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Que a cultura seja um hábito

Ações desenvolvidas pelo Sesc Pelotas contribuem ativamente na formação de público para as artes

25 de Agosto de 2019 - 11h13 Corrigir A + A -
BPP recebe as apresentações do Sonora Brasil (Foto: Carlos Queiroz - DP)

BPP recebe as apresentações do Sonora Brasil (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Concertos do Sesc Partituras vale-se de biblioteca on-line (Foto: Flávio Neves)

Concertos do Sesc Partituras vale-se de biblioteca on-line (Foto: Flávio Neves)

Espetáculo de dança

Espetáculo de dança "Cria" é a próxima atração do Palco Giratório (foto: Renato Mangolin)

Caminhão do RecreArte percorre as cidades do interior do Estado (Foto: Divulgação - DP)

Caminhão do RecreArte percorre as cidades do interior do Estado (Foto: Divulgação - DP)

Dentre a gama de atividades, que incluem saúde, esporte, lazer, educação e assistência, o Serviço Social do Comércio (Sesc) oferece uma atenção especial para a área da cultura. Somente a unidade de Pelotas desenvolve, pelo menos, sete projetos voltados ao teatro, à música, ao circo, à dança e ao cinema. O resultado é um calendário de eventos que transforma a realidade local através da formação de plateia, do fortalecimento de grupos artísticos e da circulação de talentos pelo país.

Criado por decreto em 1946, a partir da ação de empresários de organizações sindicais, o Sesc visa atender às necessidades sociais dos trabalhadores do comércio e seus dependentes. "A cultura é um dos nossos carros-chefes, pois é onde o nome do Sesc chega a mais pessoas", acredita Lucas Vidal, agente de cultura e lazer da unidade Pelotas. Tais realizações não são direcionadas exclusivamente ao público-alvo da instituição. A maioria dos eventos apresenta entrada franca, sendo disponível para a comunidade em geral.

Dentro da rede de cidades atendidas pelo serviço, Pelotas recebe destaque por estar inserida na rota dos projetos culturais desenvolvidos em âmbito nacional pelo Sesc. Vidal conta que é perceptível o engajamento dos pelotenses às atividades, sendo superior a de muitos municípios. Após cada realização, produz-se um relatório que leva em conta pontos positivos e negativos, incluindo a participação do público. O volume de avaliações favoráveis contribui para a vinda de mais atrações à cidade.

Dos artistas aos espectadores 
Este mês, um dos mais celebrados projetos do Sesc, o Sonora Brasil, retomou suas atividades na cidade. Quatro grupos foram montados especialmente para desenvolver o tema Líricas femininas: a presença da mulher na música brasileira. A primeira apresentação foi das Líricas Históricas, que reúne Gabriela Geluda (RJ) na voz, Anastácia Rodrigues (PE) na voz, kalimba e pandeirão, Priscilla Ermel (SP) no violão e na viola caipira e Vanja Ferreira (RJ) na harpa. 

O grupo busca oferecer visibilidade, a partir de canções dos séculos 18, 19 e 20, para a história de mulheres que não tiveram seu devido reconhecimento público. "Foi um trabalho de garimpagem de material, trazendo para o show coisas fortes e incríveis da alma feminina através dos tempos", conta Priscilla. A seleção vai de composições de origem indígena até nomes como Cecília Meireles e Hilda Hilst. 

O quarteto irá percorrer 90 cidades durante um ano de projeto. "O Sonora é um pensamento, uma curadoria de itinerância por lugares recônditos. É muito importante para a gente, e também para o Brasil", avalia a paulista. Os demais grupos devem se apresentar na Bibliotheca Pública Pelotense (BPP) em breve: Líricas Transcendentes (9 de outubro), Líricas Negras (16 de novembro) e Líricas Modernas (13 de dezembro). 

O Sonora é considerado o maior projeto de circulação musical do país. "Em 22 edições, construiu-se uma receptividade à música diversa do Brasil", acredita Gabriela. Em pouco tempo percorrendo locais distantes dos grandes centros urbanos, ela já percebe uma sede das pessoas em consumir cultura não comercial, que não recebe espaço na grande mídia. "Tem sido uma experiência emocionante, inclusive no reconhecimento da força feminina", aponta. 

Mesmo sendo uma gelada noite de segunda-feira no salão nobre da Bibliotheca, o público ocupou praticamente todas as cadeiras para assistir as Líricas Históricas. Entre os presentes, o professor aposentado Armando Costa, 69, demonstrou ser um dos que apreciam a programação do Sesc, desde o Sonora Brasil até o Festival Internacional de Música. "O incentivo à cultura e à música é muito importante. Vou nos eventos e participo bastante, seja popular ou erudito", comenta. 

Também na plateia, a estudante Joana Schneider, 29, contou que gosta de acompanhar as atividades do Sesc. A jovem costuma aproveitar que está pelo Centro e, antes de ir para casa, fica um pouco mais para conferir alguma apresentação artística. Natural de Augusto Pestana, no Norte do Estado, acredita que Pelotas conta com uma variada agenda cultural. Neste sentido, a próxima atração proporcionada pelo Sesc é o espetáculo de dança, Cria, através do projeto Palco Giratório, no Theatro Guarany.

Presente e futuro
Independentemente do evento, todas as ações na cidade passam pela unidade do Sesc Pelotas. Seus esforços iniciaram em 1956, em um prédio na rua Sete de Setembro, vindo a ser transferida em 1976 para a sede atual na rua Gonçalves Chaves, 914. A abrangência da unidade vai além de Pelotas, incluindo outras 13 cidades da Região Sul. São elas: Jaguarão, Herval, Santana da Boa Vista, Pedro Osório, Cerrito, Capão do Leão, Arroio do Padre, Morro Redondo, Canguçu, São Lourenço, Turuçu, Piratini e Arroio Grande.

São muitos os ganhos para a população com o trabalho do Sesc, porém o Sistema S, o qual a instituição está inserida, pode ser afetado com cortes de verbas. O clima é de instabilidade. Uma possível decisão do governo para diminuir o repasse financeiro deve prejudicar a realização das atividades, principalmente as relativas à área cultural. Atualmente, o Sesc Pelotas trabalha com uma gama diversificada de projetos voltados a democratizar o acesso às artes. São eles:

RecreArte
"É um caminhão, chamado de unidade móvel de lazer, que abre sua lateral e vira um palco, com apresentações e brinquedos", define Vidal. O RecreArte é, na verdade, uma forma de levar atividades culturais para cidades do interior. O caminhão permanece cerca de quatro dias em cada local, oferecendo uma intensa programação. A etapa seguinte do projeto tem início este mês: de 28 a 31 de agosto, no Largo das Bandeiras, em Jaguarão; de 5 a 8 de setembro na praça municipal de Herval; e de 12 a 15 de setembro na praça Jacinto Inácio, em Santana da Boa Vista.

Cine Sesc de Rua
A unidade de Pelotas possui um kit de cinema que permite a realização de sessões ao ar livre ou em espaços amplos e cobertos, como ginásios e auditórios. É formado por uma tela de 8m x 5m, projetor, computador e aparelho de som, disponíveis para exibir produções audiovisuais cadastradas no sistema do Cine Sesc. O equipamento já foi utilizado no Mercado Central, no ano passado, para exibir a animação O menino no espelho. A próxima realização deve ser ocorrer em parceria com a equipe do documentário pelotense Cachorros. As sessões estão previstas para outubro.

Festival Internacional Sesc de Música
Os planos de ser itinerante foram desconsiderados depois que Pelotas abraçou, logo em sua primeira edição, o Festival Internacional Sesc de Música. A realização tomou uma proporção maior que o esperado, sendo reconhecido pela direção artística como o maior evento de música de câmara da América Latina. Desta forma, o festival colocou Pelotas em destaque nacional, oferecendo visibilidade também para o trabalho do Sesc RS. A próxima edição está garantida para ocorrer de 20 a 31 de janeiro de 2020.

Sonora Brasil
Dentre os quase 500 municípios do Rio Grande do Sul, apenas 12 são contemplados com o Sonora Brasil. Pelotas está entre eles. O projeto pertencente ao departamento nacional do Sesc encontra-se em sua 22ª edição, sendo desenvolvido a partir de temas bianuais. O objetivo principal é a formação de ouvintes musicais, trazendo ao público o amplo cenário da produção brasileira. Para 2019/2, a cidade recebe grupos que desenvolvem a temática Líricas femininas e, para 2020/1, grupos indígenas que abordam a Música dos povos originários do Brasil. A entrada é franca.

Sesc Partituras
Concertos elaborados com base em uma biblioteca virtual constitui o projeto Sesc Partituras. Da Região Sul, Pelotas é a única cidade participante. São quatro apresentações por ano. A próxima ocorre em 14 de setembro com o recital Sete laços, de Lucas Araújo (violão) e Daniel Castilhos (acordeon). O banco de partituras on-line do Sesc disponibiliza composições raras, obras de relevância histórico-patrimonial e músicas contemporâneas. Interessados podem acessar o material na íntegra ou incluir uma partitura autoral através do endereço www.sesc.com.br/sescpartirturas.

Teatro a Mil
Com mais de dez anos, o projeto Teatro a Mil é direcionado aos estudantes de escolas públicas municipais e estaduais, sendo contemplados com apresentações de espetáculos de teatro e circo. Visa atender em cada etapa mil crianças e ou adolescentes por cidade, sem cobrança de ingresso aos participantes. Em Pelotas são realizadas três sessões por etapas, a fim de atingir a meta do projeto. Escolas interessadas podem entrar em contato com o Sesc da cidade através do (53) 3225-6093.

Palco Giratório
Pelotas já integrou a rota de apresentações do Palco Giratório e deixou o programa em virtude do fechamento do Theatro Sete de Abril, uma vez que perdeu o palco adequado para as apresentações de artes cênicas (teatro, dança e circo). No ano passado, conseguiu voltar a fazer parte do projeto. No primeiro semestre deste ano foi realizada a primeira etapa, com os espetáculos Vestido queimado e Se eu fosse Iracema, ambos encenados na Sala Carmen Biasoli, uma parceria com UFPel. A segunda etapa se inicia na próxima quarta-feira com o espetáculo Cria, da companhia carioca Suave, no Theatro Guarany. Serão 13 bailarinos no palco. Esta é uma das poucas atrações trazidas pelo Sesc que possui cobrança de ingressos. Custam R$ 10,00 (comerciários) e R$ 20,00 (público em geral). Para 25 de novembro tem o espetáculo Voa, oriundo do Distrito Federal, que trabalha com teatro para crianças de até três anos. Será na Bibliotheca Pública Pelotense com entrada franca.


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