Música

Sem mais parar

Guido CNR retorna com disco de inéditas

17 de Abril de 2020 - 12h32 Corrigir A + A -
Rapper Guido CNR retorna com novo disco (Foto: Divulgação - DP)

Rapper Guido CNR retorna com novo disco (Foto: Divulgação - DP)

Ele está de volta e dessa vez é em definitivo. Após anunciar a aposentadoria depois do lançamento do último disco, em 2017, o rapper Guido CNR retorna, mais vigoroso do que nunca, com o álbum 04.03.80, referência à data de nascimento do músico. O Diário Popular entrevistou com exclusividade o artista sobre o trabalho, referências e o momento atual do hip hop.

Diário Popular: Quando lançaste teu disco anterior, falaste que aquela seria uma despedida. O que te fez escolher lançar mais um trabalho? Esse será o último?
Guido CNR: Todo músico tem essa qustão da frustração, de achar que o trabalho não teve o resultado esperado. Eu estava com esse sentimento de dever ainda não cunprido e estar velho para seguir fazendo rap e achar que o pessoal não estava mais buscando a minha linguagem. Só que logo após essa entrevista, recebi muitas mensagens, de pessoas que se transformaram com a minha música. E o que me fez voltar foi isso, os relatos de várias idades e lugares. Mães dizendo que os filhos saíram do crime por minha causa. Isso me fez pensar e ter a certeza de que vai muito além de ficar rico, ser famoso. Fazer a diferença na vidada s pessoas. Isos posso fazer com qualquer idade.

DP: Como foram definidas as participações especiais do disco?
GCNR: As partipações surgem por identificação. É uma galera que tá próxima de mim naquele período de tempo. Estamos sempre junto e as músicas surgem automaticamente aqui em casa. Não gosto de planejar, gosto que elA surja e vou guardando elas e monto o disco. Prisão, outros sons, foi tudo naturalmente. As coisas acontecem, saca?

DP: O disco conta com uma releitura de Blazer, clássico do rap local, da Calibre 12 Máfia. Qual a importância dessa canção para quem é dos guetos e Pelotas e por que resolveste fazer essa homenagem?
GCNR: A Blazer foi o começo de tudo pra mim. Eu ouvia programa na rádio, escutava Racionais e ouvi o som no meio das outras. Pra mim era um cara de São Paulo, até que eu tava andando no Calçadão e vi um cara com uma jaqueta da Calibre 12 Máfia. Ligeiro fui saber se ele conhecia outras músicas, porque eu queria conhecer. Ele disse que era o fundador do grupo e não acreditei que era de Pelotas. Aquilo me deu o estalo de começar a fazer também, saca? Foi o meu empurrão e mais do que isso: o Brown nos colocou no palco pela primeira vez na vida. O Calibre 12 tava abrindo pro MV Bill e chamou a gente para cantar. Por isso eu faço isso até hoje, sempre chamo alguém para cantar comigo porque sei da importância. O Dom Brown é uym cara da minha cidade, real, e é a minha maior inspiração no rap.
DP: O álbum também conta com uma homenagem para o Fill. Qual a importância dele para ti?
GCNR: O FIll era um grande amigo e um filho. Eu tinha uma atenção muito grande com ele porque sabia dos problemas que ele tinha. Um ou dois dias antes de ele falecer, me mandou áudios em que vi que estava com problemas sérios e marcamos de nos encontrar, para tirar as coisas ruins da cabeça dele e fazer música. Mas não deu tempo, infelizmente. Perdi um membro da minha família e o rap perdeu uns dos maiores talentos. Ele era o melhor MC entre todos nós, estava decolando. Infelizmente a depressão levou. Sei o quanto ele amava o rap, então a depressão era muito forte para ganhar dele. Minha missão é manter o trabalho dele. Temos dois discos para lançar, videoclipes, além de homenagens como o festival do ano passado.

DP: Quais as principais diferenças entre trabalhar com rap no início da tua carreira e na atualidade?
GCNR: Eu trabalho da mesma forma. Vejo diferença na mídia e questões financeiras. O pessoal que entra no rap tem uma vida financeira melhor que a galera de antes, que 99% era do gueto. Hoje o pessoal já tem até estúdio em casa. E hoje tem as plataformas digitais, que são boas para a divulgação, mas como são pagas acabam tirando o pessoal sem dinheiro que às vezes é bom, mas não tem esse suporte. Sigo fazendo rap porque ele é feito com e por amor. Não pretendo parar mais não.


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