Comportamento

Plataformas de streaming também estão à serviço da educação

Documentário premiado da UFPel, sobre o ensino da dança, é uma das opções no universo on-line

31 de Março de 2020 - 11h48 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Educadoras falam sobre experiências didáticas em escolas públicas (Foto: Reprodução Youtube - DP)

Educadoras falam sobre experiências didáticas em escolas públicas (Foto: Reprodução Youtube - DP)

Em tempos de isolamento social, o YouTube ou as plataformas de streaming se colocam também como aliados na educação. Por meio de documentários, por exemplo, a família pode unir entretenimento, conhecimento e reflexão num único programa. E o enfoque pode ser bem local, a exemplo do vídeo Nós, professoras de dança, que ganha agora versão on-line. O projeto audiovisual integra a tese de doutorado da professora Josiane Franken Corrêa, do curso de Dança - Licenciatura da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

Nós, professoras de dança tem 33 minutos e foi lançado em abril do ano passado. Josiane explica que a ideia era começar a divulgá-lo em eventos dedicados à dança, como congressos, e nas escolas enfocadas no vídeo. Porém com a paralisação das atividades por causa do novo coronavírus, tudo ficou adiado. "Por isso também que a gente abriu, para que as pessoas possam ver de casa."

O documentário, que conquistou Menção Honrosa no prêmio Capes de Teses em 2019, narra a experiência educadora de cinco professoras de dança que atuam na rede pública estadual. Elas se tornaram funcionárias públicas a partir de concurso público até então inédito de 2013, que ofertou vagas específicas para o ensino da dança.

Estas concursadas entraram como case da tese, ao mostrarem como foi feito esse trabalho inicial. Contam sob a perspectiva delas como encaram esse desafio e como a disciplina estava sendo desenvolvida. "Antes a gente pesquisava muito na teoria, agora, com a entrada dessas pessoas, podemos pesquisar na prática mesmo", argumenta Joseane.

A intenção da pesquisadora é dar continuidade ao trabalho, conhecendo a realidade das professoras do município que em recente concurso também foram divididas por áreas, com Dança, Música, Teatro e Artes Visuais separados. A intenção é manter o mesmo foco da tese, traçando esse paralelo entre a teoria e a realidade do desenvolvimento da profissão.

A tese foi defendida no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), sob orientação da professora Vera Bertoni dos Santos. Na produção do documentário a pesquisadora contou com o auxílio do aluno bolsista Álvaro Aguiar, do curso de Audiovisual da UFPel, que a acompanhou em todas as entrevistas, fez toda a captação e, juntamente com Joseane, a edição de vídeo. A realização do documentário também contou com o apoio e o trabalho de colegas professores e acadêmicos do Centro de Artes da UFPel.

Nas plataformas de streaming ou no YouTube também se pode encontrar:

The mask you live in (2015)
Um professor de escola pública reúne oito de seus estudantes meninos, todos com idade entre 13 e 16 anos. Em roda, distribui a eles uma máscara impressa em papel e realiza um exercício simples. Documentário sobre a pressão da sociedade sobre aquilo que pode ou não ser considerado "masculino" e como isso pode afetar os nossos jovens. Em comparação com as meninas, pesquisas mostram que os homens dos EUA têm maior probabilidade de ser diagnosticado com um distúrbio de comportamento. Com depoimentos de especialistas, a pergunta que fica é "O que podemos fazer para mudar esses padrões?". Duração de uma hora e 37 minutos. Na Netflix.

Cara gente branca (2019)
Nessa série de ficção, alunos negros de uma conceituada universidade norte-americana enfrentam desrespeito e a política evasiva da escola, que está longe de ser "pós-racial". São dez episódios de pouco mais de 20 minutos cada. Na Netflix.

Educação proibida (2012)
Propõe-se a se questionar as lógicas da escolarização moderna e a forma de entender a educação, focando em experiências educacionais diferentes, não convencionais, que buscam um novo paradigma educativo. É um projeto feito por jovens que, partilhando dessa visão, embarcaram em uma pesquisa em oito países realizando entrevistas com mais de 90 educadores com propostas educativas alternativas. Tem duas horas e 25 minutos de duração. No YouTube.

Tarja branca - A revolução que faltava (2014)
A partir dos depoimentos de adultos de gerações, origens e profissões diferentes, o documentário discorre sobre a pluralidade do ato de brincar, e como o homem pode se relacionar com a criança que mora dentro dele. Por meio de reflexões, o filme mostra as diferentes formas de como a brincadeira, ação tão primordial à natureza humana, pode estar interligada com o comportamento do homem contemporâneo e seu "espírito lúdico". Duração de uma hora e 20 minutos. No Google Play Filmes e YouTube.

Pro dia nascer feliz (2005)
As situações que o adolescente brasileiro enfrenta no precário sistema de educação público do país, envolvendo preconceito, precariedade, violência e esperança. Adolescentes de locais dos mais variados tipos de três estados diferentes, de classes sociais distintas, falam de suas vidas na escola, seus projetos e inquietações. Uma hora e 28 minutos de duração. No YouTube.

 


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