Música

Pelas notas luso-brasileiras

Trio aposta na união entre o choro e o fado no show "À flor da pele", a ser apresentado na Bibliotheca Pública

09 de Agosto de 2019 - 10h00 Corrigir A + A -
Amizade entre músicos possibilitou um projeto afetivo e de intercâmbio cultural (Foto: Tom Silveira - Especial DP)

Amizade entre músicos possibilitou um projeto afetivo e de intercâmbio cultural (Foto: Tom Silveira - Especial DP)

Brasil e Portugal se encontram através da música na noite deste sábado (10) na Bibliotheca Pública Pelotense (BPP). O trio formado por Nani Medeiros (voz), Junior Pita (violão) e Mathias Pinto (bandolim, violão e pandeiro) promovem o espetáculo À flor da pele, que mistura choro e fado, estilos pelos quais cada país é reconhecido.

A afinidade entre os gêneros revela-se mais intensa do que aparenta. “O fado é o gerador do choro. É uma das suas principais influências, principalmente no quesito sentimental”, avalia Mathias. Nesse sentido, alguns especialistas chegam a considerar que o choro é o fado com ginga. 

Apesar da proximidade, a união dessa dupla não é valorizada, fazendo com que o projeto seja um dos poucos a promover a fusão entre os estilos. “Nos propomos a dar luz a essa conexão, explorar uma zona de fronteira e estabelecer relações”, define. Um dos diferenciais é a participação da cantora porto-alegrense Nani Medeiros, que realiza performance em ambas frentes musicais.

Da sala para o palco 
O projeto surgiu em outubro do ano passado, com estreia no Café Fon Fon, em Porto Alegre. Mathias conta que a proposta era tocar canções de gosto pessoal, geralmente reproduzidas em encontros intimistas entre amigos. “Inicialmente não tínhamos a intenção de levá-las para o palco, eram coisas mais lentas, sem ser alegre e propícias para dança”, comenta. 

O repertório afetivo, feito de choros e fados, permaneceu restrito aos músicos até o dia em que resolveram fazer uma apresentação-teste. “Acabamos tendo uma surpresa, inclusive com a plateia cheia. Veio, então, a vontade de repetir”, recorda Mathias. Logo, um convite do Serviço Social do Comércio (Sesc) para uma pequena turnê levou o projeto para cinco cidades gaúchas.

Delicadezas musicais
A característica introspectiva do repertório permanece na performance ao vivo. Durante cerca de uma hora, o trio oferece tanto versões do cancioneiro brasileiro, vide Noel Rosa, Cartola e Paulo César Pinheiro, quanto os fados mais clássicos, como Meu amor marinheiro, Nem às paredes confesso e Saudades do Brasil em Portugal

Além da tradição musical, o espetáculo promove o intercâmbio entre os gêneros, desde a execução de um fado composto por Vinícius de Moraes até a inversão de estilos, quando um fado é tocado como choro ou um chorinho tocado como fado. A seleção também inclui músicas autorais. “A grande sacada do show é fazer o tradicional e, ainda, brincar com a contemporaneidade dessas culturas”, considera Mathias.

Despedida
Recentemente, À flor da pele voltou ao Café Fon Fon para mais apresentações e, quase um ano depois da sua criação, chega à BPP. “É uma felicidade levar esse projeto a Pelotas. Tenho uma conexão forte com a cidade. Estou todos os anos no Festival Internacional Sesc de Música, e tenho levado algumas produções também. Essa é uma que fizemos com muito carinho”, conta. 

A realização pelotense deve ser o último encontro do projeto no Brasil. Nani e Junior são um casal e estão com passagens compradas para Lisboa, onde irão residir pelos próximos meses. Os planos, a partir de novembro, são de tentar viabilizar o espetáculo na terra do fado, levando consigo os acordes tipicamente brasileiros.

O quê: espetáculo musical À flor da pele
Quando: sábado (10), às 20h
Onde: Bibliotheca Pública Pelotense, na praça Coronel Pedro Osório, 103
Ingressos: antecipados à venda no Café Aquarius por R$ 30,00, on-line pela plataforma Sympla ou através do telefone (51) 99821-5935




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