Educação

Vanguarda lança a campanha Uma página por dia

Proposta nasceu a partir de pesquisa do IPO apontar que 49,8% dos pelotenses não têm hábitos de leitura

02 de Maio de 2022 - 21h15 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Elisabete Lovatel procurou parceiro o IPO para concretizar a pesquisa sobre os hábitos de leitura do pelotense (Foto: Éder Rodrigues - Especial DP)

Elisabete Lovatel procurou parceiro o IPO para concretizar a pesquisa sobre os hábitos de leitura do pelotense (Foto: Éder Rodrigues - Especial DP)

Daniel Moreira, Elisabete Lovatel e Elis Radman apresentaram os dados e a campanha (Foto: Éder Rodrigues - Especial DP)

Daniel Moreira, Elisabete Lovatel e Elis Radman apresentaram os dados e a campanha (Foto: Éder Rodrigues - Especial DP)

Interessados em integrar a campanha com sugestões devem acessar o projeto Uma página por dia por meio deste QR code

Interessados em integrar a campanha com sugestões devem acessar o projeto Uma página por dia por meio deste QR code

Uma página por dia - Devagar se lê o mundo. Este é o slogan que vai nortear a campanha de estímulo à leitura que Livraria Vanguarda lançou ontem. A ação surge a partir de dados levantados pelo Instituto Pesquisas de Opinião (IPO), que apontou entre outras informações, que 50,3%, metade da população de Pelotas tem o hábito de ler livros, mas 49,8% não. A pesquisa foi desenvolvida entre os dias 4 e 6 de março e envolveu 400 entrevistados oriundos de diferentes pontos do município.

A pesquisa completa foi apresentada na manhã de ontem, no Shopping Pelotas, diante de uma plateia formada por educadores, empresários e profissionais liberais, entre outros. A prefeita, Paula Mascarenhas (PSDB), presente no evento, enfatizou que o estímulo à leitura é uma causa coletiva. "Mas todo mundo espera que o poder público resolva esse problema. Na verdade quando isso parte da sociedade, como o que está acontecendo aqui, as chances de sucesso são muito maiores", falou Paula, acrescentando em seguida que a prefeitura será parceira desse projeto.

Há alguns meses a empresária Elisabete Lovatel, proprietária da Livraria Vanguarda, ficou assombrada ao saber que 31% dos brasileiros nunca leram um livro. O índice nacional suscitou o desejo de saber como responderiam os pelotenses, foi quando a cientista Social e Política Elis Radmann, coordenadora e diretora do IPO, entrou de parceira desenvolvendo a pesquisa local. Com os dados nas mãos, Elisabete pensou que algo deveria ser feito. Ao Diário Popular, a empresária disse que não poderia ficar com essas informações somente para a empresa, ignorando o que poderia ser feito para que esses números sejam melhorados.

A campanha foi desenvolvida por um outro parceiro, a agência Incomum. O publicitário Daniel Moreira, sócio da agência, disse que a intenção não é levar ao público um projeto pronto. O objetivo é que as ações sejam construídas em diferentes frentes com a participação de mais parcerias. "Essa campanha deve ser da sociedade. Todos devem fazer parte dela. Mas participação será eficiente quando cada um se integrar apresentando aquilo que faz de melhor", falou.

A campanha lançada convoca a comunidade a participar dando também ideias de propostas de ações práticas. "A gente gostaria de avaliar essas ideias para apoiar a construção prática delas, então tudo o que for submetido para essa campanha vai passar por essa lapidação", esclareceu o publicitário.

As ideias poderão ser enviadas a uma curadoria organizada pela Vanguarda, para isso basta acessar um formulário, através de um QR Code, que está sendo divulgado pelas empresas. "Essa campanha precisa ser disseminada, as pessoas precisam saber que ela está acontecendo", disse Moreira. Feliz com a receptividade à campanha, que resultou de uma parceria entre empresas pelotenses, Elisabete Lovatel, proprietária da livraria disse que o trabalho feito até aqui abre agora espaço para que as pessoas se mobilizem criando ações de incentivo à formação de mais leitores.

Importância social

Elis Radmann, diretora do IPO, comentou que esse tema é de importância social e cultural, que vai incidir diretamente no desenvolvimento da nossa cidade. Sobre os dados levantados, a cientista social comentou que o número de 50,3% de leitores pode parecer gritante, mas, infelizmente, se aproxima do indicador nacional. "Nós temos já uma relação com a leitura, a questão é a ampliação desses números. Nós temos gargalos históricos e estruturais para além das nossas gerações, um déficit muito grande, mas somo nós que vamos resolver coletivamente e não tem melhor estratégia do que apostar na educação, essa é chave da virada do modelo mental", disse.

Entre os dados que a pesquisa apurou, impressionou a plateia saber que dos 50,3% que possui o hábito de leitura, mais da metade, 29,4%, lê de um a dois livros por ano, o que é considerado muito pouco, e apenas 4,5% lê de sete a oito obras anualmente. Dos entrevistados que afirmaram ter o hábito da leitura, aqueles que estão entre 16 e 24 anos são apontados como os que têm a maior média livros por ano: 8,7, diante 6,7, 6,6 e 4,3 dos inseridos, respectivamente, nos intervalos entre 25 e 34 anos, 35 e 44 anos e 45 a 59 anos.

Dos 49,8% que não costumam ler, 65,% deles residem na região do São Gonçalo e 54,8%, no bairro Três Vendas. Dos que leem, 68,1% vivem nas regiões Centro/Porto. Segundo Elis esse número acima da média se apresenta em função de os habitantes desse setor terem uma renda mais harmônica.

Outro dado constatado é que quem tem ensino superior lê mais. A pesquisa ainda apresenta que leitores com renda entre três e cinco salários mínimos mostram preferência por livros que estimulem o conhecimento, a cultura e a informação, em diferentes campos do saber. Já quem tem renda entre um e dois salários mínimos apreciam a leitura religiosa, de autoajuda ou motivacional. A pesquisa completa pode ser acessada no perfil da campanha no Instagram (@1pagpordia).

 


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