Caderno Estilo

Teve muita música em 2019

Pelotas registra mais de 20 discos e EPs autorais lançados em diversos gêneros e sonoridades

08 de Dezembro de 2019 - 09h30 Corrigir A + A -
Novidade. Projeto Oxley lançou trabalho autoral de pop rock.(Foto: Divulgação)

Novidade. Projeto Oxley lançou trabalho autoral de pop rock.(Foto: Divulgação)

Rimas. Álbum de Zudizilla teve repercussão nacional. (Foto: Filipa Aurélio)

Rimas. Álbum de Zudizilla teve repercussão nacional. (Foto: Filipa Aurélio)

Punk. Marinas Found evoluiu com seu Ansiolítico. (Foto: Helena de Oliveira)

Punk. Marinas Found evoluiu com seu Ansiolítico. (Foto: Helena de Oliveira)

Rafael Manso lançou EP de lo-fi (Foto: Divulgação)

Rafael Manso lançou EP de lo-fi (Foto: Divulgação)

Rock, rap, nativista, MPB, teve de tudo no 2019 da música autoral pelotense. Do punk da Marinas Found ao nativismo do Crioulo do Rio Grande, todo mundo deve ter se sentido representado com os lançamentos dos artistas da cidade no ano que em breve se encerrará. O caderno Estilo, nesse fim de semana, faz um apanhado de mais de 20 discos e EPs nascidos por aqui até o momento.

Todo o rock
Do Procultura Pelotas, nasceu um dos mais consistentes trabalhos de 2019. O trio Esquimós, agora um duo, lançou Bonança, disco que é um retorno e tanto dos impostos pagos pelo contribuinte. Com a construção de uma atmosfera totalmente própria, o álbum de Joaquim Mota, Cesar Goulart e Mateus Costa (que deixou a banda) é certamente um dos destaque do ano.

Dentro do estilo, outro lançamento interessante é Cinema real, do projeto Oxley, formado pelos músicos Leonardo Oxley e Doug Osinaga, que assina também a produção. O disco mistura o rock com outros elementos, como o violino, e traz forte carga tanto nas letras como nas guitarras que as acompanham. “O principal desafio no lançamento de um álbum na atualidade é buscar um público que queira conhecer o que ainda não conhece. Hoje tudo é muito rápido e, muitas vezes, as pessoas não param para realmente ouvir e absorver um trabalho”, comenta. “Hoje o CD virou mais um cartão de visita do que o produto final. Embora eu siga achando importante ter o disco físico”, completa Luciano.

Na outra ponta do rock, representando o hardcore e o punk, a Marinas Found talvez tenha sido a banda que mais evoluiu em 2019. Esse processo está presente em Ansiolítico, disco que se aproxima da proposta original dos Titãs, ainda que não se distancie das influências originais de bandas como Blink-182. De acordo com o guitarrista do grupo, Eduardo Walerko, a repercussão do lançamento tem sido tranquila. “Nos limites do possível, especialmente porque nossa grande dificuldade é angariar fundos pra divulgá-lo com propriedade.

Ainda assim, as pessoas que ouviram sempre nos deram feedbacks positivos e nos desejaram bastante sucesso”, diz, destacando a produção de videoclipes para a internet como uma estratégia utilizada. A Marinas Found dividiu recentemente o palco com a santista Surra, destaque nacional de 2019, e é formada atualmente por Eduardo Walerko, Pedro Soler, Pieto Strickler e Murilo “Travis Barker Pelotense” Uarth, que substituiu recentemente o baterista Arthur Feltraco.

Além destes, Pelotas teve outros bons representantes do rock com lançamentos em 2019. Entre eles As Longas Viagens, Jukebox Orquestra e Bruno Chaves.

Experimentar
Foi também um ano interessante para a música experimental na cidade. Dentro dessa vertente é destaque o lançamento do EP 2050, do Bits em Chamas. O duo é formado pelos músicos Alércio e Vini Albernaz, conhecidos pelos trabalhos com a Canastra Suja e, atualmente, a Musa Híbrida. No novo projeto, os dois uniram melodias que nasciam via internet na fervente panela de pressão que é o Brasil 2019. Temas como o desmatamento e as queimadas na Floresta Amazônica estão abordados nas quatro canções que compõem o material.

Outro destaque da experimentação musical é Invisible hours, estreia de Rafael Manso no lo-fi. Ele conheceu o gênero em 2017 e, desde então, passou a absorvê-lo cada dia mais até se tornar naturalmente influência no som que o músico produz. Sobre as influências, ele destaca principalmente o produtor britânico Tom Misch, além de FKJ, Mac Ayres, L’indécis, Honne. “Gosto muito dessa linha Neo Soul, e o Chill em geral.”

O processo da experimentação tem seus desafios e Manso destaca a centralização das decisões como o principal deles. “Não há outro ouvido crítico e uma visão de fora do trabalho, principalmente nas etapas de mixagem e masterização, que são consideravelmente mais técnicas do que o processo de produção em si”, explica, citando também a escolha por não utilizar samples (partes de outras músicas) - é ele quem produz cada som utilizado.

Os obstáculos, entretanto, também o fascinam. “Acabo vivendo intensamente o processo. Ver a tua obra tomando forma aos poucos é massa demais, e escutar ela pronta no final é com certeza bem gratificante”, completa. Entre os planos para 2020 está o lançamento de novas canções, além de fazer shows e colaborações com outros artistas e lançar um novo projeto, mais dançante e sem ser instrumental.

Sempre o rap
Tratando-se de Pelotas, claro que teve rap em 2019. E teve muito rap em 2019. Um dos principais destaques foi De onde eu possa alcançar o céu sem precisar deixar o chão, de Zudizilla. O disco, que sucede o aclamado Faça a coisa certa, foi elogiado por veículos nacionais, como a Rolling Stone, e concorre em premiações dos melhores do ano no país. As canções, com o tom clássico de Zudizilla, mostram os desafios de um artista que quer conquistar mais, mas sem perder as raízes.

Apadrinhado por Guido CNR, o talentosíssimo Zombie Johnson também lançou disco em 2019. O título não poderia ser mais propício: Ver$átil traz um rapper com mais itens eletrônicos e abordando diferentes assuntos, ao contrário do rap cru e contestador dos lançamentos anteriores - a qualidade segue firme, entretanto, e o discurso também.

Representante da primeira geração do rap pelotense, Ligado Branco Radical também não passou batido por 2019. Ele lançou o EP Desde 1973, contando um pouco da própria história. Outro destaque foi o lançamento de Alma, coletânea do Dunas Rap, coletivo de artistas que produzem no estúdio Casa Brasil.

O nosso apanhado
Zudizilla - De onde possa alcançar o céu sem precisar deixar o chão

Marinas Found - Ansiolítico

As longas viagens - A conquista do inútil

Bits em chamas - 2050

Juan Pablo - Merece

Esquimós - Bonança

Oxley - Cinema real

Rafael Manso - Invisible hours

Pimenta Buena - Disco 3

Tom Neves - Caminho do bem

Dunas Rap - Alma

Crioulo do Rio Grande - Crioulo do Rio Grande

Uilson Paiva - Saber dizer

Ligado Branco Radical - Desde 1973

Zombie Johnson - Ver$átil

Alexandre Castro - Aclive

Dênis Feijó - Visão periférica

Asahel M - Recovery

Jukebox Orchestra - Ato II e Ato II

Bruno Chaves - A noite e mais eu

Xana Gallo - Roda rodou


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