Arte e resistência!

União entre poesia e militância

Livro Sonoridade Adinkra, da professora Marielda Medeiros, será lançado na tarde deste sábado na Bibliotheca Pública

13 de Novembro de 2021 - 10h42 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Pintura criada pela filha Mikaela Medeiros e por Thiago Baltazar também integra o livro (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Pintura criada pela filha Mikaela Medeiros e por Thiago Baltazar também integra o livro (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Reflexão. Autora une os versos ao significado de ideogramas africanos (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Reflexão. Autora une os versos ao significado de ideogramas africanos (Foto: Carlos Queiroz - DP)

... Mulheres meninas, muitas vezes insanas
Apaixonadas, brincalhonas, brejeiras, guerreiras, amigas, companheiras
São Binutas, Terezas, Odetes, Jandiras
Minha afrocentricidade carrego comigo
Eu não ando só!

Os versos integram uma das 42 poesias que compõem o livro da professora e ativista social Marielda Barcellos Medeiros. E já logo na capa, através do símbolo africano Sancofa, a pelotense espalha o primeiro recado. Através da mensagem Volte e pegue, a militante do movimento negro faz um convite para os leitores reconectarem-se ao passado para ressignificarem o presente e buscarem novos caminhos para construir o futuro.

"Pra mim, lançar este livro é uma ação política e artística, ao mesmo tempo", resume. E a obra de estreia, intitulada Sonoridade Adinkra, não traz apenas os textos que passaram a ser criados em 2009 e permaneciam engavetados. Em 56 páginas, Marielda une cada uma das poesias aos símbolos Adinkra e seus significados, devidamente explicados em anexo ao final. É mais um universo a que ela tem se dedicado nos últimos 20 anos.

"Cada palavra sonorizada carrega um pouco de tantos outros que vieram antes de mim e que estão no meu presente. Na minha essência", destaca.

Arte estava lá, guardada

O desejo de se dedicar às artes seguia guardado. Há décadas. E estava no DNA. Marielda cresceu ouvindo a mãe Tereza cantando pela casa. E não era apenas pela residência, no bairro Simões Lopes, onde ela soltava voz. Tereza Porto, como ficou conhecida, era cantora de rádio. Participava de festivais. Orgulhava a família com as interpretações de Música Popular Brasileira (MPB).

Em julho de 2017, quando Marielda se aposentou da rede municipal de ensino, viu abrir-se um caminho para, finalmente, dar mais vazão aos versos. E aos sonhos. Era hora de agrupar a poesia com a militância do movimento negro. Uma luta que começou ainda na adolescência, aos 14 anos, quando muitos porquês ficavam sem resposta. Ainda na infância, o racismo ficava evidente. E machucava. Não raro, via os colegas da Escola Municipal Balbino Mascarenhas negarem-se a sentar em dupla com ela, 'a guria de nariz de batata e cabelo bombril'.

"Eu queria saber mais da história, que a escola não contava". E foi em busca. Hoje, doutoranda em Antropologia pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), aos 56 anos, ela mantém o ativismo. E lança indagações: que tipo de sociedade a gente quer? Como combater as diferentes formas de violência?
"A morte não é só a partir de uma faca ou de um tiro. A morte também vem a partir do momento que a nossa cultura, a nossa identidade, a nossa essência é negada", cutuca. "Isso causa uma morte para população negra e para população indígena, mas causa também uma perda enorme para a construção de um país melhor", defende.

O que são os símbolos Adinkra? 

São um conjunto de ideogramas - símbolos gráficos - pertencentes aos povos Akan, um grupo linguístico originário da África Ocidental. Por muitas vezes, os símbolos Adinkra são estampados em tecidos, esculpidos em peças de ferro e talhadas em objetos de madeira.

Saiba mais

Livro Sonoridade Adinkra, de Marielda Barcellos Medeiros
Editora: MS2 Editora
Edição: Sandra Narcizo
Projeto Gráfico: Daruma Comunicação e Marketing, Guiga Narcizo e Luan Dutra
Diagramação: Alex Barreto
Pintura: Mikaela Medeiros e Thiago Baltazar

Prestigie o lançamento! (*)

Quando: Neste sábado, às 15h
Onde: Na Bibliotheca Pública Pelotense, durante programação da Jornada Cultural Adão Monquelat
(*) Para entrar, é preciso de senha. Portanto, chegue um pouco antes do horário

Pedidos de compra e informações:

- E-mail: editora@ms2produtora.com
- Telefones: (51) 99609-1716 e (53) 99145-9247
- Valor: R$ 30,00

 


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