Variedade

Atento ao cliente, panificador reinventa produção

Setor precisou se adaptar aos consumidores em tempos de isolamento social

14 de Maio de 2020 - 10h52 Corrigir A + A -

Por: Maria da Graça Marques
graca@diariopopular.com.br 

Variedade: Hoje, o consumidor diversificou sua preferência, trocando o cacetinho pelos pães para lanches (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Variedade: Hoje, o consumidor diversificou sua preferência, trocando o cacetinho pelos pães para lanches (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Recorde na cotação do dólar, incerteza no abastecimento de farinha e alta do custo de produção têm afetado o setor de panificação, que precisou se adaptar aos consumidores em tempos de isolamento social em razão da pandemia do novo coronavírus. Para os preços, o momento é de estabilidade, o que significa que não há aumentos previstos.

O vice-presidente do Sindicato da Indústria da Panificação de Pelotas (Sindippel), Jorge Almeida, explica que a alta do dólar ainda não afeta muito o setor, embora exista uma preocupação em relação ao futuro. Existe um estoque de trigo já comprado com o preço garantido. Hoje, 70% do produto é importado da Argentina e o restante é abastecido por moinhos gaúchos, conta.

Por razões climáticas, a farinha nacional tem menor qualidade que a importada e, por isso, é mais usada, por exemplo, para a produção de biscoitos. Esse fato causa certa aprensão ao setor, diante da mudança de governo na Argentina e das alterações neste tipo de exportação que podem vir. “Ninguém sabe o que virá”, diz Almeida.

A estabilidade do preço do pão é mantida pelo segmento, embora o aumento do custo de produção tenha se elevado. Principalmente os insumos tiveram um reajuste significativo no atacado, explica o panificador. “Não adianta subir neste momento”, justifica.

Preferência variada

Hoje, mudou o perfil do cliente, que não vai diariamente à padaria, mas se abastece para dois dias e usa bastante a telentrega para receber seu pão em casa. “O aumento da telentrega na panificação aumentou 300% com a pandemia”, avalia Almeida.

A mudança de comportamento do cliente também ocorreu no tipo do pão que ele vem consumindo. Ao contrário da preferência pelo popular cacetinho, o pãozinho de 50 gramas, hoje o consumidor diversificou bastante sua escolha. São pães de todos os tipos, principalmente para fazer lanches, já que ele agora fica em casa mais tempo - “para o cachorro quente”, exemplifica.

Outra realidade do momento é a concorrência da produção caseira e da artesanal, que surgiu do maior tempo que os consumidores permanecem em casa e resolvem experimentar novas receitas, e também da necessidade de muitas famílias de buscar renda através de um produto artesanal, oferecido e comercializado fora de um ambiente de padaria - muitas vezes, pelas próprias redes sociais.


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