Publicação

Uma trajetória em 90 figurinhas

Projeto editorial apresenta a história de Pelotas de forma lúdica

28 de Novembro de 2020 - 12h28 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Álbum vem com 90 figurinhas coláveis (Foto: Geovani Corrêa - Especial DP)

Álbum vem com 90 figurinhas coláveis (Foto: Geovani Corrêa - Especial DP)

Equipe formada por, a partir da esquerda, Guilherme Alemeida, Duda Keiber, Eduardo Arriada, Valder Valeirão e Geovani Corrêa (Foto: Geovani Corrêa - Especial DP)

Equipe formada por, a partir da esquerda, Guilherme Alemeida, Duda Keiber, Eduardo Arriada, Valder Valeirão e Geovani Corrêa (Foto: Geovani Corrêa - Especial DP)

As gerações se sucedem, a tecnologia avança, mas a alegria de ter um álbum de figurinhas preenchido ainda estimula crianças, jovens e adultos. Um velho hábito que encanta e une as famílias. É alicerçado nesse espírito lúdico que nasce Figurinhas de Pelotas, projeto financiado pelo Procultura municipal, que oferece para quem quer conhecer um pouco mais sobre a história da Princesa do Sul ou apenas vê-la sob outro ângulo, a partir de uma proposta divertida e educativa.

O projeto é do produtor cultural Duda Keiber com a participação dos professores e pesquisadores Guilherme de Almeida e Eduardo Arriada, que coordenaram a pesquisa, do designer Valder Valeirão, da Nativu Design, que a direção artística, e do fotógrafo Giovane Corrêa, responsável pelas fotos atuais e assessoria de imagem. O álbum tem ainda apoio da Otroporto, Sagres e Volante Digital Culture.

Keiber conta que a ideia nasceu em 2018, quando ele estava relendo o Almanaque do Bicentenário de Pelotas - projeto do qual ele foi integrante - em casa e os filhos dele estavam colando figurinhas da copa do Mundo de futebol. A cena das crianças de imediato foi o estopim do projeto. "O Almanaque é muito grande, com textos longos e ele visava esgotar as temáticas ou trabalhar mais profundamente possível. Já o Figurinhas tem uma proposta mais visual, lúdica não se aprofunda muito nos assuntos, mas ele pincela coisas muito legais, com textos legais", conta.

Com a ideia na cabeça, logo surgiu o projeto que concorreu e conquistou uma vaga no Procultura 2019. O financiamento foi liberado em março, quando efetivamente a proposta começou a tomar forma.

Como este é um projeto muito visual, vários fotógrafos contribuíram com imagens para o álbum, como Jô folha, Gustavo Vara, Carapeto, Nauro Júnior, Dani Xu, Marcelo Soares, Gustavo Mansur, Luiz Fabiano e Carlos Queiroz, entre outros. "Usamos também muita imagens de acervo e imagens que a gente montou conforme o roteiro", lembra Keiber.

A publicação tem 24 páginas e traz 90 figurinhas coláveis e 15 de brinde. Keiber explica que a opção por vender o álbum com as figurinhas foi mesmo para baratear os custos.

Da natureza às questões sociais

Dividido em 13 temas, o álbum traz assuntos relacionados com a natureza, as questões sociais, a cultura e a arte, os lugares, e as figuraças e personalidades. Fazendo a colagem dos temas estão pequenos textos escritos por Keiber, Almeida e Arriada, além de fragmentos de impressões de viajantes.

Ao folhear a obra o leitor verá que ela aborda aspectos da história da cidade, como a origem do nome do município, a escravidão, passando pelos viajantes que aqui estiveram e fizeram registros dessa passagem, até os dias de hoje. Há ainda citações de lugares conhecidos como o quadrado e desaparecidos, como o parque Souza Soares.

Em um dos capítulos foram refeitas fotos de mais de cem anos, há também uma evolução imagética da praça Coronel Pedro Osório e a última parte do álbum faz registros da pandemia de Covid-19 em Pelotas. O tema não poderia ser deixado de lado, visto que a obra foi construída bem nesse período.

