Luto

Pelotas perde o artista Felipe Povo

Velório ocorre na capela da funerária Nossa Senhora Aparecida

09 de Fevereiro de 2019 - 10h13 Corrigir A + A -
Povo em frente a painel realizado em Pelotas (Foto: Divulgação - DP)

Povo em frente a painel realizado em Pelotas (Foto: Divulgação - DP)

Personagem que lhe conferiu apelido artístico (Foto: Divulgação - DP)

Personagem que lhe conferiu apelido artístico (Foto: Divulgação - DP)

Páginas do livro

Páginas do livro "Arte manifestação pública", lançado em 2014 (Foto: Divulgação - DP)

Pelotas perdeu um pouco das suas cores, neste sábado (09), com a morte do artista Felipe Silva, mais conhecido como Felipe Povo. Aos 36 anos, ele tratava de um câncer no sistema linfático. Na última quarta-feira realizou cirurgia e, logo na sequência, apresentou complicações. O velório ocorre desde às 6h na capela da funerária Nossa Senhora Aparecida (rua Marechal Deodoro, 940). Por volta das 16h, após a despedida de familiares e amigos, o corpo será encaminhado para cremação.

Povo nasceu em Porto Alegre, passou infância e adolescência em Palmares do Sul e residia em Pelotas desde 2004, quando iniciou a graduação em Artes Visuais na Universidade Federal de Pelotas (UFPel). O apelido artístico surgiu através de um personagem emblemático que espalhou pela cidade através de lambes e adesivos.

A imagem compartilhada a partir de 2006 representa um cidadão comum com o nariz de palhaço. Abaixo, a palavra “ovop”, que seria “povo” ao contrário. Quando ingressou no grafite, em 2009, realizou uma releitura do personagem nas pinturas em spray. Manteve o nariz de palhaço e o rosto ganhou uma máscara de madeira.

A estrutura rústica simboliza a sensação de aprisionamento ao sistema ao qual estamos inseridos. Felipe não acreditava que a essência do homem seja usar tênis, morar em prédios e construir cidades. Em sua opinião, as pessoas acabaram se afastando da natureza, deixando de aprender como fazer fogo ou como plantar o próprio alimento. Povo dizia que a sua salvação foi a arte, encontrando na pintura o que muitos buscam na meditação ou na igreja.

Sua obra em grafite pode ser apreciada em inúmeros painéis pela cidade. Em 2014 lançou o livro Arte manifestação pública e, em 2017, realizou a exposição individual Originário no Ágape – Espaço de Arte, na qual fazia parte trabalhos em cerâmica e pintura, esculturas em madeira e experimentos com spray e tinta acrílica. Em novembro do ano passado participou duas edições do evento Meeting of Styles, que reuniu 50 artistas nacionais e internacionais em Pelotas e Rio Grande.

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