Publicação

Trajetória de Luciana de Araújo vira livro

Obra infantil nasce de projeto criado em parceria entre o escritor Jorge Braga e a direção da escola municipal que leva o nome da homenageada

13 de Maio de 2022 - 12h10 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Na equipe, a professora Simoni, ao centro, a ilustradora Larissa e o escritor (Foto: Divulgação - DP)

Na equipe, a professora Simoni, ao centro, a ilustradora Larissa e o escritor (Foto: Divulgação - DP)

Ilustradora Larissa Silva criou uma obra bem colorida para a publicação (Foto: Divulgação - DP)

Ilustradora Larissa Silva criou uma obra bem colorida para a publicação (Foto: Divulgação - DP)

Capa do livro que será lançado no aniversário do Instituto São Benedito (Foto: Divulgação - DP)

Capa do livro que será lançado no aniversário do Instituto São Benedito (Foto: Divulgação - DP)

As aventuras de Lu, livro infantil que aborda a história de Luciana Lealdina de Araújo será lançado nesta sexta-feira (13), às 10h, no Instituto São Benedito, entidade beneficente fundada por ela em 1901. A obra do escritor Jorge Braga, com ilustrações de Larissa Silva, resgata de forma lúdica a trajetória de uma mulher que deixou um legado de empatia e solidariedade que até hoje repercute na comunidade pelotense. O evento alusivo aos 121 anos do Instituto é uma proposição da Frente Parlamentar do Tradicionalismo e da Cultura Popular, da Câmara de Vereadores, presidida pelo vereador Paulo Coitinho (Cidadania).

O livro começou a ser projeto em 2019 a partir de proposta pedagógica da direção da Escola Municipal de Ensino Fundamental Luciana Araújo, com o objetivo de resgatar e valorizar a atuação de Luciana no início do século 20 em Pelotas. A professora Simoni Tomaschwski, que fez a apresentação do livro e era diretora da escola na época, conta que a obra foi um sonho acalentado por muitos anos. "Estou feliz por esse sonho ter se realizado", diz.

Na escola, relembra Simoni, a história de Luciana sempre foi trabalhada em sala de aula e as crianças gostavam muito de conhecer ou relembrar essa trajetória inspiradora. Ao mesmo tempo a direção percebia que na comunidade pelotense a história de Luciana de Araújo era pouco conhecida. Em 2017, quando a escola desenvolveu um projeto de revitalização do nome da benfeitora, surgiu, entre as ações, a ideia do livro infantil. Porém o projeto não foi adiante.


Ajuda de fora

A esperança de concretizar o projeto se reascendeu em 2019, com a chegada do escritor Jorge Braga, que desenvolve na rede municipal de ensino um trabalho dentro da proposta educativa o Autor Presente, do Instituto Estadual do Livro (IEL), órgão da Secretaria de Estado da Cultura. "Contamos sobre o projeto para ele e oferecemos uma parceria", relembra a professora.

Como não havia verba para a execução do projeto, Braga trouxe a ideia de fazer um financiamento coletivo para a publicação de 300 livros. "Eu disse para ela (Simoni), se esse é um sonho, vamos torná-lo realidade. Mas a minha ideia era fazer mil livros e doá-los para a escola", conta o escritor. Entretanto o valor arrecadado foi insuficiente e Braga teve de entrar com recursos próprios para efetivar a publicação. Agora a prefeitura vai financiar e distribuir a publicação de mil exemplares.

No livro a personagem Lu, uma aluna da escola, conta a história de Luciana de Araújo. A ideia deu tão certo que Jorge Braga projeto uma série sobre personalidades afro-brasileiras do século 20 que tiveram relevância na comunidade pelotense. "A minha ideia inicial é que a Lu faça essas apresentações", diz o autor.

Mãe escrava

A porto-alegrense Luciana Lealdina de Araújo nasceu em 1870, de uma mãe escrava. Em 1900 veio morar em Pelotas onde iniciou seu trabalho de proteção às crianças desamparadas, especialmente as meninas negras e órfãs. Em 6 de fevereiro de 1901 numa reunião pública foi fundado o Asilo de Órfãs São Benedito por iniciativa de Luciana e, em 13 de maio, foi oficialmente inaugurado. No início a entidade era mantida através de donativos que a própria Luciana recolhia peregrinando pelas ruas da cidade.

"Ela era uma guerreira, um exemplo, uma mulher que merece aplausos", diz o escritor. "Sua trajetória merece todo o nosso respeito e reconhecimento. É preciso valorizar pessoas como Luciana", escreveu na apresentação a ex-diretora da EMEF Luciana de Araújo, Simoni Tomaschwski. A obra está à venda diretamente como autor, contatos pelo perfil de Jorge Braga no Facebook.


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados