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Shirley & Deisê estreia no Youtube nesta terça

Websérie, que une professores e alunos do Centro de Artes da UFPel, é experiência inédita na Universidade

02 de Agosto de 2020 - 09h15 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Maria Falkembach interpreta Shirley e Marina de Oliveira vive Deisê (Foto: Divulgação - DP)

Maria Falkembach interpreta Shirley e Marina de Oliveira vive Deisê (Foto: Divulgação - DP)

Estreia na próxima terça-feira (4) a websérie cômica Shirley & Deisê, a atração virtual é uma experiência inédita que une professores e alunos dos cursos de Teatro, Dança e Cinema do Centro de Artes da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). As protagonistas são vividas pelas professoras Maria Falkembach e Marina de Oliveira, sob direção do professor Paulo Gaiger. O episódio O casamento de Cleiciane, que abre a primeira temporada, estará disponível na página da série pelo Youtube, a partir das 21h.

Marina de Oliveira conta que a websérie é o resultado da união de dois projetos de pesquisa/extensão, Janelas do feminino, coordenado pelo Paulo Gaiger e Produção do corpo-sujeito nas práticas de dança, coordenado pela Maria Falkembach, com a colaboração da própria Marina. Posteriormente a professora do curso de Cinema, Cíntia Langie, foi convidada para integrar a equipe.

O projeto começou a ser desenvolvido no ano passado com ensaios presenciais no espaço da AABB, no núcleo de teatro e depois, em função da pandemia, teve de ser reformulado. "Elas começaram a construir essas duas personagens pouco a pouco. A partir das improvisações que elas se descobriram faxineiras de um posto de saúde e a gente construiu uma biografia para cada uma delas", conta Gaiger.

Os ensaios também foram balizados por alguns interesses, como explica Marina. A intenção era falar sobre questões que envolvem o feminismo, a sexualidade, o preconceito, o racismo, o machismo e a homofobia. Esses encontros ocorriam uma a duas vezes por semana.

Na retomada do projeto este ano, surgiu a pandemia. "Vislumbramos a possibilidade de colocar a pesquisa "em cena" em outro formato, no digital", fala Marina. Foi a partir dessa decisão que os demais integrantes do grupo foram convidados.

Gaiger, Maria e Marina são os responsáveis pelo roteiro e pela dramaturgia. "A gente discute a situação que vai nortear determinado episódio, o Paulo esboça um texto inicial, o colocamos no google docs e vamos mexendo os três juntos, de forma compartilhada", conta Marina. A ideia é sempre aproximar o texto do mais coloquial possível, de acordo com os horizontes das personagens.

Cada capítulo do episódio tem em média de cinco a sete minutos e colocar essa produção no ar tem sido um grande aprendizado para todos. Marina não sabe dizer se esse trabalho é mais complexo do que seria uma peça, mas confirma que é diferente. "Ele (o episódio) acontece em doses homeopáticas, não se revela todo em um espetáculo, mas através de fragmentos de cenas que vão aos poucos. E o mais rico é o trabalho conjunto entre as áreas, esse é um anseio de boa parte dos professores e alunos do Centro de Artes, investir mais em projetos compartilhados", comenta a professora.

As gravações são feitas na casa de cada uma delas separadamente e com as próprias câmeras dos celulares das intérpretes. Cada uma fica com o notebook aberto para que ele sirva como ponto, ou seja, para que possam se ouvir, explica o diretor. "Na hora da gravação eu não vejo, só ouço a voz delas", fala Gaiger.

Marina conta que elas propõem determinados ângulos e o diretor, dá o seu aval ou não. "Estamos explorando as possibilidades que a câmera dá. Avanços e recuos. Efeitos de edição, montagem e etc."

Cíntia Langie, professora do curso de Cinema e Ana Paula Ambrosano Ribeiro, aluna de Cinema, são fundamentais nesse processo. Elas respondem pela montagem e finalização.

O trabalho da montagem reúne os vídeos das duas atrizes. A edição é inspirada nas conversas de vídeo mesmo, explica Cíntia. "Dessas conversas que as pessoas ficam pequeninhas num canto da tela e dando uma dinâmica para o episódio, esse que é o nosso trabalho de montagem", explica.

O casamento de Cleiciane foi dividido em três capítulos. Mas para Cíntia o destaque da série é a forma como temáticas duras são abordadas. "Elas tocam de uma forma bem-humorada e isso é o mais legal."

Muito amigas

Shirley (Maria Falkembach) Deisê (Marina de Oliveira) são duas mulheres, muito amigas e colegas de trabalho em um Posto de Saúde da periferia da cidade. Faxineiras do Posto, as duas dividem suas aventuras, reflexões, aconselhamentos, alegrias e crises através de chamadas pelo WhatsApp.

Com muito humor, ironia, sensibilidade e inteligência, Shirley e Deisê tratam de temas atuais, dos conflitos, das paixões, das injustiças, da ignorância, do racismo, da misoginia, da homofobia, da solidariedade, do machismo, da sororidade, entre outros.

Ficha técnica

Com: Maria Falkembach e Marina de Oliveira

Direção: Paulo Gaiger

Montagem e Finalização: Cintia Langie e Ana Paula Ambrosano Ribeiro

Roteiro e Dramaturgia: Paulo, Maria e Marina

Animação e Identidade Visual: Ana Paula Ambrosano Ribeiro/ Kevin Proença/ Victor de Souza

Comunicação/Divulgação: "o grupo"

Música tema: Leandro Maia

Referência de desenho das letras: Gonçalo Maia


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