Celebração

TOCO completa dez anos e faz curso de formação

Projeto de Teatro do Oprimido da UFPel tem atuação em toda a cidade debatendo temas importantes

26 de Junho de 2020 - 14h02 Corrigir A + A -
Grupo esteve em recentes atos a favor da democracia (Foto: Divulgação - DP)

Grupo esteve em recentes atos a favor da democracia (Foto: Divulgação - DP)

A experiência teatral é libertadora. Debate de forma lúdica os temas pesados e necessários da sociedade. Há dez anos, é esse o objetivo do Teatro do Oprimido nas Comunidades (TOCO), projeto de extensão da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) que já passeou por toda a cidade. O grupo está atualmente com inscrições abertas para um curso de formação com início em julho.

O TOCO nasceu em 2010 a partir do interesse de estudantes em levar para as comunidades de Pelotas as reflexões que surgiam em sala de aula acerca de um teatro feito por todas as pessoas, com as pautas de opressão sendo debatidas em um campo de interação real entre a universidade, os artistas e espaços comunitários como escolas associações de bairro e centros de referência.

Atualmente, o projeto atua em três frentes: um curso de formação, organização de lives em plataformas abertas sobre racismo, LGBTfobia e feminismos, e a produção de vídeos que serão postados na página nas redes sociais com experiências cênicas de teatro do oprimido.

Atual bolsista do projeto, o acadêmico Ismáiler Borges afirma que o Toco contribui na formação à medida em que propõe esse novo conceito de relação com as pessoas e com o mundo. “A partir dele, me identifiquei perante a sociedade que estamos inseridos, observando e entendendo todas as questões sociais que são assuntos tão pertinentes”, diz, definindo como desafiadoras as experiências com as turmas ao longo de dois anos de TOCO.

Há três anos no projeto, o aluno Alisson Godoi destaca o potencial de empoderar que o TOCO possui, para todos os envolvidos. “Acho isso muito importante, pois é um papel de ser um agente transmissor dessa mudança que queremos para a sociedade, de um pensamento mais crítico sobre nossas ações e atitudes.”

Uma das estudantes há mais tempo no grupo - são quatro anos de projeto -, Mélanie Wrege conta que se sentiu desperta por dois momentos específicos ao longo dessa trajetória: as manifestações pela democracia em maio e a vivência nas escolas, onde pode levar a reflexão sobre empoderamento negro e a sigla LGBTQi+. “Na escola, a potência da capoeira se mostrou através da ancestralidade e como, além da discussão sobre racismo, poderíamos buscar fontes (das mais diversas) pra achar identificações, fortalecimento e também utilizar de toda arte e beleza que existe nesse jogo/dança. A discussão sobre LGBTQi+ foi única para muitos alunos se compreenderem e aceitarem, visto que muitas famílias negavam quem eles eram e também para outros colegas respeitarem todo e todas. Nas manifestações estávamos fazendo uma arte política, junto a secundaristas e proletários, lutando por uma universidade pública de qualidade, dialogando com o público e manifestantes através de imagens e de nossos corpos, interagindo com questões que eram de interesse da maioria ou até mesmo de todos os moradores de Pelotas.”

De acordo com a professora Fabiane Tejada, coordenadora do projeto, a conclusão dessa década de atividades é de que cada vez mais se torna necessária uma formação artística universitário que esteja próxima da população, “com diálogo para formarmos profissionais verdadeiramente comprometidos com as demandas sociais e para estimularmos a presença da Arte em espaços variados.” Para ela, foram diversos os encontros emocionantes dentro do projeto. Estão entre eles a participação no grupo de mulheres do Dunas e na Colônia Z-3, entre 2010 e 2011, e a expansão para cidades vizinhas como São Lourenço do Sul e Capão do Leão, onde o TOCO atuou por três anos com oficinas teatrais.

Formação

Em celebração aos dez anos, o TOCO realizará a partir do dia 6 de julho um curso de formação. Ele será realizado de forma online e tem por objetivo agregar novos integrantes ao grupo. As inscrições estão abertas até o dia 29 para estudantes de qualquer curso de graduação da UFPel (5 vagas) e para estudantes do curso de Teatro-Licenciatura (10 vagas). Para se inscrever, basta enviar nome completo e curso para o e-mail toco.ufpel.to@gmail.com.


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