Concerto

Recital Sonho brasileiro traz Ervino Rieger a Pelotas

Promovido pelo Sesc, o evento ocorre no Conservatório de Música da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com entrada franca

28 de Junho de 2022 - 10h10 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Pianista diz que recital é uma oportunidade de tocar música de concerto brasileira (Foto: Divulgação - DP)

Pianista diz que recital é uma oportunidade de tocar música de concerto brasileira (Foto: Divulgação - DP)

O Sesc Pelotas apresenta nesta terça-feira (28) o recital de piano Sonho brasileiro, evento da 1ª etapa do Concerto Banco Sesc Partituras. Promovido pelo Sesc, o concerto será às 20h, no Conservatório de Música da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), rua Félix da Cunha, 651, com entrada franca. A proposta é resgatar obras brasileiras ao evidenciar compositores locais e clássicos da música instrumental disponíveis no banco de partituras do Sesc.

Graduado com Ney Fialkow pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o pianista Ervino Rieger, natural de Cruz Alta, será o responsável pelo encantamento da noite. O músico de 22 anos iniciou suas atividades em 2014 e, desde então, desenvolve carreira no Brasil e no exterior.

Rieger atuou como solista ao lado de regentes como Ligia Amadio, Martín Garcia, Diego Pacheco e Silvio Viegas, nas orquestras Filarmônica de Montevidéu - com a qual teve sua estreia como solista - Orquestra GRU Sinfônica e Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA). O gaúcho é nome confirmado na programação da temporada 2022 do Festival Vermelhos em Ilhabela (SP), da série de recitais do Instituto Ling em Porto Alegre (RS) e da Orquestra GRU Sinfônica, com a qual apresentará o Concerto em Ré menor, Op. 15 de J. Brahms. Esta é a terceira vez que o pianista se apresenta em Pelotas.

Para este recital de 50 minutos proposto pelo Sesc de Pelotas, Rieger interpretará composições de Chiquinha Gonzaga (1847-1935), com as canções Meditação, Candomblé, Linda Morena, Dança Brasileira, Marcha fúnebre e Gaúcho (Corta-Jaca), Brasílio Itiberê (1846-1913), com Poème d'amour, e Antônio Santana, com Cycle mystique (Ciclo místico), I - Jour de fête dans le temple de Delphes (Dia de celebração do templo Delphes), II - Dialogue avec le ciel (Conversa com o céu), III - Le buisson ardent (A sarça ardente), IV - Extase de l'âme dans la lumière (Êxtase da alma iluminada) e V - La prophétie de Zarathoustra (A profecia de Zaratustra). No encerramento a peça Tema para filme, de Dimitri Cervo.

Repertório novo

Feliz por poder interpretar compositores brasileiros, o pianista comenta que o convite ofereceu a ele a oportunidade de estudar um repertório novo para ele. "Geralmente quando a gente estuda a música brasileira a gente pega compositores tipo Villa Lobos, Guarnieri e acaba deixando outros tantos de lado, principalmente os contemporâneos e o mais interessante foi isso, ter a oportunidade de montar um programa que coube muita coisa interessante", comenta.

Rieger fez dois núcleos de peças da Chiquinha e toca pela primeira vez Basílio Itiberê, um compositor que ele conhecia, mas não tinha interpretado ainda. "A própria Chiquinha eu conhecia só uma das peças que eu vou tocar, a Gaúcho, do Corta Jaca." Dimitri Cervo, autor contemporâneo, foi professor de Percepção Musical do pianista, na graduação.

O música explica que não são composições populares e lembra que nomes, como Chiquinha Gonzaga ainda sofrem preconceito na área da música de concerto. "Tem certo preconceito com o estilo dela, de nomes como Ernesto Nazareth, Zequinha de Abreu, esse pessoal dessa época. Na verdade o que eles fizeram foi unificar o estilo da música europeia de concerto com os estilos afro-brasileiros que estavam em vigor na época, mas na verdade não são composições de caráter popular", comenta.

Segundo o pianista, Basílio Itiberê inclusive era um conservador da música europeia no Brasil e Antônio Santana é radicado na França, então é um estilo europeu contemporâneo, assim como Cervo, que tem formação na música europeia e no minimalismo. "É um repertório de concerto bastante potente, que traz esse brasileirismo."

Sobre as dificuldades do repertório, Rieger diz que as composições de Chiquinha Gonzaga são mais festivas, porém um pouco difíceis de controlar, mas nada fora do normal. Já Itiberê tem sessões cadencias velozes que se aproximam ao que fazia Liszt. A peça que deu mais trabalho para o intérprete foi Circo místico, de Santana, e é ainda a de maior duração, cerca de 20 minutos. "Ele coloca muito material diferente, então, foi a peça que eu tive que dedicar mais tempo para resolver", explica.


Serviço

O quê: concerto Banco Sesc de Partituras, com o pianista Ervino Rieger

Quando: terça-feira (28), às 20h

Onde: Conservatório de Música da UFPel, rua Félix da Cunha, 651

Classificação indicativa: livre

Entrada franca

Mais informações: pelo telefone (53) 3225-6093 ou pelo WhatsApp (53) 99131-3176 do Sesc Pelotas

 


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados