Nosso Bairro

As diferentes iniciativas para garantir renda

Economia é o tema neste quarto dia de conteúdo sobre o Areal, através do projeto Nosso Bairro, que busca estreitar laços com a comunidade

01 de Junho de 2022 - 12h15 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

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Uma porta estreita vira acesso ao comércio. A garagem de casa se transforma em chance de vender produtos ou oferecer serviços e assegurar a renda da família. E se precisar, para garantir o contato mais direto com o consumidor, não falta criatividade e esmero em percorrer as ruas por horas e horas, independentemente do clima. Busca por qualificação e mobilização para que principalmente mulheres em situação de vulnerabilidade possam ser absorvidas pelo mercado de trabalho. São histórias que o Diário Popular encontrou ao circular por diferentes localidades do Areal e apresenta hoje, em mais um conteúdo do projeto Nosso Bairro.

No loteamento Dunas, uma ação marcada para o dia 16 de junho - com distribuição de sopão e doação de cobertores - tentará mapear quais os tipos de cursos que as moradoras preferem para obter ou ampliar a capacitação e poderem superar a crise financeira em que mergulharam durante a pandemia e com a alta da inflação. “A situação de miserabilidade cresceu de uma forma impressionante”, lamenta a coordenadora da Uniperiferia, Angelita Vieira Neves, 56. Uma média de 80 famílias chegou a receber cestas básicas, mas com a queda das doações - à medida que Pelotas retomou o ritmo normal -, caiu também o número de contemplados. Viabilizar meios para que conquistem renda mensal, portanto, torna-se cada vez mais urgente.

“Sabemos que para muita gente é importante alimentar essa miséria. Se as pessoas tiverem autonomia e não estiverem mais na mãos dos políticos, eles vão ter que trabalhar bem mais pra conseguir um voto”, cutuca Angelita. E é por isso que Uniperiferia, Centro de Desenvolvimento do Dunas (CDD), Usina Feminista e Movimento de Mulheres 8M unem-se para tentar garantir qualificação para a comunidade. “Sabemos que o emprego de carteira assinada tá bem difícil. Então, é importante que elas também possam tentar um negócio próprio”, destaca o coordenador do CDD, Michel Knuth, 31.

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Michel coordena o CDD (Foto: Jô Folha - DP)

Casa-brechó, brechó-casa
Os filhos eram pequenos e Líria Maria dos Santos, 44, precisava simplificar a rotina. Deu certo. Há 12 anos o Brechó Ponto Certo está de portas abertas, na Bom Jesus. Apenas mudou de endereço, dentro do próprio Areal, e já resistiu a dois assaltos e a escassez de clientes durante o período mais duro da pandemia. “Aos pouquinhos tá melhorando e, se Deus quiser, vai melhorar ainda mais. Temos coisas boas, de marca, com preço bom”, enfatiza. E facilita a vida da clientela, através de pagamentos com Pix e cartão.

WhatsApp Image 2022-05-31 at 20.07.24 (1)Líria Maria coordena a casa-brecho (Foto: Jô Folha - DP)

Diante da crise, coragem
Era junho de 2020. Crescia a necessidade de melhorar a renda. E a solução estava dentro de casa. O jovem Thiago Vieira Caruccio, 27, aprendeu a preparar desinfetantes, água sanitária e detergente com a mãe, que vendeu os produtos de limpeza há cerca de 20 anos. E agora é ele quem circula pelas ruas do Jardim Europa em busca de clientes.
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Thiago Caruccio prepara e vende produtos de limpeza. (Foto: Jô Folha - DP)

É uma tarefa comum, que talvez não precisasse ser celebrada. Mas precisa. Em outubro de 2014, Caruccio sofreu acidente de moto na avenida Domingos de Almeida e ficou um mês internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). “Precisei fazer dois anos de fisioterapia e um ano de fono”, conta. E ainda que apresente sequelas na fala e nos movimentos do braço direito, ele não tem dúvida: há motivos de sobra para comemorar.

O ‘Mini Shopping’ do Areal fundos
O projeto iniciado em setembro de 1982 prosperou. E muito. A moradora da Colônia Maciel, Catarina Lúcia Pegoraro de Castro, veio com o marido e os três filhos viver no Areal Fundos. A família abriu um pequeno comércio na rua Luís Alves Pereira para comercializar a produção cultivada na Maciel: pêssego, batata, cebola e verduras como couve e alface.
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Mercado Catarina está prestes a completar 40 anos (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Hoje, às vésperas de completar 40 anos de atividade, o Mercado Catarina é carinhosamente chamado de mini shopping por vizinhos e amigos. E é fácil de entender o porquê: a loja instalada na mesma rua, mas em prédio com mais de 200 metros quadrados, tem uma vasta gama de opções. De alimentos e bebidas a material de limpeza. De produtos pet a itens de ferragem. Sem falar nas inúmeras opções de presente. “E hoje somos seis pessoas trabalhando; quatro da família e dois funcionários”, orgulha-se. Uma história que inclui filhos, netos e um tanto de satisfação.


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