Lançamento

Pesquisadores retomam livro sobre arte funerária

Publicação dos historiadores Viviane Saballa e Sérgio Roberto Rocha da Silva amplia obra lançada há 23 anos

06 de Janeiro de 2022 - 10h47 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Indumentária e a a arte ganharam mais espaço (Foto: Divulgação - DP)

Indumentária e a a arte ganharam mais espaço (Foto: Divulgação - DP)

Obra do escultor Antonio Caringi é destaque na nova edição (Foto: Divulgação - DP)

Obra do escultor Antonio Caringi é destaque na nova edição (Foto: Divulgação - DP)

A professora Viviane Saballa, chefe do Departamento de História, ligado ao Instituto de Ciências Humanas da Universidade Federal de Pelotas (ICH/UFPel), e o historiador e pesquisador Sérgio Roberto Rocha da Silva lançaram em dezembro o livro A elite de Pelotas e suas representações Artístico- Culturais: fotografia, Indumentária e Arte Funerária (Haikai Editora, 180 páginas). Esta é uma edição ampliada e revisada da obra Pelotas - Arte imortalizada, de 1998, que reunia textos de pesquisa iniciada nos anos 90 com foco na arte encontrada nos cemitérios.

O primeiro livro foi publicado em 1998 e trazia o relato dos pesquisadores sobre a cultura e o cemitério de Pelotas. Durante a pesquisa foi feito um inventário das obras de arte que existiam no local. Este foi o primeiro livro lançado no Rio Grande do Sul sobre a temática, relembra o pesquisador.

Na nova publicação, além de ser revisada a publicação ganhou outros temas que não estavam na primeira versão. "Nesse momento trabalhamos mais com a questão da indumentária, que a Viviane trabalha, principalmente depois da belle époque, eu também ampliei a parte da arte funerária aprofundando a produção , fizemos também um apanhado melhor sobre a cultura pelotense", diz Sérgio da Silva.

O levantamento sobre a arte funerária em Pelotas data a partir do final do século 19, período que os historiados relacionam ao apogeu econômico oriundo da atividade charqueadora, até a metade do século 20. Segundo o pesquisador, a elite demonstrava a força econômica que detinha através das viagens, da indumentária e também dessa produção artística. "Geralmente as obras eram todos importadas da Itália ou da Alemanha e mostravam que a família tinha o poder aquisitivo para ter um monumento desses em seus jazigos", comenta Sérgio da Silva.

Desta forma o cemitério se tornou um espelho da divisão de classes. "Nós pegamos a parte mais rica do cemitério", relembra o historiador.

Catálogos comprovam

Uma das importantes contribuições da pesquisa foi confirmar que a maior parte desses monumentos eram importados, diferentemente do que se imaginava até então. "Os monumentos menores eram de artistas locais, mas muitos desses artistas também eram importados, vinham da Alemanha e Itália para trabalhar aqui no Rio Grande do Sul e estendiam o trabalho até Pelotas."

Os pesquisadores encontraram catálogos que comprovaram a importação das obras. Quando os monumentos chegavam em Pelotas é que ganhavam a contribuição dos artistas locais. De acordo com os pesquisadores, eles tinham o trabalho de colocá-las no cemitério, além de fazerem todo o ornamento. Entre os artistas locais os pesquisadores destacam uma obra de Antonio Caringi, no jazigo da família do escultor.

Até meados dos anos 90 os pesquisadores encontraram esse acervo público muito bem conservado, mas já há alguns anos sem voltar ao local da pesquisa os historiadores temem pela conservação desse patrimônio. "Quando catalogamos os monumentos eles estavam bem conservados." Entre as obras mais importantes eles destacam um anjo todo feito de mármore, da família de João Py Crespo.

Início nos anos 80

No Estado, pesquisadores começaram a levantar essa temática no final dos anos 80, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), em Porto Alegre. Um universo tão específico da arte que interessou aos acadêmicos Viviane e Sérgio da Silva, que cursaram a licenciatura e o bacharelado em História, nesta instituição. "Cada um começou a pesquisar uma região e pra nós surgiu a Região Sul, que não tinha nenhum pico de pesquisa ainda", relembra Silva.

Na época eles passaram estudar a arte cemiterial presente nas cidades de Bagé, Rio Grande e Pelotas. "Pelotas foi onde a gente se aprofundou mais por se encontrar um acervo ainda mais rico do que em Bagé e em Rio Grande. Até então nem se tinha nenhuma publicação sobre esse tema na região." O livro atual pode ser encontrado pelo site da haikaieditora.com.br e pelo site Amazon.

 


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