV

O prédio da esquina entre 15 de Novembro e Conde de Porto Alegre passa por obras de restauração interna e externa, em etapa estrutural, para se tornar um Pub

29 de Abril de 2022 - 13h11 Corrigir A + A -

Por: Maria da Graça Marques
graca@diariopopular.com.br 

Dentro do antigo prédio, o reforço estrutural garantirá a funcionalidade do  moderno pub  (Foto: Jô Folha - DP)

Dentro do antigo prédio, o reforço estrutural garantirá a funcionalidade do moderno pub (Foto: Jô Folha - DP)

Obras. Chama a atenção de quem passa pela esquina das ruas Conde de Porto Alegre e 15 de Novembro o trabalho no local (Foto: Jô Folha - DP)

Obras. Chama a atenção de quem passa pela esquina das ruas Conde de Porto Alegre e 15 de Novembro o trabalho no local (Foto: Jô Folha - DP)

No topo do prédio, a concretagem ainda a céu aberto dá andamento à consolidação do projeto (Foto: Jô Folha - DP)

No topo do prédio, a concretagem ainda a céu aberto dá andamento à consolidação do projeto (Foto: Jô Folha - DP)

O projeto foi mantido, com pequenas alterações, conta o empresário Leonardo Espírito Santo, proprietário do Castelinho da XV, como é conhecido o imóvel da esquina das ruas 15 de Novembro e Conde de Porto Alegre. O prédio passa por obras de restauração interna e externa, em etapa estrutural.

Presente no imaginário de muitos pelotenses, a edificação terá um destino comercial, explica Espírito Santo, que está adaptando o local para se tornar um pub. Será o Castelinho da XV Brew Pub, conta. No terreno ao lado, modernas instalações receberão o projeto de uma cervejaria, a Cervejaria Pelotense, uma marca que Espírito Santo já tem registrada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), cujos equipamentos estão adquiridos e permanecem junto ao fabricante na cidade gaúcha de Bento Gonçalves.

Ao entrar no antigo Castelinho da XV, que muitos citam apenas como um sobradão do começo do século passado, as grossas paredes chamam a atenção, assim com as aberturas que restaram, após anos sucessivos de abandono e maus usos. Algumas serão restauradas e outras substituídas por réplicas ou adaptações à funcionalidade do empreendimento, que deve mudar o perfil do local e do seu entorno, que até então tem recebido pouca atenção pública, na opinião de boa parte dos moradores.

O pub e a microcervejaria devem entrar em funcionamento em prazo estimado de dois anos, com investimento de R$ 4 milhões, o mesmo previsto desde o início do projeto, que começou a tramitar em 2014, quando Espírito Santo comprou o prédio. Sua proposta sempre foi a de criar um pub e produzir 12 mil litros de cerveja/mês. No total, o empreendimento, juntando a área restaurada com a nova, a ser construída, ocupará 1,5 mil metros quadrados.

Serão dois prédios distintos, esclarece Espírito Santo. No prédio agora em restauração, o moderno pub será o maior de Pelotas, adianta o empresário. Trabalho de concretagem prepara cada um dos quatro andares para serem funcionais - em dois deles, será instalado o pub. Hoje, entre 20% e 25% do antigo prédio está com o restauro pronto.

Ressalta Espírito Santo que todos os investimento são com recursos próprios, sem qualquer incentivo do poder público. Segundo o empresário, que é engenheiro agrícola, com atuação em toda a região, toda a matéria-prima para as obras é de fornecedores locais. “São coisas da terra, como a areia. A gente prioriza o local”, enfatiza. O empresário é pelotense.

Lembrado por muitos moradores das proximidades e também por visitantes, o coreto erguido na esquina das duas ruas entra no restauro do prédio mandado construir pelo major do Exército Antônio Duarte da Costa Vidal em 1936. O material para a sua recuperação já está adquirido e estocado no interior do prédio principal para quando as obras nele começarem.

Os materiais utilizados no restauro buscam reproduzir as texturas originais, mas são fabricados para oferecer maior resistência ao tempo, explica o empresário, que acompanha no local cada uma das etapas da obra. O antigo Castelinho da XV, hoje, está transformado em verdadeiro canteiro de obras, despertando a curiosidade da vizinhança, inconformada com o abandono anterior do prédio, alvo de vândalos. Além do pub e da cervajaria, o local terá um salão de festas. Para o futuro, aquela área da cidade pode se transformar em novo polo gastronômico. Revitalizada com o novo empreendimento, ganhará visibilidade, concorda Espírito Santo, que já atua na comercalização de insumos para microcervajarias.

Um pouco mais sobre o prédio
Também conhecido como Castelo do Major, o Castelinho da XV ocupa área importante da cidade pela proximidade ao arroio Pelotas, importante para o escoamento da produção na primeira metade do século passado - fato que o empresário pelotense também destacou ao falar sobre a história do prédio.
Militar e fazendeiro gaúcho, Antônio Duarte da Costa Vidal lutou na Guerra dos Canudos, no nordeste baiano, entre os anos 1896 e 1897. Reformado, o major Vidal fixou residência em Pelotas, quando mandou construir o sobrado na esquina das ruas 15 de Novembro e Conde do Porto Alegre, seguindo modelo europeu.

De acordo com o historiador Manoel Osorio Magalhães, proprietário de terras na fronteira oeste do Estado, o major Vidal mandou construir prédio com as mesmas características na cidade de Itaqui, também hoje nas mesmas condições de abandono. O proprietário era conhecido, nos seus últimos anos de vida, como uma figura polêmica.

O popular Castelinho da XV, na verdade, é caracterizado como apenas um sobrado com porão e torre, construído em uma cidade do século 20. Futuramente, foi alvo de disputa jurídica, sendo ocupado para diferentes atividades bem distantes da proposta inicial do major Vidal, de dar a ele a mesma importância de outras edificações da época, embora com estilos mais refinados. Recentemente, era ocupado mediante usucapião.

Para Espírito Santo, o restauro do prédio, mantidas as suas características, é motivo de satisfação, exatamente por colocar novamente em evidência aquele ponto importante econômico da cidade. Segundo o empresário, conforme as obras forem avançando, os pelotenses tomarão conhecimento das etapas vencidas. O próprio Espírito Santo administra as obras no local, com projetos do arquiteto Fabiano Veríssimo.
Quando os dois empreendimentos estiverem em pleno funcionamento, a expectativa do empresário é que sejam gerados entre 15 e 20 empregos, somados os diretos e os indiretos.


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