Literatura

Os sertões inspira romance juvenil

Obra de Lourenço Cazarré foi adotada pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático

18 de Janeiro de 2022 - 09h57 Corrigir A + A -

Por: Ana Cláudia Dias
anacl@diariopopular.com.br 

Triângulo amoroso em meio a guerra, no interior baiano (Foto: Divulgação - DP)

Triângulo amoroso em meio a guerra, no interior baiano (Foto: Divulgação - DP)

Autor tem mais de 30 obras infanto-juvenis lançadas  (Foto: Divulgação - DP)

Autor tem mais de 30 obras infanto-juvenis lançadas (Foto: Divulgação - DP)

Amor e guerra em Canudos, o mais recente livro para o público juvenil do jornalista e escritor pelotense Lourenço Cazarré, foi adotado pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) e integrará a lista de leituras dos jovens estudantes brasileiros. O romance de 224 páginas foi lançado em outubro do ano passado pela editora Yellowfante. Na trama o autor mescla ficção a fotos históricos ao contar o desenrolar de um triângulo amoroso em meio as batalhas ocorridas no Arraial de Canudos, interior da Bahia, no final do século 19.

O lançamento foi submetido ao PNLD, órgão do Ministério da Educação, que considera as obras que podem ser compradas pelo Governo Federal para distribuição nas escolas públicas. "Os livros que passam por esse programa vão entrar numa compra que o governo vai fazer de livros de ficção. Isto me abre a possibilidade de uma venda que vai ser determinada pelo número de professores de escolas públicas que gostarem do meu livro", conta o autor. Esse é o terceiro livro de Cazarré que integra a lista do PNLD, antes dele foram indicados A fabulosa morte do professor de Português (2016) e Devezenqundários de Leila Rosa Canguçu, 2006.

Cazarré levou dois anos para escrever Amor e guerra em Canudos, na obra ele apresenta Maria Guilhermina. A jovem vai enfrentar muitos desafios, entre eles manter, junto com a mãe dela uma escola para meninas, contra a vontade do líder religioso Antônio Conselheiro, além de viver um triângulo amoroso. Tudo começa quando, aos 15 anos, a heroína se muda para Canudos, juntamente com os pais e o irmão gêmeo, onde se defrontará com dois rapazes que se apaixonarão por ela: um poeta pernambucano e um militar inglês.

"Eu coloquei esse núcleo romântico nos momentos mais críticos da guerra, entre os anos de 1896 e 1897", conta o autor. A trama que envolve os personagens principais obedece a exata cronologia dos combates. "Enquanto estão ocorrendo os combates a menina está sendo cortejada pelos dois rapazes."

De um lado o leitor tem a guerra e toda a ação que envolve esse conflito e de outro o contexto do universo feminino na cidade de Canudos. "Com Amor e guerra em Canudos meu objetivo - se é que livros podem ter objetivos - é despertar nos jovens o interesse de lerem depois, mais amadurecidos, o livro que narra uma guerra devastadora, decorrente de preconceito, desinformação e manipulação política", comenta.

Formado em jornalismo pela Universidade Católica de Pelotas, em 1975, Cazarré está radicado em Brasília há 44 anos e começou a escrever livros juvenis em 1985. Hoje o pelotense contabiliza mais de 30 títulos publicados, entre eles Nadando contra a morte (Formato Editorial), finalista do prêmio Jabuti e a Guerra do lanche (1999), que integra a série Vaga-Lume, uma coleção de livros brasileiros voltada para o público infanto-juvenil da Editora Ática.

Sonho realizado

Apesar de o livro só ter sido escrito há pouco tempo, a ideia de fazer um romance em meio ao conflito relatado no livro Os sertões, de Euclides da Cunha (1866-1909), é antigo. Cazarré lembra que leu pela primeira vez a obra em junho de 1977, aos 23 anos, quando residia em Florianópolis. "Não vou mentir: foi com muita dificuldade, pulando páginas, que atravessei o primeiro capítulo, intitulado A terra. O segundo, O homem, também me exigiu certo esforço. Mas deslanchei a partir do terceiro, A luta - preliminares. E me apaixonei."

Na época ele decidiu que escreveria uma obra literária sobre a Guerra de Canudos, mas para isso precisava dissecar a obra de Euclides da Cunha, o que levaria alguns anos. Quando em 1981, o escritor peruano Vargas Llosa lançou A guerra do fim do mundo Cazarré achou que seria o fim do sonho.

Trinta anos depois chegou às mãos do escritor Veredicto em Canudos, do escritor húngaro Sándor Márai. No livro uma irlandesa se vê entre a meia dúzia de quase cadáveres que sobrevivem à destruição total da cidade de Canudos. O encontro com Veredicto reavivou o antigo desejo de Cazarré. "Com uma experiência de mais de 35 anos em literatura juvenil, e depois de várias releituras d´Os sertões, resolvi recorrer a um jovem para contar outra versão daqueles embates que se arrastaram por quase um ano e destruíram milhares de vidas", relembra o autor.

Além deste nicho de público, o escritor lançou livros de contos e romances para o público adulto. No próximo mês Cazarré deve lançar a sétima obra de contos, Exercícios espirituais para insônia e incerteza, que sai pela editora Insular de Santa Catarina

 


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