Arte

Stay black lança edital para oficinas

Contemplado no Natura Musical, Tem preto no sul oportunizará contato com escrita criativa, produção musical e expressão corporal

25 de Maio de 2020 - 14h02 Corrigir A + A -
Slammer. Poeta Mel Duarte ministrará curso

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O projeto Tem Preto no Sul, patrocinado por Natura Musical, é produzido pelo coletivo Stay Black e tem como objetivo profissionalizar e valorizar os artistas pretos do Rio Grande do Sul. Pensando nisso o projeto lança um edital para selecionar três artistas e ajudá-los na sua profissionalização para o mercado da música, através de oficinas de composição, produção musical e expressão corporal, além da produção de material fonográfico (EPs).

Serão selecionados, através de edital, três artistas pretos (cis, trans, binários e não binários), que possuam projetos para serem gravados. A seleção será feita através de uma curadoria local e os aprovados terão oficinas de produção musical ministrada pelo DJ Martins (Marcelo D2, zilladxg, Casa da Cultura Hip Hop de Esteio); composição e escrita criativa com instrução de Mel Duarte (Slam das Minas/SP) e expressão corporal com Manoela Fortuna (Tholl, Belle Époque, The Voice). Devido às medidas de prevenção ao novo coronavírus, as oficinas serão realizadas online.

Ao final da residência artística, os artistas selecionados gravarão três faixas autorais em estúdio profissional. As cópias físicas do EP serão distribuídas gratuitamente no evento de encerramento do projeto. As inscrições para o edital estarão disponíveis entre os dias 30 de maio a 20 de junho de 2020 nas redes sociais da Stay Black em facebook.com/stayblacksatolep e instagram.com/stayblackblack.

O coletivo também está produzindo um documentário batizado como “Tem Preto no Sul”. O material audiovisual aborda a contribuição da população negra do Rio Grande Sul para construção artística e cultural do Estado e denuncia seu apagamento histórico, fato que torna os artistas negros invisibilizados no resto do país.

O Tem Preto no Sul foi selecionado por Natura Musical, por meio da lei estadual de incentivo à cultura do Rio Grande do Sul (Pró-Cultura), ao lado de B.art, Zudizilla e Tagua Tagua, por exemplo. No Estado, a plataforma já ofereceu recursos para 30 projetos até 2019, como Filipe Catto, Bloco da Laje, Borguetti e Yamandu, Musa Híbrida, Sons que Vem da Serra e Thiago Ramil. “Este projeto, assim como os demais selecionados pelo edital Natura Musical, tem a potência de gerar impacto positivo no ecossistema onde está inserido. Isso se traduz em ações de inclusão, apoio à diversidade e educação. São pilares que impulsionam as mudanças que desejamos vivenciar no mundo”, afirma Fernanda Paiva, gerente de Marketing Institucional da Natura.

Sobre a Stay Black
A Stay Black é um coletivo cultural que surgiu em 2016 na cidade de Pelotas (cidade com maior número de pessoas pretas do Estado proporcionalmente) e com fortes marcas da escravidão em sua construção. Buscando dar visibilidade a trabalhos artísticos feitos pela população preta, intelectualização, fomento de cena e fortalecimento da economia solidária movimentada na cidade. Através do incentivo ao empoderamento e o fortalecimento da autoestima da comunidade preta, o coletivo realizou, ao longo de quatro anos, mais de 30 eventos, a produção de mixtapes instrumentais, um livro de poesias e contou com participação de muitos artistas locais e de projeção nacional em seus eventos. Atualmente a Stay Black organiza e realiza festas, eventos de rua, rodas de conversa, debates e usa a arte e a cultura como ferramentas de emancipação do povo preto. O maior objetivo do coletivo é difundir a autonomia e movimentar a cadeia econômica e cultural gerida por e para pessoas pretas no Estado.


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