Enoturismo

Vindima movimenta vinícolas gaúchas

As belas paisagens e os parreirais carregados de uvas são uma grande atração para os turistas nesta época do ano

15 de Janeiro de 2022 - 10h33 Corrigir A + A -
Qualidade da safra 2022 é a grande expectativa na Garibaldi (Foto: Augusto Tomasi - Especial DP)

Qualidade da safra 2022 é a grande expectativa na Garibaldi (Foto: Augusto Tomasi - Especial DP)

Vinícola Aurora apresenta uma novidade, um piquenique em meio aos jardins (Foto: Zéto Teloken - Especial DP)

Vinícola Aurora apresenta uma novidade, um piquenique em meio aos jardins (Foto: Zéto Teloken - Especial DP)

A região dos Altos Montes a expectativa é de que a safra seja muita parecida com a de 2020 (Foto: Divulgação Apromontes - Especial DP)

A região dos Altos Montes a expectativa é de que a safra seja muita parecida com a de 2020 (Foto: Divulgação Apromontes - Especial DP)

Com uma bela paisagem de parreiras carregadas de uvas para os turistas, a Vindima de 2022 promete uma grande celebração da colheita nas diferentes regiões vitivinicultoras do Estado. Depois de boas safras nos anos de 2020 e 2021, as expectativas são de que este ano se torne uma das principais do Brasil, de acordo com o Coordenador da IP Altos Montes e Sócio da Vinhos Fabian, Giovani Fabian. Após estágios de dormência em um inverno rigoroso e brotação com uma boa fase de chuvas, que contribuiu para a formação dos cachos e boa quantidade em cada videira, o processo final de maturação depende de um esperado período de baixa nas chuvas para a qualidade da colheita e é o que está acontecendo, que tem aumentado o otimismo.

Na região conhecida por Altos Montes, que compreende entre os municípios de Flores da Cunha e Nova Pádua, apesar de uma expectativa de safra menor que a de 2021, este ano, o foco é na qualidade dos vinhos. A de 2020, conhecida como "Safra das Safras" foi resultado de um ciclo semelhante ao de 2022. "Tudo indica que esta safra será parecida com a de 2020, com uvas de muita qualidade, resultando nos vinhos de alto padrão dos Altos Montes", afirma o proprietário.

A Região dos Altos Montes é responsável pela maior produção de uvas e vinhos do país, chegando 80 milhões de quilos de uva e 45 milhões de litros de vinho numa só safra. Desde 2002, a rede vitivinicultora e o enoturismo local são fortalecidos pela Associação de Produtores dos Vinhos dos Altos Montes (Apromontes), composta por doze vinícolas: Boscato, Casa Venturini, Cave de Angelina, Fante Bebidas, Luiz Argenta, Terrasul, Valdemiz, Vinhos Fabian, Vinhos Viapiana, Vinícola Família Bebber, Vinícola Mioranza e Vinícola Panizzon.

Diferentes microclimas

O trânsito intenso de veículos e o aroma de fruta madura que perfuma o ar pelos arredores da Cooperativa Vinícola Garibaldi não deixam dúvidas - é tempo de vindima por lá também, hora de receber as uvas que darão origem aos premiados rótulos de espumantes, vinhos e sucos da marca. Desde o dia 5 deste mês, 230 mil quilos já foram entregues pelos produtores associados (são 430 famílias ligadas à Cooperativa). Até o fim da safra - projetado para meados de março - a expectativa é ficar próximo à casa dos 30 milhões de quilos, quantidade similar ao que foi registrado em 2021, ano em que a colheita superou as expectativas e projeções iniciais.

"Estamos sobretudo otimistas com relação à qualidade", garante o enólogo da Cooperativa Vinícola Garibaldi, Ricardo Morari. A análise inicial indica uma safra de uvas muito boas, especialmente aquelas de maturação precoce, utilizadas para elaboração de espumantes, como as variedades Chardonnay e Pinot Noir. A estiagem que vem assolando os produtores certamente preocupa e pode alterar as projeções de recebimento. "Podemos, sim, ter uma quebra nesses números, porém é muito difícil precisar, agora, como a safra vai se comportar até o final", diz o enólogo.

Isso porque os associados da Cooperativa possuem áreas de cultivo em diferentes microclimas, mesmo dentro da Serra Gaúcha, onde alguns sentiram mais os efeitos da estiagem e outros menos. "Os vinhedos cultivados em locais onde os solos são mais profundos conseguem sobreviver melhor à estiagem. De qualquer maneira estamos atentos e procurando orientar nossos associados a utilizarem técnicas de manejo para extrair o melhor produto dessa safra, que ainda tem tudo para ser de bastante qualidade", diz.

