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A hora e a vez do PIX

Criada pelo Banco Central, a ferramenta para pagamentos instantâneos promete revolucionar o mercado financeiro

15 de Outubro de 2020 - 13h02 Corrigir A + A -

Por: Maria da Graça Marques
graca@diariopopular.com.br 

 (Foto: Jô Folha - DP)

(Foto: Jô Folha - DP)

A utilização do PIX ainda desperta muitas dúvidas. Solicitada a se cadastrar pelos diferentes bancos, a maioria das pessoas ainda mantém restrições para fazer isso, pelo menos até que se sinta melhor informada e também segura contra fraudes que possam lhe trazer perdas financeiras.

O PIX é o mais novo sistema de pagamentos instantâneo criado pelo Banco Central, que estará disponível para os brasileiros a partir de novembro. A expectativa é que revolucione o mercado financeiro, aumentando a competição, com maior inclusão ao sistema bancário, e facilitando as transações, com custo baixo para os usuários - gratuito para pessoas físicas e microempreendedores individuais.

“As transações realizadas pelo PIX estarão disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana e 365 dias por ano, e basta apenas dez segundos para que o dinheiro seja repassado de um bolso para o outro”, explica o educador financeiro Carlos Afonso, contabilista e administrador.

Ainda permitirá o pagamento de tributos, inicialmente os federais, e contas de consumo. Em futuro breve, com projeto para os anos de 2022 e 2023, serão efetuados pagamentos internacionais, completa Afonso, que é autor do livro Organize suas finanças e saia do vermelho.

Hoje em dia

Na atualidade, os brasileiros usam boleto, DOC e TED para fazer pagamentos, com tarifas altas por transações - alguns bancos cobram mais de R$ 10,00 - e demora para o crédito ser repassado. “Os boletos são creditados em conta, na melhor das hipóteses, no dia seguinte ao pagamento. Em alguns casos, são creditados entre dois e três dias após o pagamento, de acordo com o contrato de cobrança do banco”, diz Afonso. 

As tarifas cobradas pelos bancos acarretam significativa elevação nas despesas financeiras das empresas, principalmente se o volume de boletos e DOC ou TED emitidos por mês for muito alto. “Com o PIX, projeta-se uma perda de até 8% na receita dos bancos”, completa.

Múltiplas formas

O Banco Central informa que a gestão de pagamentos será realizada através de QR Code Estático, QR Code Dinâmico ou chave de endereçamento cadastrada no aplicativo do banco que a pessoa ou empresa tiver conta. Assim como o DOC e o TED aparecem no aplicativo do banco como uma das opções de pagamento, o PIX também aparecerá.

Até o momento, quase 25 milhões de chaves já foram cadastradas. O cadastramento pode ser feito com o CPF, CNPJ, e-mail ou número de telefone e o usuário poderá ter duas chaves distintas - e é justamente por isso que o mercado financeiro busca ao máximo, neste momento, fidelizar o cliente, já que o PIX trará perda de receita aos bancos, lembra Afonso. 

O PIX também promoverá a inclusão financeira de parcela da população que não possui conta bancária. As fintechs, startups que vieram inovar e otimizar serviços financeiros, estão atentas para aumentar sua fatia no mercado, trazendo para suas estruturas esse cliente. O futuro é promissor, com pagamento por simples leitura de QR Code através do celular, fornecido pelo recebedor, ou por tecnologia de aproximação.

Alerta necessário

Devido à velocidade da transação, a compra não poderá ser cancelada ou alterada após a confirmação do pagamento. A funcionalidade está disponível, porém só poderá ser realizada pelo recebedor do dinheiro.
“É extremamente importante saber quando usar o PIX. Quando usamos o cartão de crédito e o produto não chega ou vem com defeito ou não atinge as expectativas, o comprador pode pedir o estorno da operação ao banco ou diretamente à bandeira”, alerta.

O PIX não oferece a possibilidade de chargeback, que é a devolução automática do dinheiro.

Cuidados com fraudes

Existe uma preocupação do sistema financeiro com relação à segurança das transações realizadas, bem como possíveis fraudes. Inclusive, já existem rumores de supostos golpes de e-mails de bancos solicitando ao cliente o clique no link para receber a adesão ao PIX. 

“Fique atento, pois e-mail marketing está sendo espalhado para a propagação de certos tipos de vírus em computadores. Se a pessoa quiser se cadastrar no PIX, deverá fazer diretamente pelo internet banking ou pelo aplicativo do banco”, encerra Afonso.


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