Guitarras

Rock madeirado pelotense

The Woods lança disco "Alexitimia", sábado, no M-qd

14 de Agosto de 2018 - 14h03 Corrigir A + A -
Após ganhar a noite pelotense, grupo embarca no autoral (Foto: Filipe Chepp)

Após ganhar a noite pelotense, grupo embarca no autoral (Foto: Filipe Chepp)

Tipos de madeira existem muitos. Macias, fortes, castanho-claro, castanho-avermelhado. Mas cada madeira é diferente da outra e é preciso respeitar a individualidade de pinhos, cedros, bétulas, azevinhos. Juntá-los é interessante também, em uma diversificada floresta. E foi isso que a The Woods fez no primeiro disco da banda, Alexitimia. O lançamento será sábado no M-qd.

A banda começou em 2012 com o intuito de tocar covers na noite pelotense. Eram versões de músicas que os membros se identificavam e também daquelas que o gosto popular do indie rock ditava como sucessos. Desde aquela época, porém, o grupo não se limitava a reproduzir as canções - todas vinham acompanhadas do tempero The Woods. Durante este período, festas como a Xalassa e o Décimo eram constantes na agenda, assim como shows no Galpão Satolep. Neste caminho a The Woods se tornou uma das mais conhecidas representantes do rock nos diferentes nichos da cidade. Mas ainda faltava alguma coisa.

Novo caminho
Em 2013 a banda começou a ingressar no sinuoso e doce caminho do autoral. "O cover funciona, mas ele te prende na cidade, nos bares. Eu enjoei. O músico quer mostrar a própria arte, a própria expressão", comenta o guitarrista e vocalista Kaue Nunes.

Naquele ano veio o primeiro EP com músicas próprias, músicas essas que passaram a cada vez mais empurrar os covers e a ganhar espaço no setlist. Concomitantemente, o guitarrista e vocalista Guilherme Castilhos, um dos fundadores, teve de deixar a banda em mudança para a China. Abriu-se aí espaço para talentoso músico que já era visto coadjuvante em outros projetos da cena local - e que já havia sido o produtor do EP. Júnior Vieira o nome dele. Com ele, duas canções que hoje estão em Alexitimia: Andarilho e Pra ver o Sol se por. "Ele nos mostrou meio descompromissadamente e ficamos muito surpresos, tanto que foi logo para o setlist", relembra Nunes.

A partir daí, a The Woods iniciou a busca pela realização do primeiro disco. Esbarrou, porém, no mesmo obstáculo da maior parte dos músicos: a falta de verbas. O grupo, então, apostou no Programa de Incentivo a Cultura de Pelotas (Procultura Pelotas), da Secretaria de Cultura. No primeiro ano, ficaram de suplentes. No segundo, a insistência deu resultado e a aprovação veio. "Acho maravilhoso, algo quase fora da realidade. Sem ele fica muito mais difícil. É a população propondo cultura", comenta o baixista, Otávio Folharini. "É um espaço para lançar projetos que dificilmente sairiam", complementa Nunes, lembrando que o primeiro EP foi possibilitado graças à caixinha dos shows.

Ao ouvido, Alexitimia soa como as fotos que ilustram o disco: são uma mistura, feita naturalmente, das influências dos quatro integrantes - além de Vieira, Folharini e Nunes, o baterista Mateus Chepp também faz parte da The Woods. Ao longo das oito canções que compõem o álbum, o ouvinte passeia por um bem produzido material com rock inglês, rock gaúcho e ainda um pouco de ritmos latinoamericanos. "É melhor que cause esse estranhamento sobre o gênero. Até porque essa mistura é uma marca da atualidade", comenta Vieira, citando Neura, de Juliano Guerra, como exemplo.

Serviço
O quê: lançamento do disco Alexitimia, da banda The Woods
Quando: sábado, às 21h
Onde: M-qd (Benjamin Constant, 966)CAPA The WoodsEntrada franca

Alexitimia

The Woods

Independente

2018

 

 

 


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