Arte

Sobre o vestir (e o despir)

Madu Lopes expande seu universo fantástico com a representação de seres que rompem padrões na exposição "Desnudo", no Àgape

07 de Maio de 2019 - 12h30 Corrigir A + A -

Fotos: Paulo Rossi 

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Seres esguios, de cabeleira cacheada e volumosa, dotados de um fino bigode e longos cílios, mantendo-se elegantes sob a altura de um salto alto ou através de uma extravagante maquiagem. Cada um deles, em maior ou menor dimensão, revela-se uma persona que o artista Madu Lopes tira da cartola em sua nova exposição, Desnudo, com visitação a partir de hoje no Ágape.

O conjunto é formado por 24 obras, basicamente pinturas, sendo a maior parte produzida para a mostra. O artista define o resultado como uma transição em seu processo criativo. "Nasceu de uma necessidade de experimentar algo novo, sair da zona de conforto, foi quase como uma troca de pele", comenta.

A proposta de Desnudo busca desenvolver outros arquétipos para o imaginário do artista, principalmente aqueles que se encontram entre o masculino e o feminino. São seres híbridos, andrógenos, que rompem padrões e descartam rótulos. O criador prefere utilizar o conceito de drag. "Não é homem, mulher ou animal, é uma mistura de tudo", define.

Desta forma, a exposição implica na discussão sobre questões de gênero, ainda que esteja inserido dentro da marca registrada de Madu: o ambiente da fantasia. O efeito recai no público, que é provocado a refletir sobre as relações entre o lúdico e o mundano.

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O próprio artista se identifica com os personagens, admitindo uma nova entrega a suas telas. "Desta vez me coloquei bem mais nas obras. Me reconheço em muitos olhares, como estivesse me enxergando no espelho", acredita. Do ato de se despir para a arte, surgiu o título da mostra, uma sugestão do curador Giovanni Bosica.

Com as tintas e os pincéis, Madu parte rumo à liberdade, tendo como resultado a expansão de seu universo. A fábula colorida ganha tons mais escuros, de contestação. Mais real. Os seres, em sua maioria, se encontram em posições frontais, encarando o espectador com um olhar penetrante. Apresentam-se como personas seguras de si, livres para se expressar.

Trajeto recente
Esta é a primeira exposição de Madu Lopes no Ágape. O artista visual é natural de Dom Pedrito, mas mora há 26 anos em Pelotas. Suas últimas exposições na cidade foram Estrelário aceso, no Espaço de Arte Daniel Bellora, e Asterismos de Lopes, no Shopping Pelotas, ambas em 2016. Nos últimos anos desenvolveu projeto cenográfico para a Feira Nacional do Doce (Fenadoce). Possui reconhecimento nacional por sua produção artística, com inúmeros pedidos de encomendas.

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O quê: exposição Desnudo, de Madu Lopes
Quando: até o dia 1º de junho, de segunda a sexta, das 10h às 12h e das 14h às 19h e aos sábados das 13h às 17h
Onde: Ágape, na rua Padre Anchieta, 4.480
Entrada franca
*Escolas podem agendar visitas com a presença do artista pelo (53) 98438-4480


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