Mais doce e mais taninos

Na região da Campanha gaúcha, a vindima começou na vinícola Guatambu, em Dom Pedrito, na última quinta-feira (13) com a colheita da uva Chardonnay, a mais precoce. Há seis safras grande parte dos vinhedos da Campanha lutam contra a contaminação do solo por deriva pelo uso do herbicida 2,4-D usado nas plantações de soja, o que afetou a produção da uva em uma das regiões mais favoráveis para a vinicultura do país. "Fora isso a expectativa de produção é normal, mas claro que tem que fazer o desconto de perda de produtividade pela deriva, que deu no centro", comenta o produtor Valter José Potter, proprietário da Guatambu, produtora de vinhos premiados internacionalmente.

Segundo Potter a estiagem, por enquanto não está afetando a produção, pelo contrário, o calor ajuda a concentrar mais qualidade à uva, consequentemente o vinho ganha também. "As frutas ficam com mais taninos e mais açúcar", fala. Na safra de 2021 a Guatambu produziu 102 toneladas de uva. Potter confirma que o clima do ano passado foi positivo para a uva. "Vamos ver se essa seca não se estende, a previsão é de chuva neste final de semana, com isso recompõe a umidade do solo."

"Nós vínhamos produzindo, antes do 2,4-D, de 140 a 150 toneladas, tivemos 30% de comprometimento e este ano de novo", comenta o produtor, que também é presidente da Associação de Produtores de Vinhos Finos da Campanha Gaúcha, que congrega 14 associados responsáveis por 31% da produção de vinhos finos do Brasil. O que significa que a safra 2022 da vinícola deve ficar em torno de 100 toneladas. A Guatambu produz as uvas Tannat, Merlot, Cabernet Sauvignon, Tempranillo, Pinot Noir, das tintas, e Gwürztraminer, Chardonnay, Sauvignon Blanc, das brancas.

Também nesta época de colheita a Guatambu segue aberta recebendo os visitantes para visitação, tour e degustação. Somente os almoços harmonizados foram suspensos em função da pandemia. A direção da vinícola está organizando uma programação especial para celebrar a vindima em fevereiro, para confirmar os eventos e as respectivas datas aguarda o andamento desta nova onda de contaminações que colocou as comunidades em alerta.

Piquenique em Pinto Bandeira

Além da colheita para a elaboração de vinhos, espumantes e sucos, a vindima é uma ótima oportunidade para os turistas explorarem o principal destino enoturístico do país. Pensando em oferecer mais opções de lazer nesta época do ano e propiciar experiências ao ar livre, a Vinícola Aurora apresenta, de forma inédita, um delicioso piquenique em meio aos jardins de sua unidade em Pinto Bandeira, localizada a 140 km da capital gaúcha. A novidade está sendo oferecida aos sábados e domingos, das 10h às 17h. Em dezembro, a vinícola mais premiada do Brasil também lançou o Wine Walk, um passeio com degustação orientada em meio aos vinhedos, que marcou a abertura do exclusivo endereço da marca aos turistas.

O Piquenique nos Jardins custa R$ 280,00 para duas pessoas e dá direto a um box de petiscos, um garrafa de vinho da linha Pinto Bandeira ou de espumante da linha Procedências, além de duas taças de cristal, que podem ser levadas para casa como lembrança. Para as famílias com crianças, também está disponível a opção de piquenique kids, com petiscos e uma garrafa de suco de uva de 500ml. O preço para os pequenos é de R$ 70,00. A nova experiência está sendo comercializada exclusivamente no site Wine Locals, em https://www.wine-locals.com/passeios/piquenique-na-vinicola-aurora.

Degustação de vinhos e uvas de origem

Até o início de março, os enoturistas também terão à disposição o minicurso Uvas & Vinhos, oferecido apenas na unidade Matriz da Vinícola Aurora, em Bento Gonçalves (distante 17 km de Pinto Bandeira). Em aproximadamente duas horas de duração, o público degusta alguns vinhos e espumantes e as uvas que dão origem ao produto, como as variedades Chardonnay, Pinot Noir e Cabernet Sauvignon.

A experiência custa R$ 50,00 e ocorre de segunda a sexta-feira, exclusivamente às 15h. É obrigatório o agendamento pelo site Wine Locals, em https://www.wine-locals.com/passeios/minicurso-de-degustacao-na-vinicola-aurora-bento-goncalves. Também na Matriz da empresa é possível fazer, durante todo o ano, a famosa visita turística (gratuita), que ocorre de segunda a domingo, e a degustação da linha Super Premium (R$ 90), promovida aos sábados.

Para os amantes de chocolate

Inaugurada em julho de 2021, a loja da Vinícola Aurora junto à unidade Vale dos Vinhedos, também em Bento Gonçalves, reserva uma deliciosa experiência para os fãs de vinhos e chocolates. A degustação harmonizada combina o doce com os vinhos das linhas Reserva e Pequenas Partilhas, o espumante Aurora Moscatel Rosé e o vinho de sobremesa Colheita Tardia. A experiência custa R$ 60 e pode ser realizada terça a domingo, em dois horários, às 10h e às 15h.

No endereço, também são oferecidas as degustações orientadas das linhas Premium (R$ 60,00) e Super Premium (R$ 90,00). Elas podem ser realizadas de terça-feira a domingo e os ingressos também devem ser adquiridos no site Wine Locals.

 

 

 


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