Artes visuais

Projeto Inventário oferece oficinas

Ação integra proposta financiada pelo Procultura de Rio Grande

02 de Dezembro de 2020 - 12h54 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Gustavo Reginato e Beatriz Rodrigues são os idealizadores da proposta (Foto: Mariza Rodrigues Ferreira - Especial DP)

Gustavo Reginato e Beatriz Rodrigues são os idealizadores da proposta (Foto: Mariza Rodrigues Ferreira - Especial DP)

O Projeto Inventário, idealizado em parceria pelos artistas Beatriz Rodrigues e Gustavo Reginato, realiza nesta e na próxima semana a oficina Caminhar, coletar, publicar, pela plataforma Zoom. Os encontros são virtuais, por causa da pandemia de Covid-19, e ocorrerão amanhã e sexta-feira e nos dias 10 e 11, das 14h às 16h. Ainda é possível fazer inscrições através do site projetoinventario.com. O evento é financiado pelo Procultura de Rio Grande.

Esta oficina é a primeira ação do projeto, que ainda terá outros desdobramentos, como a oficina Empoderamento gráfico, a feira Empoderamento gráfico e publicações, além de lançamento de vídeos e da própria exposição Inventário, que deu origem ao projeto, e que ainda não foi apresentada em Rio Grande também devido a pandemia. "Uma dessas atividades é a exposição na galeria Espaço Incomum da Furg, que também foi por edital público, que ganhamos antes de obter o Procultura. Por conta de toda essa questão de isolamento social tivemos de adaptar todo o projeto", explica.

Durante a oficina Caminhar, coletar, publicar os oficineiros vão fazer relato de suas poéticas e vão lançar um desafio prático, a criação de uma cartografia. A proposta é que o material seja publicado em uma coletânea.

A artista visual Beatriz Rodrigues, especialista em Fotografia pela Universidade de Londrina, no Paraná, conta que a exposição Inventário é itinerante e estreou em maio de 2019 em Concórdia, Santa Catarina, rumando na sequência para Florianópolis, em agosto do mesmo ano. A exposição teve curadoria de Gustavo Reginato, parceiro no projeto.

Reginato, que é formado em Artes Visuais pela Universidade Federal de Pelotas e proprietário da editora Caseira, em Florianópolis, será responsável pela próxima oficina on-line, que ocorrerá em janeiro.
A oficina será sobre publicações independentes, na qual Reginato contará a experiência dele na editora que tem seis anos. Os artistas ainda programaram para o próximo ano uma feira virtual de publicações independentes voltada para o segmento livro de artista.

No dia 21 deste mês o projeto lança do vídeo de Beatriz, Planta baixa, a primeira experiência audiovisual da artista profissionalmente. A obra mostra uma ruína em Salvador, na Bahia, vista por imagens aéreas captadas por drone que entra e sai deste prédio abandonado. Beatriz explica que a casa em estilo colonial estava sem teto. "Tem toda essa questão da natureza tomando conta daquela matéria, mostra essa imagens de desconstrução que seria um paralelo a noção de planta baixa, que traz a ideia de projeto, de construção. Eu brinco com esse conceito", fala.

Planta baixa é a única imagem me vídeo da exposição. Em Inventário a artista apresenta sua poética por meio de fotografias que se materializam em diferentes superfícies, como azulejos hidráulicos, tecidos e livros, e de diferentes formas, a exemplo das instalações.

A exposição ainda conta com o livro de artista Modos de habitar: Diários de percurso, da editora Caseira, que entra como obra, mas foi lançado de forma independente na Feira do Livro da Furg, no Cassino, no último verão. "No contexto expositivo ele é apresentado aberto, tem mais de três metros de comprimento", conta a artista.

Fragilidade

Materialidade e memória se cruzam nas pesquisas artísticas de Beatriz Rodrigues. Em seus trabalhos ela expõe as subjetividades ligadas à matéria, pensando a casa como um lugar em que a memória se inscreve. O interesse pelos prédios abandonados surgiu ainda na graduação em História na Furg. "Acaba que é uma grande coleção de imagens que eu venho produzindo desde a graduação."

Nesta época a artista buscava enfocar no abandono, mais recentemente passou a questionar o habitar como um lugar de memória e de afetos. Ainda na sua obra se observa questionamentos sobre as desigualdades sociais, isto porque muitas dessas ruínas são habitadas por famílias em situação de miserabilidade. "Tem muitas questões que vêm à tona e me interessa muito pensá-las, é mais por essa linha que eu venho construindo a minha poética e de alguma forma denunciando essa fragilidade das nossas memórias."

Serviço

O quê: oficina virtual Caminhar, coletar, publicar, projeto Inventário

Quando: quinta-feira (3) e sexta-feira (4) e dias 10 e 11 deste mês, das 14h às 16h

Onde/Inscrições: projetoinventario.com

Informações: info@projetoinventario.com

Contato: (53) 98108-4610/(48) 9622-9903


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