Artes visuais

Os diferentes estágios de ser artista

Galeria A Sala apresenta exposição com diferentes estágios da formação de um artista

22 de Outubro de 2019 - 17h39 Corrigir A + A -
Construção da identidade dos alunos está presente (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Construção da identidade dos alunos está presente (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Obras produzidas na graduação e no mestrado, durante mais de 10 anos, estão expostas (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Obras produzidas na graduação e no mestrado, durante mais de 10 anos, estão expostas (Foto: Carlos Queiroz - DP)

O artista nasce uma massa cinzenta, mas esponjosa e prestes a explodir. Impressões digitais, bactérias, energias, tudo contribui para que essa massa se torne, um dia, única, dona das próprias pontas, cores, cheiros. Com o objetivo de mostrar esse processo, e quebrar a parede que há entre a academia e o público em geral, a galeria A Sala promove até a próxima segunda-feira (28), a exposição Pequenas utopias: territórios da conquista, que aborda os diferentes estágios da construção poética dentro do ambienta acadêmico.

Cronoligicamente, as primeiras produções apresentadas são oriundas da disciplina de construção do alfabeto poético, logo no primeira semestre da graduação em Artes Visuais. A professora Renata Requião, organizadora da exposição, explica que esse é um momento de autoconhecimento do aluno. Dentro do universo rico da materialidade, é nesse período que os artistas começam a fazer as escolhas que formarão linguagem própria.

A exposição conta também com obras produzidas no terceiro semestre. São os chamados artefatos poéticos. Nesse momento, o aluno, que já desenvolveu parte do seu eu artista, começa a dialogar materiais com palavras. "Estamos sempre lendo, pensando sobre o lugar em que estamos inseridos. Eles têm de escolher um acontecimento recente e pensar naquilo que os afeta a partir daí", explica Renata.

Na exposição, por fim, há espaço para a pós-graduação, com produções oriundas do mestrado em Artes Visuais. A professora comenta que, já com certo domínio da própria trajetória, os alunos são instigados a criar os próprios mapas poéticos, a partir das vivências, calos e memórias afetivas. É o momento de "pensar espacialmente". "O mapa é o lugar em que a pessoa se sente forte. É onde ela pode tudo, é senhora do próprio castelo."

A verdade, explica Renata, é que o curso inteiro é um ateliê. Exsitem conversas teóricas, claro, e elas são imprescindíveis, mas o fio condutor são as perguntas. "Existe uma série de caminhos e perguntas. A liberdade é importante para encontrar as saídas. No fim, a descoberta é a própria poética."

Renata conta que ao longo dos onze anos de sala de aula os trabalhos iam se acumulando, sem que ninguém tivesse a oportunidade de os ver. A curadoria da A Sala, então, sugeriu que as produções fossem expostas, como forma de fazer com que o diálogo entre artistas e público fosse possibilitado - ainda que haja um anonimato nas obras, a exposição das atas de presença mostram quem passou pelos cursos. O objetivo, salienta a professora, é solucionar um dos principais problemas da arte contemporânea: a comunicação com a população leiga. "Ela tem um discurso acessível, porque fala das pessoas, resta pensar a forma."

Para o professor da UFPel e diretor do Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo, Lauer Santos, o resultado é excelente. "É muito bom do ponto de vista instituional. Mostra o percurso dos alunos, mescla as linguagens poéticas. Estamos cumprindo nosso papel de mostrar os resultados do que é produzido aqui."

Renata acredita que, assim como em anos anteriores o discurso crítico se encontrava na música, no Cinema, na literatura, hoje ele está nas artes visuais. Entretanto, a história de empobrecimento e de exploração nos países da América Latina, em sua opinião, levaram a falta de cultivo, de iniciativas que levassem os trabalhos até a sociedade. Daí, possivelmente, o certo preconceito que há, principalmente em períodos de recessão econômica, em relação aos cursos superiores voltados às artes.

Serviço

O quê: exposição Pequenas utopias: territórios da conquista

Quando: até 28 de outubro

Onde: Galeria A Sala, no Centro de Artes da UFPel (Alberto Rosa, 62)

Entrada franca


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