Literatura

Vanguarda lança Apadrinhe uma criança

Campanha é uma das ações do projeto de incentivo à leitura, Uma página por dia

17 de Junho de 2022 - 09h15 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Gabriel diz que é um leitor \

Gabriel diz que é um leitor \"voraz\" e que isso mudou a sua vida (Foto: Divulgação - DP)

Na história Chico é uma criança apaixonada pelos dinossauros (Foto: Divulgação - DP)

Na história Chico é uma criança apaixonada pelos dinossauros (Foto: Divulgação - DP)

Dentro do projeto de incentivo à leitura, Uma página por dia - Devagar se lê o mundo, a Livraria Vanguarda lançou a campanha Apadrinhe uma criança, que vai levar o livro infantil escolhido é Chico e o osso de dinossauro, do escritor Gabriel Manetti, para alunos de escola municipal. O valor da obra é R$40,00, para contribuir é possível comprar um livro ou doar qualquer quantia pelo pix CNPJ 00489744000111.

Gabriel Manetti vai interagir com os estudantes na terça e quarta-feira, pela manhã, no Shopping Pelotas. Além de participarem de um bate-papo com o autor, as crianças vão receber um livro autografado e visitarão a exposição Mundo Jurássico. A ideia é que o livro chegue para mais de 600 crianças.

Esta é a mais uma ação da livraria, que no início de maio apresentou o Uma página por dia. O projeto foi criado a partir dos dados levantados pelo Instituto Pesquisas de Opinião (IPO) apontando, entre outras informações, que 50,3%, metade da população de Pelotas, tem o hábito de ler livros, mas 48,9% não. "Este evento faz parte de um pacote todo que a gente está mobilizado para tentar melhorar os índices de leitura", fala Elisabete Lovatel, proprietária da livraria Vanguarda.

Uma outra atividade que está ocorrendo são as visitas literárias na livraria, nas quais as crianças de escolas públicas e privadas conhecem a loja e as diferentes fases pelas quais passam um livro até chegar nas mãos dos leitores. Os jovens ainda participam de um momento de contação de histórias. "Tivemos até uma turma para os maiores que foi de oficina de quadrinhos", conta Elisabete.

Encontro para inspirar

Formado em Comunicação Social e Artes Cênicas, Gabriel Manetti foi descobrindo a habilidade de contador de histórias aos poucos. O primeiro contato ocorreu quando ainda era estagiário de uma emissora de TV em São Paulo e trabalhou na produção de um programa infanto-juvenil. Como ele era comunicativo e gostava de fazer imitações acabou integrando o elenco da atração. "Fiquei três anos como ator e fiz 50 personagens diferentes", conta.

Na sequência Manetti cursou Artes Cênicas e, posteriormente, tornou-se professor de teatro para crianças e adolescentes. Foi esse trabalho que o inspirou a criar, junto com Fábio Freire, o espetáculo Beatles para crianças, que percorre o Brasil há oito anos. "Sempre gostava muito de trabalhar com crianças e adolescentes, principalmente quando o assunto era teatro. Toda a minha experiência vem deste lance de estar em sala de aula", lembra.

Leitor "voraz", como ele mesmo se autodenomina, Manetti conta que sempre leu muito e, aos pouco, aprendeu a gostar de escrever e adaptar peças. "Esse lance de escrever você vai criando coragem, levei um tempo mais de estudo, quando eu li muito. Um bom escritor antes de tudo é um bom leitor", diz.

Foram essas experiências anteriores que resultaram no primeiro livro do ator, Chico e o osso de dinossauro. Na obra, lançada em 2020 pela editora InVerso, o protagonista é o menino Chico, que vive aquela fase em que as crianças ficam encantadas por dinossauros.

Segundo o autor a história se inspira na paixão que as crianças desenvolvem por alguns temas e, consequentemente, aborda outros assuntos, como vocação, o tempo e a relação com outras gerações. "Essas manias podem virar uma profissão e eu coloquei essa relação com o tempo e, principalmente, essa relação que eu gosto muito, entre avô e neto", descreve.

No ano passado o escritor lançou Socorro meu irmão virou um monstro, pela mesma editora, e a HQ Zeca e o mistério dos irmãos Lumière. Para o autor é extremamente importante o contato das crianças com os escritores, sendo uma forma de estimular o interesse pela leitura, por conhecer outros autores e livros. "É uma pessoa que pode contar como funciona o processo da escrita, bater um papo, fazer uma atividade. Sem falar o fato de plantar essa sementinha da leitura que é superimportante. A arte é transformadora, me transformou e me colocou nos trilhos, foi através da literatura, da música e do cinema que eu fui me encontrando. A leitura ajuda a sair da nossa bolha, olhar para fora, para outro", diz.


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