A publicação ainda traz homenagens a nove "figuraças" da cidade, do passado e do presente, vinculadas à educação e cultura, como a Giba Giba, DJ Helô e o músico Vitor Ramil, por exemplo. "O álbum liga várias coisas que são nossas e ao mesmo tempo o objetivo é não esgotar no volume 1, porque é tanta temática e ficou muita coisa de fora. Agora a gente tem a missão de seguir essa brincadeira", comenta Duda Keiber.

Essa foi uma das sessões que mais deram trabalho devido ao volume de pessoas que eles gostariam de destacar. A ideia é retomar o tema em uma próxima edição, trazendo nomes ainda não citados.

Uma curiosidade, lembra o produtor cultural, está relacionada a última modificação no álbum, que teve de ser feita justamente neste setor. Mais precisamente nas informações sobre uma das homenageadas, a mestre griô Sirley Amaro, que morreu em 28 de outubro deste ano. Essa data teve de ser incluída no álbum.

Uma das alegrias do grupo é ter tido a participação de Sirley na escolha da imagem. A griô sabia da homenagem e ela mesma aprovou a foto que foi utilizada.

Arquivos pessoal e digital

Guilherme Almeida conta que a pesquisa foi feita nos arquivos dos próprios pesquisadores, especialmente a parte de imagens, boa parte delas cedidas pelo professor Arriada, e em acervos digitais. Sobre a escolha dos temas, Almeida diz que foi difícil chegar a termo definitivo sobre os temas. A todo momento havia necessidade de se alterar. "Teve a questão da pandemia que a gente tinha que incluir. Não tinha como não falar, já que mudou a nossa rotina", comenta. Keiber concorda que o mais complicado foi roteirizar a obra.

Entre os temas, Almeida destaca que era impossível deixar de fora as hidrovias, que no passado foram tão importantes para Pelotas. "Já começa com uma foto ligada a isso. Tudo vem dessa função, por isso procuramos destacar."

O professor comenta ainda que um balizador das temáticas foi o potencial para se tornar uma figurinha. Bons temas, mas sem imagens ou imagens ruins precisavam ser repensados. "É uma responsabilidade muito grande colocar a história da cidade em 90 figurinhas", diz..

Outro assunto que é bem marcante no álbum, avalia Guilherme Almeida, é a visão crítica que a publicação traz sobre a escravidão. "Vem em consonância com esse debate em torno do racismo, que temos agora."

Independentemente do tamanho do problema a ser resolvido, o pesquisador conta que foi uma grande alegria trabalhar para a construção desse projeto. Foi um processo maravilhoso trabalhar com um pessoal que a gente admira tanto. A equipe tem uma sintonia muito grande, desde o Almanaque do Bicentenário. Pessoas que amam muito a cidade e querem fazer um trabalho bonito. A gente fez de coração. E visualmente ele (o álbum) é espetacular", diz o pesquisador.

Todas as escolas públicas do município vão receber o álbum para ter como instrumentos de educação. Segundo os autores, a proposta é também uma provocação para que as pessoas saiam da frente da tevê, larguem os celulares, reúnam-se em família e que tenham informações interessantes sobre a cidade que mora ou que aprecia, tanto visual, quanto textual, que apreciem mais a história da sua terra e se apropriem dela.

À venda

O álbum com as figurinhas está em fase de pré-venda e pode ser adquirido ao preço de R$49,90 para retiradas em Pelotas e R$59,77, com frete para envio, pelo site https://figurinhasdepelotas.com.br/ . Há ainda a possibilidade de adquirir pacotes com mais álbuns.

Como o impresso está na gráfica, a entrega deve ser iniciada a partir de 10 de dezembro. De acordo com os organizadores, 30% do valor arrecadado será destinado para a Associação Otroporto Indústria Criativa para investimento em ações culturais.

O Figurinhas integra um plano de ação da Otroporto e foi todo desenvolvido na sede novo. O álbum faz parte de um eixo dentro da associação dentro das ações de educação, cultura e patrimônio.

Serviço

O quê: lançamento do álbum Figurinhas de Pelotas

Pré-venda: pelo site https://figurinhasdepelotas.com.br/

Preço: R$49,90 (retirada em local pré-determinado)

 


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados