Literatura

Qual é a cor do seu dragão?

Psicólogas Raquel Lhullier e Tamara Russell lançam obra literária que leva neurociência para o ambiente familiar

11 de Novembro de 2019 - 10h28 Corrigir A + A -
As cores representam sistemas de regulação emocional (Foto: Paulo Rossi - DP)

As cores representam sistemas de regulação emocional (Foto: Paulo Rossi - DP)

Raquel e Tamara se conheceram em 2017 (Foto: Paulo Rossi - DP)

Raquel e Tamara se conheceram em 2017 (Foto: Paulo Rossi - DP)

Obra também será lançada em inglês (Foto: Paulo Rossi - DP)

Obra também será lançada em inglês (Foto: Paulo Rossi - DP)

Três dragões coloridos representam, metaforicamente, as energias que nos movem no dia a dia. Seja azul, verde ou vermelho, cada um deles auxilia em situações que podem (ou não) representar desafios. A proposta foi desenvolvida pela pelotense Raquel Lhullier e a inglesa Tamara Russell, ambas psicólogas, que lançam nesta segunda-feira (11) o livro Aprendendo a amar seus dragões - Uma linguagem sobre emoções, às 19h, na 47ª Feira do Livro de Pelotas.

A parceria entre as duas profissionais se iniciou há três anos, quando Raquel participou do programa Body in Mind Training (BMT), ministrado por Tamara em Porto Alegre. A britânica oferece o módulo desde 2011 no Brasil, em diferentes versões. BMT é uma abordagem temática do Mindfulness (atenção plena), método inspirado em práticas de tradições espirituais e contemplativas.

"Quando estamos no automático, não questionamos nossas escolhas. Vivemos ocupados, sempre com fome, sempre sem tempo. Mindfulness é desacelerar", explica a pesquisadora. A variação apresentada por Tamara objetiva trabalhar com movimento. São exercícios que visam o reconhecimento de cada ação realizada e por quê. É uma forma de autocuidado. "Quanto mais a gente cuida da gente, consegue cuidar do outro", acredita.

A consciência da relação entre corpo e mente contribui para uma maior produtividade tanto nos estudos quanto no trabalho, além do aprimoramento das emoções. "Essa atitude promove uma nova forma de se relacionar consigo mesmo, com os outros e com o planeta", salienta Tamara.

Neurociência em família
O BMT uniu as duas psicólogas, Brasil e Inglaterra, que, juntas, desenvolveram a linguagem dos três dragões, uma ferramenta inspirada no modelo criado por Paul Gilbert (fundador da Terapia Focada na Compaixão - TFC) para superar dificuldades emocionais. Cada dragão representa um tipo de emoção e como aparecem no corpo e afetam o pensamento. 

A criatura de cor azul está envolvida quando surge uma tarefa para ser cumprida; já o dragão vermelho aparece frente a situações de ameaça física ou psicológica; e, por fim, o verde ganha vida em momentos de segurança e tranquilidade. De certa forma, são complementares. "É preciso encontrar esses dragões, aprender a lidar com eles e abraçá-los como parte de si mesmo", avalia Raquel.

Os dragões apresentam-se como uma forma de lúdica de transmitir conhecimento sobre o BMT e a TFC. "A vida já é tão séria, então vamos nos divertir e aprender. Assim como as crianças, nosso cérebro aprende com diversão", aposta Tamara. Reunir esse conteúdo em uma publicação visa atingir desde crianças a adultos, principalmente a relação entre pais e filhos. 

"Na nossa cultura temos dificuldade em aceitar que os filhos se chateiam, que sintam estresse. Precisamos, enquanto adultos, lidar com esses momentos difíceis, que incluem o nosso próprio dragão vermelho", recomenda a britânica. O método busca prevenir, inclusive, doenças como depressão e complicações cardíacas e musculares.

Motivações saudáveis
O método foi aplicado, inicialmente, em workshops junto a famílias de Londres e, mais recente, passou a ser utilizado através de treinamentos em escolas para crianças portadoras de necessidades especiais e dificuldade de aprendizagem. "Nem todo mundo aprende da mesma maneira. Os cérebros são diferentes e precisam que sejam assim para se complementar", explica Tamara. 

Os dragões representam modos cerebrais e sistemas de regulação emocional, sendo constantemente ativados no cotidiano. Por isso, as psicólogas recomendam observar a si mesmo, fazer uma pausa e se perguntar: "O que está me movendo agora?" O livro, neste caso, ajuda a desenvolver a inteligência emocional, até mesmo na desmistificação de cada reação. É simples e ao mesmo tempo profundo. 

A obra assegura que todos os sentimentos são saudáveis, mesmo os mais difíceis. As autoras sugerem monitorar o quanto estamos agindo com o dragão azul e reativando o verde para nos recuperar. "Primeiro esteja verde para trazer o azul. O vermelho vai aparecer, mas precisa estar equilibrado", comenta Raquel.

Aprendendo a amar seus dragões é um lançamento independente. A edição em inglês já encontra-se a caminho. Além de conteúdo teórico, as páginas oferecem tarefas interativas para escrever no próprio exemplar ou até mesmo fazer download de arquivos complementares. "É mais que um livro, é um estilo de vida, de comunicação e cuidado entre adultos e crianças", encerra Tamara.

O quê: lançamento do livro Aprendendo a amar os seus dragões - Uma linguagem sobre emoções, de Raquel Lhullier e Tamara Russell
Quando: segunda-feira (11), às 19h
Onde: Tenda de Autógrafos da 47ª Feira do Livro de Pelotas, na praça Coronel Pedro Osório


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